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terça-feira, 16 de outubro de 2012

Os sambas da terra da garoa - parte 3


- Império: Poderia ser suspeito para falar, afinal é minha escola. Mas, não é um samba que me agrada. Não que o samba seja ruim, ao contrário. Um dos melhores do ano, até. O problema é que o samba parece que não foi feito para o Império. Pode ser para outra escola, mas não aqui. Diferente de outros sambas, este acaba caindo nos mesmos maneirismos do samba de São Paulo. Não é surpreendente, mas não é marcante quanto os de 2005 e 2007. Temo, pois a perda da identidade em uma escola de samba é grave pode custar caro. O samba tem bons momentos, como o refrão do meio. Esse refrão que jamais ouviria na Casa Verde, com “pegada afro”. Nem quando a escola falou do tema em 2003 houve uma referência tão explícita. Eu, particularmente, não gosto e, ainda mais nesse enredo, me parece desnecessária essa citação. O samba mexeu com os brios da comunidade com os versos finais (A minha voz, ninguém vai calar / Imperiano eu sou / Não desisto de lutar), numa tentativa forçada de “levantar” a escola. O refrão principal é um festival de clichês, com um número sem fim de adjetivos e qualidades (amor, paixão, guerreiro, raça, emoção, nação). No mais, o samba, além do festival de clichês, é um samba fiel ao enredo e finaliza com uma “mensagem “ de força, garra, união e luta à escola, caindo no refrão principal, com intermináveis elogios, com muita raça, amor e paixão. Não convence.

- Mocidade: Fazia tempo que não via um samba tão fácil de "pegar". É fácil, bom de ouvir e de cantar. A parceria foi bi-campeã e o samba continua bom. E é também da parceria o samba do Império citado acima. Claro que inferior ao maravilhoso samba de 2012 (Ojuobá), mas o enredo da Morada para 2013 é lúdico e o samba acaba sendo “mais um”. O enredo é confuso, mas a letra do samba deixa claro com perguntas (E se o vilão é o herói, afinal? / E se o sonho se torna real?) ou com os versos iniciais. O refrão do meio é o destaque do samba. Já o refrão principal tem uma “aura” do de 2012 (2012: Tenho sangue guerreiro, sou Mocidade, e 2013: Com muito orgulho, sou Mocidade) e não seduz. A escola alterou o verso “Morada, é a paixão que nos conduz” por “O samba é a paixão que nos conduz”. O enredo me parece uma indireta às outras escolas e a alteração só fez completar essa suspeita. A citação no samba à escola está lá, os elogios e qualidades também (paixão, força, união, garra e emoção) e deságua num refrão igualmente “orgulhoso”. Elogios são bem vindos, mas uma hora cansa.

- Nenê: a Águia Guerreira da Zona Leste vem com um samba grandioso. Porém, não belo. É extenso, burocrático e não combina com a voz do intérprete Celsinho. O enredo tinha tudo para gerar bons sambas, o que não aconteceu – uma constante este ano. Os versos são bonitos, especialmente na segunda parte, o destaque do samba. O refrão do meio seria ótimo se não finalizasse de maneira tão óbvia e sem contexto. O início do samba é por vezes triste, mas nada que algumas mudanças na letra e melodia possam melhorar. É a volta da Nenê ao grupo especial e que permaneça lá, com samba bom ou ruim.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Os enredos do carnaval 2013 (parte 4)

De olho no carnaval 2013: vai precisar de muitos olhos
Finalizando a série de enredos do carnaval de São Paulo, as 3 restantes, o G3: Vai-Vai, Rosas de Ouro e Mocidade Alegre. Da 3º à campeã de 2012:










Vai-Vai: a Bela Vista traz o enredo “Sangue da terra, videira da vida: um brinde de amor em plena avenida – Vinhos do Brasil”. Tema batido, pois a rival Camisa Verde e Branco trouxe o vinho na avenida em 2006. Apesar disso, é um enredo bom, histórico. Mas ainda assim, acho estranho o título dizer "Vinhos do Brasil" sendo que não é um enredo essencialmente "brasileiro". O carnavalesco carioca Cahê Rodrigues é a novidade da escola. As eliminatórias já começaram e pelo menos quatro sambas podem representar bem a alvinegra na avenida. 







Rosas de Ouro: vice-campeã, a Roseira vem com “Os condutores da alegria numa fantástica viagem aos Reinos da Folia” e vai mostrar as festas e tradições espalhadas nos quatro cantos do mundo. Enredo previsível visualmente, afinal várias partes desse enredo já foram vistas em várias escolas e alas. Conta a favor o minucioso e luxuoso trabalho do carnavalesco Jorge Freitas, que tem um enredo igualmente rico. De samba, a escola vem, novamente, com um samba mediano. Nenhum samba da s eliminatórias me parece grandioso, apenas fiel ao enredo. Lembrando que isso não é exclusividade dessa escola e sim do carnaval paulistano. Sambas quadrados, extremamente fieis ao enredo e sem brilho ou riqueza poética.




Mocidade Alegre: a campeã de 2012 volta à linha de enredos que a consagraram. Enredo lúdico, “A sedução me fez provar, me entregar à tentação... Do final original, qual será o final?”, propõe “novos finais” para várias histórias, infantis ou não. A pergunta “e se?” é constante. Me parece uma indireta bem clara aos acontecimentos na apuração, de escolas que – supostamente – queriam mudar resultados. E “se o final fosse diferente?”: essa é a pergunta que a Morada quer saber. Um tanto irônico. As eliminatórias já começaram e nenhum samba tem o brilho que tinha o desse ano (“O rufar do tambor / Vai ecoar!”: refrão inesquecível). A proposta do enredo é um tanto confusa. Ouvindo os sambas das eliminatórias ou lendo a sinopse, parece que falta algo. Só no dia do desfile, com o visual completo, as respostas para as perguntas serão descobertas. Mas a escola é competente e, se tudo der certo, o enredo tem tudo para ser um dos mais legais do ano.

O Carnaval de 2013 será marcado pelo ressurgimento de algumas escolas (assim espero) e tem a difícil missão de apagar os erros de 2012. A confusão na apuração ainda está na memória das pessoas e alguns sentimentos de "vingança" ou de "temos que dar o troco" pairam no ar. Quem perde, fala que é injustiça. Quem ganha, se isenta de quaisquer acusações. 

Por um carnaval sem sujeira, sem maracutaias de qualquer tipo e sem rasgação de notas.