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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Na levada do canto da Sereia


Depois de fechar 2012 com um dos melhores produtos daquele ano (“Doce de Mãe, com Fernanda Montenegro), a Globo abre 2013 com uma produção igualmente caprichada. “O Canto da Sereia” e Ísis Valverde deixarão as noites de terça mais contagiantes – e mais emocionantes.


Ísis canta as músicas, não é dublada. Só por isso já é possível ver a entrega ao papel de Sereia, uma estrela do axé que está no auge, mas é assassinada no trio elétrico, em pleno carnaval de Salvador. Os suspeitos são muitos – aliás, quase todos da microsserie – o que realça ainda mais o viés policial da historia. Ísis Valverde, com Sereia, se consagra como uma das melhores atrizes de sua geração. 

O elenco conta com vários ex-“Avenida Brasil” (além dos diretores Ricardo Waddington e José Luiz Villmarim): Marcos Caruso (governador Juracy), Fabiula Nascimento (Mãe Marina de Oxum), Camila Morgado (a empresária Mara - finalmente a atriz volta a um papel à sua altura) e claro, a “Sereia” Ísis. O elenco conta ainda com Marcos Palmeira (Augustão), Gabriel Braga Nunes (Paulinho de Jesus, ex de Sereia), Marcelo Médici (mo marqueteiro Tuta), Zezé Motta (Tia Celeste), entre outros.

 






Sereia foi assassinada já neste primeiro episódio. Uma ótima estreia, com as características dos diretores – fotografia já vista em “Avenida Brasil”, como câmera na mão, closes dos personagens (a cena da morte de Sereia me fez lembrar quando Nina acorda depois de ser enterrada viva) – e trilha sonora nostálgica: “Vamos abrir a roda, enlarguecer” é um verso da música "A Roda", de Sarajane, lá para as bandas da década de 1980 quando o axé nem sequer existia do jeito que é hoje. E, quem sabe, pode ser o novo-velho hit do carnaval desse ano.

A microsserie é baseada no romance de Nelson Motta – autor e compositor de várias obras de sucesso – e é adaptado por George Moura, Patrícia Andrade e Sérgio Goldenberg. E, pasmem, tem supervisão de texto de Gloria Perez. Sim, aquela de “Salve Jorge”. Às vezes acho que supervisão de texto é algo só para dar uma “grife” ao produto de roteiristas estreantes (menos George, que já assinou alguns filmes e obras na Globo). Não há nada de Gloria Perez no texto, ainda bem.

“O Canto da Sereia” vem, literalmente, no ritmo do axé: contagiante e empolgante. Ísis Valverde canta como qualquer estrela do axé e fica a pergunta – batida, mas infalível: quem matou Sereia?

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

"Doce de Mãe", simples e brilhante


E é necessário esperar 362 dias para assistir a um dos melhores produtos exibidos na tv em 2012: o telefilme – coisa rara e necessária na tv brasileira – “Doce de Mãe” fecha o ano com chave de ouro.

O estilo de Jorge Furtado, o diretor, está lá: narrações em off, câmeras com tomadas tradicionais, texto às vezes autoexplicativo demais e, claro, alguma cidade do sul do país – Furtado é gaúcho e é dono da Casa de Cinema Porto Alegre, que produz o filme. Mas há ali algo de diferente. Furtado jamais tivera trabalhado com Fernanda Montenegro. E aí que o bicho pega.

Uma senhora de 85 anos demite a empregada e decide viver sozinha, para desespero – e disputa – dos quatro filhos. Um joga para o outro e, no meio disso tudo, Picucha – o doce de mãe – se envolve em várias confusões. É uma deliciosa comédia e Fernandona brilha de tal maneira que é impossível não se render a essa doce mãe. É como se fosse uma mãe nossa, uma avó nossa. Os personagens são muito próximos da nossa realidade, o que contribui para a identificação do espectador.


Fernanda deita e rola no telefilme. A ação é toda concentrada nela e o gás de Picucha parece interminável. Os filhos, formado por um elenco tão estelar quanto Fernanda – Marco Ricca, Louise Cardoso, Matheus Nachtergaele, Mariana Lima, além da participação de Daniel de Oliveira – fazem do telefilme algo totalmente aberto para desenvolver-se na TV. Como já disse Jorge Furtado, o telefilme pode virar serie, só depende da disponibilidade do elenco – leia-se de Fernanda.

Acho essa possibilidade difícil. O elenco é estelar demais para reunir-se novamente e por um período mais longo. Não sei se isso é ruim. “Doce de Mãe”, em minha opinião, é daqueles produtos únicos, que se continuar, pode estragar. É pra ficar na memória, ser visto e revisto. A genialidade de Fernanda, juntamente com o elenco são sufucientes para deixar marcas em quem assistiu. Além disso, não acho Jorge Furtado um bom diretor para tv, apesar de alguns trabalhos. Na verdade, nem de cinema (apesar dos sucessos “Meu Tio Matou um Cara” , “O Homem que Copiava” e o clássico “Ilha das Flores”), mas aí já é uma opinião minha.

De todas as qualidades do telefilme, jamais imaginei rir com Fernanda. Um preconceito bobo, mas totalmente esvaziado quando, ao ver um lance de um jogo de futebol, Picucha manda um “VAI PRA CASA DO CACETA!”. Mas Fernanda e o elenco garantem a emoção ao cantar “Juízo Final” em uma das cenas. Só assistindo para entender.

Essa é a “Doce de Mãe”. Essa é Fernanda Montegero.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

É culpa da Rita


Como não poderia deixar de ser... Sim, o primeiro assunto a ser falado aqui é sobre essa novela infame. “Avenida Brasil” tem causado discussões intermináveis nas redes sociais – assim como aconteceu quando o Corinthians estava na Libertadores. De um lado, os que defendem a vingadora e supostamente justiceira Nina/Rita. Do outro, os que apoiam e sentem dó daquela que é considerada “o baluarte da moral divinense”, Carminha. As duas personagens movimentam a trama da novela de forma que os outros núcleos pareçam meros adereços. Os embates recentes entre as duas mostram que a novela ainda tem o poder de ser destaque nos vários meios de comunicação, ainda que a audiência não seja a mesma de 5, 10 anos atrás. Os hábitos mudaram, mas falar sobre o assunto continua sendo tão mais interessante quanto antes.

As atrizes Débora Falabella e Adriana Esteves tem demostrado total entrega às personagens. O ódio exala em cada uma. Mas o desejo do telespectador é ver o circo pegar fogo, coisa que diminuiu de ritmo nos últimos capítulos. Depois da cena em que Carminha enterra Nina – que, sem dúvida, está no mural das grandes cenas da teledramaturgia nacional – a novela passou a ter um ritmo de seriado. Apenas os confrontos entre as duas é(ra) o que interessa(va). Nina saiu da cova tal como Beatrix Kiddo (ou” A Noiva” de Kill Bill) e partiu para dar o troco. Antes que os “cinéfilos-cults-apaixonados-pela-sétima-arte” que não admitem isso, lembrem-se que o próprio Quentin Tarantino é cheio de referências. Por que uma novela não pode? Ah sim, a novela é do “povo”, por isso é um “sub-produto”. Enfim, isso é assunto para outro dia. Voltando à vingança, Nina passou a semana passada praticamente inteira fazendo Carminha de escrava. Os papeis se invertem, a patroa vira empregada e vice-versa. Na base da chantagem, Nina toma as rédeas e causa um efeito contraditório: as pessoas estão com pena da Carminha! Eu, que acompanho a novela desde o início, não consigo entender, apesar de Carmem Lúcia ser uma das vilãs mais carismáticas.

A pergunta que fica é: qual o motivo dessa novela ser tão discutida? Alguns podem até dizer que é superestimada. E, sinceramente, tem um pouco de razão sim. Vamos aos motivos dessa superstimação:

- Novela, folhetim: “Avenida Brasil” é, primeiramente, uma novela, derivada do folhetim e, portanto, segue essa característica à risca: vilã x mocinha e outros núcleos para adensar a trama, ainda que a mocinha não seja tão mocinha e a vilã idem.

- Tema: é uma trama de vingança. E quantas outras tantas novelas e livros já não trataram do tema: “Insensato Coração” com Norma (Glória Pires), “Chocolate com Pimenta” com Ana Francisca Mariana Ximenes, o seriado “Revenge” e até o clássico “O Conde de Monte Cristo”. Portanto, não é um tema diferente e muito menos mal explorado.

- Tem apelo popular: apesar de discordar veentemente do clichê “nova classe C”, que tem em praticamente todas as novelas, “Avenida Brasil” tem tipos populares que estão no imaginário das pessoas. Tem a piriguete (Suellen), o malandro (Leleco), o ex-jogador de futebol carismático (Tufão)... Sem falar nas empregadas Zezé e Janaína, engraçadíssimas e peças que movimentam de forma direta a trama Nina x Carminha.

- Trilha sonora mais popular ainda: de gosto duvidoso, sim, com alguns rompantes de qualidade. Mas é disso que a massa gosta!

- Elenco de primeira linha: a novela reúne estrelas do primeiro time da emissora, em papeis de vários níveis. Chama a atenção ea entrega da grande maioria do elenco, que mistura veteranos e jovens talentos.

Todos esses movitos já foram vistos em outras novelas, isso é um fato. O que faz então, de “Avenida Brasil”, um sucesso de crítica? Eis os motivos:

- Produção caprichada: nunca antes se viu, em uma novela das 9, uma fotografia e direção de arte de tamanha importância e qualidade. Com referências claras do cinema e seriados americanos, a fotografia ajuda a contar a história de maneira sem igual. É tudo muito bem cuidado, muito bem feito. Repare que na grande maioria das cenas os personagens centrais tem uma luz chiaroscuro. Explico: a técnica italiana renascentista aparece no rosto dos personagens mais densos, com metade clara e metade escura. Uma evidência de que todos os personagens – assim como a vida real – têm nuances de bondade e maldade. Junto a isso, tem a direção de Ricardo Waddington e Amora Mautner. Ótimos.

- Roteiro: João Emanuel Carneiro é, sem dúvida, o grande autor da nova geração. Roteirista de “Central do Brasil” e autor de “A Favorita” (2008), o escritor não precisava mais mostrar a que veio. Mas mostrou. “Avenida Brasil” é escrita de forma brilhante, diálogos costurados, inteligentes. É aí que reside a força da história de vingança já mostrada várias vezes, mas contada e dialogada de outra maneira.

- Força das redes sociais: o público da novela é majoritamente jovem, pois a trama é pesada. Os bordões (como o do título do post) e a "Nina em todos os lugares" viraram páginas no Facebook. Montagens e mais montagens são “tudo culpa da Rita”. Nunca antes foi vista uma mobilização em torno de um capítulo de número 100 de uma novela. A hashtag (só um exemplo) #OiOiOi100 foi tranding topic mundial no twitter – assim como o 101, 102, 103... Os avatares e planos de fundo dos usuários foram “congelados”, tal qual o final dos capítulos.

- Abrangência de público: a novela resgatou um público importante, mas preconceituoso até então. Os homens acompanham a novela tão quanto acompanham seriados (o que não consigo entender a diferença). Um público que talvez tenha percebido só agora que novela não é só “coisa de mulher e viado”. Mas isso é tema para outro dia.

- Concorrência fraca: as outras emissoras não tem o que mostar no horário. SBT e Record comem poeira.

“Avenida Brasil” pode até superar, por pouco, a antecessora (fraquíssima) “Fina Estampa” (do chato Aguinaldo Silva). Mas que é uma nova forma de fazer novela, ah, isso não tem dúvidas.