Mostrando postagens com marcador publicidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador publicidade. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Os sambas da terra da garoa - parte 2


Mais quatro sambas paulistanos:

- Tucuruvi: Outra parceria bi-campeã, o samba da Tucuruvi era o melhor da final. De enredo fácil, a escola não teve grandes problemas com os sambas. É um samba correto, exceto (no bom sentido) pelo refrão de meio, que é o mais divertido do carnaval, com direito a risadas. Pode ser um risco, mas eles são necessários para manter a qualidade do samba paulista, que anda fraco (aliás, mal acostumado, acomodado) em termos de samba. A segunda estrofe é destaque, com uma linda homenagem dupla: ao tema do enredo, Mazzaropi e Dona Edna, a primeira dama da escola que faleceu em maio deste ano.

- Rosas de Ouro: Se tivesse uma palavra para descrever o samba da roseira é sono. Apesar dos versos lindos, amorosos, feitos para virar frase-clichê, a melodia é sonolenta. Um risco, desta vez perigoso, já que a escola será a segunda a pisar na avenida. Ao invés de incendiar, vai minar na avenida, a não ser que Darlan e o time de canto façam algum milagre. Salva o samba o refrão principal, alegre, a cara de sambas mais antigos da Rosas. Destoa do restante. O refrão do meio é incrivelmente lento, praticamente uma canção de ninar. Alguns versos parecem confusos, como “Uma dança enfeitiça o olhar / E o toque do tambor os corações!”. A comunidade abraçou o samba (provavelmente pelas frases “lindinhas”) e a final tinha outro samba melhor, da parceria campeã em 2012. Era um samba com “pegada”, correto, mas a Rosas novamente opta por essa linha de samba, que perdura desde 2009. Uma pena para uma escola que já levou sambas memoráveis para a avenida. A festa, que me perdoem os torcedores, pode não rolar.

- Gaviões da Fiel: É impressionante o que acontece na alvi-negra do Bom Retiro. Desde que voltou ao grupo especial em 2008, os Gaviões parecem perdidos, sem rumo. Nenhum samba até agora tem a cara da escola, nem mesmo o do centenário corintiano. O enredo sobre a publicidade brasileira me pareceu interessante, mas quando chegaram os sambas de enredo concorrentes... Nem mesmo o poeta Grego, de sambas históricos, conseguiu salvar a leva de sambas. Ernesto Teixeira volta a ganhar um samba na própria escola e ele é pé quente: nos anos que ganhou samba, a Gaviões levou o título em três oportunidades (1999, 2002 e 2005). Já o samba, veja bem... Samba extenso, pouco visto na alvi-negra, é como se fosse um samba de outra escola que os Gaviões pegaram. Apesar disso, é correto. Os refrões são medianos, sem emoção. A segunda parte é interessante, com uma melodia melhor construída. A primeira estrofe faz uma ode ao Corinthians, assim como o verso do refrão (Um bando de loucos, amor de verdade). Mas nem isso deixa o samba com a “cara” já conhecida dos Gaviões.

- Vila Maria: Mais um daqueles sambas mais-do-mesmo, com refrões genéricos. É covardia comparar com o samba de 2008 quando homenageou a comunidade japonesa. Tudo bem, são duas nações diferentes, mas a comparação é inevitável de ser feita pela proximidade visual dos enredos. Os versos “Recomeçar, lutar sem desistir / Tá no sangue feroz dessa gente / Trilhar um caminho, buscando a vitória” tem duplo sentido, também relacionado à escola. A segunda parte, como na maioria dos sambas, parece melhor feita. Sinto falta de expressões sul-coreanas (conta apenas com uma no refrão de meio).


segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Os enredos do Carnaval 2013 (parte 2)


Continuando a série, mais quatro escolas do grupo especial de São Paulo:




- X-9 Paulistana: não consigo entender o que acontece na escola da Parada Inglesa. Depois de anos sendo uma das maiores escolas de São Paulo, hoje é uma escola que luta para não cair. Depois do desastrado enredo de 2012 sobre o Modernismo e o Rally dos Sertões (?), a escola traz um enredo batido, clichê, chato. “Se pra ter diversidade basta viver com alegria: sorria, pois São Paulo hoje é só harmonia!” (rimas intermináveis de novo) é o enredo, tema parecido com o da Mocidade Alegre em 2008. Os grupos e tribos de São Paulo serão mostrados, novamente, de novo. Outro enredo “mais clichê, impossível”. Os sambas também. Não vejo nenhum grande samba. A sorte da escola é que lá tem Royce do Cavaco, o maior intérprete de São Paulo. P.S.: Não resisto a fazer esse comentário. Se logomarca ganhasse carnaval, a escola já estaria no acesso. É impressionante a falta de cuidado com a marca que será estampada em revistas, camisas e outros produtos. Não há identidade nenhuma, nada de nada.

- Gaviões da Fiel: depois da homenagem ao corintiano ex-presidente Lula, com uma 9ª colocação injusta, a Fiel vem com “Ser Fiel é a Alma do Negócio”. Um dos melhores enredos do ano, vai contar a história da publicidade no Brasil. É um enredo original, criativo, e que pode (a sinopse ainda não foi divulgada para o público) homenagear um corintiano ilustre: o publicitário Washington Olivetto. Espero que a escola volte a dar show, que parece que foi esquecido depois da queda em 2006. Espero também que o preconceito contra a escola caia. É difícil para alguns entender que uma escola é feita de tradições e se a dos Gaviões é ter o Corinthians na alma, que seja. Foi assim que ela chegou no especial, foi assim que ganhou quatro títulos. Credito a isso a queda de proução depois de 2008. A escola quis mostrar uma imagem que não é a dela, mas que, ainda bem, está voltando.


- Tom  Maior: quando o enredo foi divulgado, já rebaixaram a escola. Que, desculpem os torcedores, já era para ter sido rebaixada, com um carnaval horrível mostrado em 2012. Mais um dos absurdos desse carnaval “histórico”. Mas a escola, incrivelmente, alcançou um 8º lugar, à frente de várias escolas que foram melhores. Mas, voltando ao assunto, o enredo anunciado logo depois do carnaval, foi rebaixado. A marca de camisinhas Pudence patrocina a escola e o enredo era “a história da camisinha”. As pessoas – eu inclusive – não conseguia imaginar visualmente esse desfile. Mas o carnavalesco Marco Aurélio Ruffin – que só sabe trabalhar com poucos recursos – traz um enredo que calou a boca de muita gente. “Parque dos Desejos – o seu passaporte para o prazer!” é um dos mais divertidos do ano. Não será simplesmente “a história da camisinha” e sim o prazer de uma maneira geral, desde o tempo das cavernas. Divertido, engraçado e inesperado.


- Dragões da Real: uma das surpresas em 2012, a escola vem com um enredo que talvez seja o mais clichê do ano. “Dragão, guardião real, mostra o seu poder e soberania na corte do carnaval” (rimas, rimas e rimas) é o enredo. Contará as mais diversas histórias onde o dragão, símbolo da escola (ah vá!) está presente. Na mitologia, na religião, nas tradições. Mais previsível impossível. Mas é um bom enredo para garantir a permanência no especial e, quem sabe, até mesmo uma vaga no desfile das campeãs. O samba já foi escolhido e é fiel ao enredo, sem grandes emoções ou brilhantismos em letra e melodia.