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sábado, 18 de maio de 2013

#VazaJorge

O fim de “Salve Jorge” foi coerente: incoerente do começo ao fim. Os erros – que de tantos, merecem um texto para cada um – sobrepujaram-se à história proposta por Gloria Perez. O “voo” que ela tanto pediu não causou nem um princípio de decolagem.

O último capítulo teve todos os desfechos possíveis e imagináveis, sempre calcados nos erros de produção, questionável direção musical e erros de direção. Algumas coisas foram, boas: o strip-tease de Cláudia Raia, mostrando porque ainda é uma das mais belas atrizes desse país, além de toda desenvoltura ganha em inúmeros musicais estrelados por ela. O desfecho de Wanda foi hilário: virou evangélica na cadeia – lembram-se que no começo da novela os evangélicos “boicotaram” a novela? E só.

O resto foi um festival de confirmações que se arrastavam há sete meses: Giovanna Antonelli e “Donaelô” foi a verdadeira protagonista, a Morena de Nanda Costa foi insuportável, assim como o Theo de Rodrigo Lombardi, e por aí vai. Ah, claro, não podemos esquecer Thammy Gretchen, “achada” numa reta final e Maria Vanúbia (Roberta Rodrigues), que não foi bagunça  anovela inteira. Talvez a única personagem coerente disso que se pode chamar de “novela”.

O telespectador brasileiro foi mal acostumado com “Avenida Brasil”. A qualidade superior de produção e fotografia (totalmente baseada em produções de seriados americanos), a qualidade do texto de João Emanuel Carneiro (ágil, preciso, mas com algumas falhas, é verdade), a qualidade da direção de atores (não havia “canastrões” como Lívia Marine de Cláudia Raia) e a qualidade (e pouca quantidade, ante os 80 de “Salve Jorge”) do elenco fizeram com que o telespectador abrisse os olhos para ver que esse produto tem muito fôlego ainda. “Salve Jorge”, desastrosa, baixou todos esses níveis de qualidade a um nível impensável para uma produção da Rede Globo. Aqui uma galeria com alguns dos erros: http://televisao.uol.com.br/album/2013/05/13/relembre-alguns-erros-de-continuidade-de-salve-jorge.htm#fotoNav=3

“Amor à Vida”, de Walcyr Carrasco, marca a estreia deste no horário das 9. Autor de sucessos das 6 (“Chocolate com Pimenta, “Alma Gêmea”) e das 7 (“Sete Pecados”, “Caras e Bocas”), além do remake de "Gabriela" no ano passado, Carrasco tem tudo para reverter o quadro deixado pela turma da Turquia, do Alemão e de Gloria Perez. As imagens das chamadas já mostram uma novela ágil, com uma fotografia muito superior (mostrar imagens de cartão postal como em “Salve Jorge” é inútil. Coisas da década de 90), número reduzido de personagens (em torno de 40, assim como "Avenida Brasil") e história mais coerente, mas não menos “requentada”: irmão com ciúme da irmã, mãe possessiva, filha rebelde, homem e mulher encontram-se num acaso do destino, casal gay, etc.

“Salve Jorge” termina com a menor média geral entre todas as produções das 9, 34 pontos. Mas será eternamente lembrada pelo modo de como NÃO fazer uma produção audiovisual, seja ela filme, novela ou seriado. E, claro, pela zoação feita infinitamente nas redes sociais. Já "Amor à Vida" estreia ainda com a sombra de "Avenida Brasil".

Mas, depois de "Salve Jorge", o que vier é lucro.

*O título é a hashtag que ficou no topo dos tranding topics mundiais do twitter.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

"Salve Jorge": salve-se quem puder


Salve Jorge: uma repetição de clichês
“Salve Jorge” estreou com a difícil missão de superar em audiência e popularidade a anterior, “Avenida Brasil”. Gloria Perez, a autora, é “gata escaldada”: novelas com apelo popular concentradas num romance com idas e vindas e a exposição maciça de uma cultura estrangeira, juntos com um – chato –merchandising social. É a quarta novela que Gloria apela a esses recursos e, pelo menos nesse primeiro capítulo, foram seguidos à risca. E, por motivos óbvios, parecem esgotados diante da proposta diferente de “Avenida Brasil”.

Nanda Costa ou Nada Consta?: sem carisma para
uma protagonista
É o estilo novelão. Se “Avenida” voltava a trama para o cinema e seriados, “Salve Jorge” mostra o que consagrou as novelas brasileiras. A novela começou com paisagens grandiosas da Turquia, o novo cenário e logo de cara, mostrou uma Morena (Nanda Costa) sendo posta a leilão. É “arrematada” por alguns mil euros e a próxima é anunciada: “Vejam senhores, que esplendor de tcheca”. Sim, a novela começou no futuro e voltou, sendo mostrado um “8 meses antes”. Não lembro outra novela ter utilizado esse recurso. Interessante.

A novela “volta” oito meses no meio de um tiroteio. Morena e o filho estão no fogo cruzado, quando traficantes e policiais travaram uma guerra no morro do Alemão, o outro cenário principal da novela. Imagens reais do conflito mostradas em telejornais se misturaram com as imagens da novela, garantindo um realismo pouco visto. Sim, tinha cara de documentário. Isso não tira o mérito, pois a edição foi muito bem construída.

Morro do Alemão tão belo quanto a Capadócia
A fotografia é típica das novelas de Gloria: grande angular, com paisagens, contrastes de cores, mas nada inovador. O Alemão e a Turquia são igualmente belos e grandiosos. A trilha sonora instrumental é grandiosa, digna dos grandes filmes de batalha. Já a trilha sonora original tenta pegar carona no popular, com funk, samba e pagode. O baile charme dá lugar ao “pagofunk”, sai o Divino e entra em cena a favela. Apesar de parecidas, são duas realidades completamente diferentes. O Divino era um retrato de um bairro, de famílias que, independentemente da classe social, são parecidas. Já o morro é uma realidade exclusiva de quem mora lá. Isso pode afastar uma parte do público. Nem é preciso falar do título, mais segregador do que qualquer outra coisa.

O contraste manjadíssimo de classes também é mostrado. Lucimar (Dira Paes), a empregada, moradora do Alemão, preocupada com o conflito e Drika (Mariana Rios), preocupada um futilidades. Drika parece uma versão enriquecida de Suellen (ísis Valverde, em “Avenida”). Mas a cota “periguete” da novela cabe à Lurdinha (Bruna Marquezine).

O casal: idas e vindas do amor. O sono bate à sua porta.
Mas está faltando algo: o protagonista. Théo (Rodrigo Lombardi) continua canastrão, assim como todos os outros personagens galãs que já fez. Ao comentar sobre os sonhos que tem na vida, Théo diz “Só? Você acha pouco?”. É como se quisesse mostrar que a novela é, sim, grande. Ele namora há um mês a companheira de batalhão Érica (Flávia Alessandra). Numa balada, os dois tem um diálogo forçado sobre sonhos. Em casa, Lívia debocha de Théo. Uma inversão de papeis.

Théo é devoto de São Jorge, pois foi soterrado num acidente quando era crianã. Era dia de Jorge e desde então crê no santo guerreiro.  Élcio (Murilo Rosa) será a pedra no sapato de Théo, já que os dois disputam posições no batalhão. É um invejoso nato. Os personagens de Gloria são assim: calcados nos estereótipos.

A novela segue uma proposta realista (só aqui, que fique claro) e mostra a invasão do exército no morro. Novamente imagens de jornalísticos. E aqui a ascensão social é mostrada de forma veemente: os jovens estão conectados, comentando a invasão na favela, na zona sul e no escritório. As famílias do morro têm notebook e TV de LED, smartphones e filmadoras. Isso não condiz com as tramas fantásticas de Glória Perez.

Seu Jorge, quer dizer, São Jorge caminha sobre as águas.
Quer mais fantástico que isso?
Depois de quase 40 minutos do primeiro bloco, a abertura. De fato, um dos pontos altos da novela. Seu Jorge (ah vá!) canta a música, com imagens gráficas incríveis, fantásticos, que misturam a favela com a Capadócia e um São Jorge galopante sobre águas e tudo o mais. É uma síntese da novela. A música não chega a ser “chiclete” como um “Oi Oi Oi”, mas agrada. A repetição de elementos faz lembrar “Caminho das índias”, a novela anterior de Gloria. Veja em: http://tvg.globo.com/novelas/salve-jorge/videos/t/salve-jorge/v/confira-a-abertura-de-salve-jorge/2203083/

O primeiro bloco foi inteiramente dedicado à apresentação do conflito principal e dos protagonistas Théo e Morena. Já o segundo, dedicado aos núcleos menores e personagens coadjuvantes. Coadjuvantes de peso. Heloísa (Giovanna Antonelli) me parece a mais segura no papel, junto com Dira Paes. Nanda Costa não tem nenhum carisma e não convence como protagonista, mesmo sendo uma moça humilde, porém forte e barraqueira. Carismática como uma porta. O merchandisng social foi mostrado rapidamente, com uma Carolina Dieckmann segura e explicando o “sonho”. Tudo muito rápido.

Lívia (Cláudia Raia): vilã ou cômica?
E enfim, no terceiro bloco, é apresentada a vilã-mor de “Salve Jorge”. Lívia (Cláudia Raia) “chega chegando”: se mostra como empresária. Mais uma ironia: Lívia diz “Não, não estou trazendo nenhum musical”. Raia é conhecida pelos grandes musicais que estrela. Cláudia Raia fazendo um papel de vilã é cômica.

E, ENFIM, Istambul, a capital turca é mostrada de fato: danças, danças, danças. Músicas, músicas, músicas. Expressões, expressões, expressões. Stênio (Alexandre Nero) e Drika vão ao estrangeiro num passe de mágica. Mustafa (Antonio Calloni) é mais um dos personagens estrangeiros desse ator, novamente numa novela de Gloria Perez. É o mesmo personagem. E começa o festival de expressões turcas seguidas da tradução em português.

Istambul IS THE NEW Marrocos ou IS THE NEW Índia
“Salve Jorge” é uma novela requentada, com os mesmos recursos de novelas anteriores de Gloria. Se essa encerra a trilogia iniciada com “O Clone”, “Salve” pode ser a pior parte, comum em trilogias. O primeiro capítulo não mostrou todos os personagens – são quase 80 – e muito menos os núcleos. O sucesso da trama pode estar calcado justamente nessa fantasia proposta, no melhor estilo novelão Gloria Perez de ser. Mas é uma missão difícil e a repercussão não foi positiva: no twitter, poucos foram os assuntos comentados e a novela estreou com 35 pontos de média, a pior estreia entre as 18 últimas novelas das nove.

Desse primeiro capítulo de "Salve Jorge", destaque – além da abertura - para MC Koringa, que emplaca novamente (em sequência, depois de “Avenida Brasil”) um funk na trilha sonora.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Brasil em tempo de novela


“Avenida Brasil” chega ao fim nesta sexta e, por mais que os conservadores-pseudo-intelectuais-docontra insistam em denegrir esse produto, essa novela é sem dúvida um marco na produção de teledramaturgia no país, quiçá no mundo.

A história criada por João Emanuel Carneiro remete a várias outras, como a série “Revenge”, o livro “O Pequeno Príncipe” e vários outros lidos mesmo na novela por Tufão (O Primo Basílio, O idiota, entre outros) e até mesmo à novela anterior de JEC, “A Favorita”. Diz o autor que Nina é cria da vilã Flora. Além disso, muitas referências ao cinema estão lá, como na cena em que Nina (Débora Falabella) é enterrada viva, assim visto em “Kill Bill”, do diretor Quentin Tarantino. E referências até às primeiras novelas de JEC, “Da Cor do Pecado” e “Cobras e Lagartos”. Créditos também à direção de Ricardo Waddington, Amora Mautner e José Luiz Villamarim, brilhantes na condução e execução das cenas.

Mas não se faz mais necessário discorrer sobre as tantas qualidades e os defeitos (ah, as fotos e o pen-drive pu então a pior cena da novela entre Monalisa e Silas sobre Ivana) de “Avenida Brasil”. Cabe agora, nesse momento em que o país fica na expectativa de saber o futuro de vários personagens, discutir sobre esse produto que é um mero entretenimento, por mais que digam o contrário.

Infelizmente ainda há o preconceito e a veemente fúria dos “conservadores” (para não dizer outra coisa) que insistem em dizer que novela é alienadora e prejudica a formação das pessoas. Aos machistas (que com certeza já viram um capítulo de “Avenida Brasil”, a mais machista das novelas), que acham que novela é coisa de “mulherzinha” ou de viado. Aos cultos, que acham que novela é sub-produto, inferior ao cinema e seriados (americanos, claro). É impressionante como um produto que é o mais rentável e de maior audiência na TV brasileira – veja só, os capítulos dão mais audiência que uma final de Libertadores – ainda é execrado e tido como menor, inferior, lixo. Os grandes jornais não podem falar do assunto, afinal a “elite conservadora” acha um absurdo, uma babaquice, uma “emburração”. Mas, porra, novela não é feita para ensinar ninguém. Não é instrumento de educação. Mas falar sobre filmes, cinema e seriados, pode. Vai entender...

É preciso entender que cada país tem um tipo de produção audiovisual. Se os americanos são reconhecidos pela produção cinematográfica e de seriados de sucesso, aqui o caso é com as novelas. O Brasil é o maior produtor de novelas no mundo, com inúmeras opções e qualidades. O que falta para tudo isso ser reconhecido como uma coisa boa? O complexo de vira-lata do brasileiro é recorrente em vários setores. A devoção ao que vem de fora é gritante e irritante. A desculpa de que “temos que nos preocupar com outras coisas” é pura falação. Afinal, o que falta para as novelas serem reconhecidas como um produto tão bom quanto filmes e seriados?

Por mais que a novela faça referência – e porque não, reverência – ao tipo americano de produção, com imagens, câmeras, enquadramentos, trilhas, visual, etc, ela ainda é tida como produto “pro povão”, que “não entende”, que quer consumir de graça, que é alienado e “não tem o que fazer”. E, veja só novamente, uma novela (Caminho das Índias) ganhou o Emmy Internacional (o Oscar da TV mundial) como melhor novela. A primeira novela das 11, “O Astro”, está concorrendo ao mesmo prêmio este ano. Mas ainda querem mais.

Acredito que um dia essa situação pode mudar e, aí sim, a novela pode ser acompanhada por cada vez mais e bons olhos. 

terça-feira, 7 de agosto de 2012

"Veja" que tem outras revistas, caro leitor


Sou um leitor assíduo da revista Época (Ed. Globo). Uma revista leve, bem diagramada, assuntos variados. Enfim, não vejo nela uma postura declarada que apoia direita ou esquerda, assunto interessante ou importante, apesar das Organizações Globo terem certa preferência direitista histórica. Época mescla fatos importantes da política e do cotidiano sem ser piegas.

Capa de "Veja": julgamento de Nina e Carminha
Essa semana, não pude deixar de comprar a Veja (Ed. Abril). Uma revista declaradamente de direita (o que não é o meu caso, apesar também de não ser esquerdista). Não gosto de ler, o conteúdo é chato, pesado, toma posições extremas e costumeiramente tenta manipular e persuadir o leitor. Comprei, obviamente, pela capa. Nela estão Débora Falabella e Adriana Esteves. Nina e Carminha. Não por ser apenas um fã da novela “Avenida Brasil”, mas sim por esta ser objeto de estudo futuro e por ser parte do meu “trabalho”. Enquanto a Veja estampa na capa as personagens, a Época vem com os juízes que vão trabalhar no julgamento do mensalão. E aí, começou a polêmica.

Época incorpora Veja. Pelo menos, somente na capa
A pergunta: como pode a Veja, na semana do julgamento do maior escândalo recente do Brasil, colocar na capa um tema tão “banal”? É uma contradição. A Veja que sempre que pode ataca o governo petista e seus aliados, tinha a oportunidade de explorar o assunto a fundo, com ataques e mais ataques, afinal o PT é o protagonista do escândalo. Na semana anterior a capa de Veja foi um dos personagens do caso, José Dirceu. Já em Época, os julgados estão enquadrados por uma estrela e num fundo vermelho – clara alusão ao símbolo do PT.

Revolucionários mostram suas armas: Photoshop.
Acoooooorda meu pooooovo!
Normalmente, deveria ser o contrário. A Época com “Avenida Brasil” (por ser da mesma organização – “máfia” para alguns revolucionários) e a Veja insistindo no julgamento do mensalão. Os papeis foram trocados e os reacionários já começaram a compartilhar fotomontagens nas redes sociais: “Veja manipula o Brasil” ou “Esse é o grupo que manipula nosso país”. Ora, como se SÓ a Veja fosse a ÚNICA revista deste Brasil varonil. Ou pior: se a Veja insistisse no mensalão, seria tachada (como sempre) de “ultra-direitista”, “quer derrubar o governo” e por aí vai. Mais contraditório, impossível.

Época insiste no mensalão. E faz capas
incríveis.
A Época, de importância igual, é como se não existisse. E esta, mesmo insistindo no assunto (mensalão), consegue ser menos imparcial que a Veja. Não acredito em “teorias da conspiração” que envolvem as duas revistas/editoras/organizações. Acredito sim em linhas editoriais, que todos meios de comunicação e imprensa tem. É simples: não gostou, não leia. E não saia divulgando fotomontagens com capas se você nem sequer leu o índice da revista.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Avenida Brasil e a crise dos 40... Quer dizer, dos 100

Carminha LIKE A Camila. Música: Love by Grace.

É sabido que a atual novela das 9 chegou ao 100º capítulo cercado de expectativa. Foi a descoberta de Carminha da farsa criada por Nina/Rita. Nos capítulos seguintes, Carminha vingou-se, enterrou a enteada viva, em dois dias. Nina volta dos mortos e aplica uma nova vingança. Longa. Uma semana de escravidão. A patroa vira empregadinha. A empregadinha começa a fazer justiça. Detalhe: muita coragem do autor em modificar o visual de uma personagem. Numa novela, assim como em um gibi, é um risco mudar a personagem de tal maneira. Voltando: a família Tufão fica sem saber de nada, por uma semana. Longa. E aí... A novela volta ao que era antes.

Explico: depois da comoção causada pelo capítulo 100, “Avenida Brasil” ganhou mais ares de seriado ainda. Uma semana final de novela antecipada. Essa agitação estendeu-se até o capítulo 108. Os outros núcleos tornaram-se adereços. Com a volta da família (que estava viajando), o teatro armado por Nina começa a tomar um rumo normal. A situação volta ao que era antes, mas com papeis invertidos, ao menos no “teatro” Carminha e Nina. Jorginho volta a ser o imbecil que foi toda a novela, questionando as atitudes de Nina. Esta última volta a dizer o que disse sempre ao amor de infância: “é tudo por justiça e um dia você vai entender, é para o bem de todos”. Chato, chato, chato.

Nina e Carminha: almas gêmeas
Para alguns, a novela perdeu fôlego. A vingança chantageadora de Nina em Carminha quebrou o ritmo alucinante que a novela tinha. Eu, particularmente, achei válido. Não foi apenas uma vingança e sim uma “preparação”. Uma nova fase da novela. Não poderia ser tão rápido como a maioria queria. O frisson causado pelo capítulo 100 (e os seguintes) foi suficiente para elevar o grau de ansiedade do público, gerando esse incômodo com vingança de Nina.

Vingança suficiente para grande parte do público rejeitar Nina e ficar com dó de Carminha – o que é um absurdo. Fazer o que ela faz com Tufão e cia é nojento, além de destruir a infância de Rita/Nina. Mas, tem quem goste. Até o fim de “Avenida Brasil”, penicos vão voar.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

É culpa da Rita


Como não poderia deixar de ser... Sim, o primeiro assunto a ser falado aqui é sobre essa novela infame. “Avenida Brasil” tem causado discussões intermináveis nas redes sociais – assim como aconteceu quando o Corinthians estava na Libertadores. De um lado, os que defendem a vingadora e supostamente justiceira Nina/Rita. Do outro, os que apoiam e sentem dó daquela que é considerada “o baluarte da moral divinense”, Carminha. As duas personagens movimentam a trama da novela de forma que os outros núcleos pareçam meros adereços. Os embates recentes entre as duas mostram que a novela ainda tem o poder de ser destaque nos vários meios de comunicação, ainda que a audiência não seja a mesma de 5, 10 anos atrás. Os hábitos mudaram, mas falar sobre o assunto continua sendo tão mais interessante quanto antes.

As atrizes Débora Falabella e Adriana Esteves tem demostrado total entrega às personagens. O ódio exala em cada uma. Mas o desejo do telespectador é ver o circo pegar fogo, coisa que diminuiu de ritmo nos últimos capítulos. Depois da cena em que Carminha enterra Nina – que, sem dúvida, está no mural das grandes cenas da teledramaturgia nacional – a novela passou a ter um ritmo de seriado. Apenas os confrontos entre as duas é(ra) o que interessa(va). Nina saiu da cova tal como Beatrix Kiddo (ou” A Noiva” de Kill Bill) e partiu para dar o troco. Antes que os “cinéfilos-cults-apaixonados-pela-sétima-arte” que não admitem isso, lembrem-se que o próprio Quentin Tarantino é cheio de referências. Por que uma novela não pode? Ah sim, a novela é do “povo”, por isso é um “sub-produto”. Enfim, isso é assunto para outro dia. Voltando à vingança, Nina passou a semana passada praticamente inteira fazendo Carminha de escrava. Os papeis se invertem, a patroa vira empregada e vice-versa. Na base da chantagem, Nina toma as rédeas e causa um efeito contraditório: as pessoas estão com pena da Carminha! Eu, que acompanho a novela desde o início, não consigo entender, apesar de Carmem Lúcia ser uma das vilãs mais carismáticas.

A pergunta que fica é: qual o motivo dessa novela ser tão discutida? Alguns podem até dizer que é superestimada. E, sinceramente, tem um pouco de razão sim. Vamos aos motivos dessa superstimação:

- Novela, folhetim: “Avenida Brasil” é, primeiramente, uma novela, derivada do folhetim e, portanto, segue essa característica à risca: vilã x mocinha e outros núcleos para adensar a trama, ainda que a mocinha não seja tão mocinha e a vilã idem.

- Tema: é uma trama de vingança. E quantas outras tantas novelas e livros já não trataram do tema: “Insensato Coração” com Norma (Glória Pires), “Chocolate com Pimenta” com Ana Francisca Mariana Ximenes, o seriado “Revenge” e até o clássico “O Conde de Monte Cristo”. Portanto, não é um tema diferente e muito menos mal explorado.

- Tem apelo popular: apesar de discordar veentemente do clichê “nova classe C”, que tem em praticamente todas as novelas, “Avenida Brasil” tem tipos populares que estão no imaginário das pessoas. Tem a piriguete (Suellen), o malandro (Leleco), o ex-jogador de futebol carismático (Tufão)... Sem falar nas empregadas Zezé e Janaína, engraçadíssimas e peças que movimentam de forma direta a trama Nina x Carminha.

- Trilha sonora mais popular ainda: de gosto duvidoso, sim, com alguns rompantes de qualidade. Mas é disso que a massa gosta!

- Elenco de primeira linha: a novela reúne estrelas do primeiro time da emissora, em papeis de vários níveis. Chama a atenção ea entrega da grande maioria do elenco, que mistura veteranos e jovens talentos.

Todos esses movitos já foram vistos em outras novelas, isso é um fato. O que faz então, de “Avenida Brasil”, um sucesso de crítica? Eis os motivos:

- Produção caprichada: nunca antes se viu, em uma novela das 9, uma fotografia e direção de arte de tamanha importância e qualidade. Com referências claras do cinema e seriados americanos, a fotografia ajuda a contar a história de maneira sem igual. É tudo muito bem cuidado, muito bem feito. Repare que na grande maioria das cenas os personagens centrais tem uma luz chiaroscuro. Explico: a técnica italiana renascentista aparece no rosto dos personagens mais densos, com metade clara e metade escura. Uma evidência de que todos os personagens – assim como a vida real – têm nuances de bondade e maldade. Junto a isso, tem a direção de Ricardo Waddington e Amora Mautner. Ótimos.

- Roteiro: João Emanuel Carneiro é, sem dúvida, o grande autor da nova geração. Roteirista de “Central do Brasil” e autor de “A Favorita” (2008), o escritor não precisava mais mostrar a que veio. Mas mostrou. “Avenida Brasil” é escrita de forma brilhante, diálogos costurados, inteligentes. É aí que reside a força da história de vingança já mostrada várias vezes, mas contada e dialogada de outra maneira.

- Força das redes sociais: o público da novela é majoritamente jovem, pois a trama é pesada. Os bordões (como o do título do post) e a "Nina em todos os lugares" viraram páginas no Facebook. Montagens e mais montagens são “tudo culpa da Rita”. Nunca antes foi vista uma mobilização em torno de um capítulo de número 100 de uma novela. A hashtag (só um exemplo) #OiOiOi100 foi tranding topic mundial no twitter – assim como o 101, 102, 103... Os avatares e planos de fundo dos usuários foram “congelados”, tal qual o final dos capítulos.

- Abrangência de público: a novela resgatou um público importante, mas preconceituoso até então. Os homens acompanham a novela tão quanto acompanham seriados (o que não consigo entender a diferença). Um público que talvez tenha percebido só agora que novela não é só “coisa de mulher e viado”. Mas isso é tema para outro dia.

- Concorrência fraca: as outras emissoras não tem o que mostar no horário. SBT e Record comem poeira.

“Avenida Brasil” pode até superar, por pouco, a antecessora (fraquíssima) “Fina Estampa” (do chato Aguinaldo Silva). Mas que é uma nova forma de fazer novela, ah, isso não tem dúvidas.


Do blog

Uns vão pensar que é um blog de humor, outros vão pensar “que merda é essa?” e outros não vão pensar nada. O PENICO ESTÁ VOANDO é o nome deste que se propõe a levantar discussões, causar polêmicas, reflexões ou simplesmente nada!  O que vier à telha sobre os mais variados assuntos, mas principalmente sobre televisão. Afinal, a maioria já sabe (ou deveria saber) que é a minha área, a minha paixão. Eventualmente o futebol estará em pauta, claro, afinal o que seria do mundo sem esse esporte? Para alguns, o mundo nem exisitiria. O fanatismo é permitido. Também serão encontrados aqui ruminações sobre política, economia e carnaval. Ah, o carnaval... Este que é o maior expoente da cultura brasileira mundo afora e que hoje, pelo menos em terras paulistas, está na merda. Bom, chega de falar – até porque (admito: tive que consultar um manual de redação, pois até hoje não sei usar os “porques”. Espero que esteja certo) esse blog vai falar de um monte de coisas. Basta.

O nome foi escolhido de modo curioso. Queria um nome que chamasse a atenção, sair do clichê. Acho que consegui. Sabe quando você (àqueles que são cristãos ou ao menos tentam ser) abre a Bíblia numa página para ter uma palavra de conforto? Ou então aquele livrinho “Minutos de Sabedoria” que “coincidentemente” cai uma mensagem justamente para aquele momento? Foi isso que aconteceu com O PENICO ESTÁ VOANDO. A minha “bíblia” dessa vez era “O Livro do Boni”, sim, aquele Boni da Globo. Para os profissionais da área, livro essencial. Para quem gosta dos bastidores da tv, idem. Abri na página 233 e o título me saltou aos olhos. Essa parte do livro fala sobre a conquista de audiência da recém-inaugurada TV Globo e o penico foi um dos símbolos da emissora em São Paulo, era um objeto que tinha um valor simbólico depois de um incêndio, enfim... Compre o livro e leia! No meio disso tudo, a Globo começava a ganhar em audiência, ser líder e adotou a nomenclatura “Rede Globo”. Pode soar pretensioso. E não é que é verdade?

Como li por aí, muitas das coisas que foram ditas são ironias, que fique bem claro.

E cuidado, pois O PENICO ESTÁ VOANDO!