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sexta-feira, 5 de abril de 2013

Feliciano, entrevistas e preconceito

Aproveitando-se do baixo nível “intelectual” para quem escolhe dar entrevistas, Marco Feliciano teve um maior espaço no programa “Agora é Tarde”, apresentado pelo humorista Danilo Gentili do que no “Pânico na TV” com Sabrina Sato.

Gentili, que disse ser ex-crente, não tratou Feliciano como um “senhor”, mas também teve momentos de extrema lucidez ao fazer perguntas que qualquer outro jornalista faria. O presidente da (agora importante) Comissão de Direitos Humanos e Minorias levou, aparentemente, numa boa as tiradas do apresentador. Mas ainda assim, apesar de algumas coisas ficarem bem esclarescidas, não concordo com sua postura e muito menos com sua permanência no cargo.

Deixando de lado as denúncias que podem envolver seu mandato – e consequente cassação – como deputado, a sua permanência na comissão (como representante de uma minoria) é prejudicial à democracia do país. Vejamos: é inadmissível um representante de uma minoria presidir este tipo de comissão. Assim como um homossexual, um índio, um espírita ou qualquer outra minoria. Apesar de o trabalho obrigatoriamente ser direcionado a todas, obviamente o parlamentar ali presidindo vai “puxar sardinha” para seu público, afinal foi através desses votantes que se chegou (indiretamente, mas chegou) ao cargo. Não vejo o (mal educado, desbocado) deputado Jean Wyllys advogando em causa dos evangélicos e deixando de lado suas convicções e lutas pelos direitos homossexuais. Assim como Feliciano não vai abrir mão de suas convicções religiosas para defender os gays e seus direitos.

Marco Feliciano defendeu seus ideais e propagou a imensidão de pessoas que concordam com ele, uma auto-propaganda. Disse coisas que são pertinentes: apesar de o brasileiro se dizer progressista, ainda é conservador. Explicou toda a situação que envolveu sua escolha e deixou claro que é um “tonto” nessa história. É errado culpá-lo por estar lá, já que não foi uma escolha pessoal. Foi imposta. E mais: por causa de acordos políticos ele está lá e o partido que o PSC apoiou nas eleições – o PT – hoje, dá as costas. Dilma pode, com isso, perder o apoio político de uma minoria que é cada vez mais grandiosa: o voto dos evangélicos.

Que fique claro: não concordo com sua permanência lá. Não concordo com suas convicções. Mas muito me espanta a maioria das pessoas criticarem um pastor evangélico por posições contrárias aos homossexuais, sendo que o novo papa argentino Francisco disse, quando ainda era cardeal: “O casamento gay é um movimento do diabo” e “Lutar contra o casamento gay é uma guerra de Deus” (IstoÉ, ed. 2261, p. 51). Uma igreja omissa, que não se atualiza, mas mantém uma máscara.  Pior ainda, não há nenhum tipo de manifestação no mesmo nível de impacto, agressividade e falta de educação com outras comissões sendo presididas por deputados corruptos. Não vi ninguém berrando, se beijando, se esguelando, subindo no balcão, atacando, com faixas e cartazes criticando essas afirmações da santidade máxima católica. É mais do que claro o preconceito contra evangélicos vindo de quem critica o preconceito destes contra gays, acusa de racismo, homofobia, etc. Complexo.

Aquela comissão de direitos humanos e minorias, que até pouco tempo atrás (quase) ninguém sabia que existia, hoje é o alvo de um bando de hipócritas, vindo de todos os lados, crenças e escolhas. A estrutura política precisa mudar urgentemente para que possamos viver num país democrático, em que todos tenham direitos e, acima de tudo, respeito.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Opnião: nenhum deles me representa



Enquanto o bicho pega em outras comissões, tão importantes quanto a de Direitos Humanos e Minorias – José Genoíno está prestes a assumir a comissão de Justiça – a comissão de Direitos Humanos continua com seus protestos sem fim, um pastor de declarações polêmicas, pautadas pela religião e uma legião de seguidores e uma outra legião sem fim de contrários à sua eleição para presidir a comissão.

Marco Feliciano divide as atenções com outros que estão à margem da presidência: o deputado Jean Wyllys, homossexual, o pastor Silas Malafaia e o ditador frustrado Jair Bolsonaro. Enquanto o primeiro luta – de forma questionável, assim como os outros – pelos direitos dos LGBT, Malafaia vem do outro lado gritando e Bolsonaro tira sarro, se diverte.

As acusações de racista e preconceitoso dirigidas à Marco Feliciano são válidas. É inadmissível que um parlamentar paute seus conceitos pela religião, afinal o Estado é laico. Como pastor evangélico, tem lá suas crenças – “se não der a senha do cartão, não vale!” – e as coloca acima de tudo. Mas ao assumir a comissão, Feliciano tem enfrentado vários protestos, de pessoas que acham que vão conseguir as coisas a grito. É de uma falta de educação sem fim, de ambos os lados. Talvez Feliciano renuncie. Mas de nada adianta entrar qualquer outro que seja de determinada minoria ou que tenha formação parlamentar pautada por crenças, opções, etc.

Por outro lado temos Jean Wyllys. Um cara que reclama tanto, faz um pandemônio junto com seus ativistas e é tão asqueroso quanto Feliciano. Como achar que a comunidade gay está sendo bem representada? Jean tem sua formação acadêmica, é estudado, etc. Mas o engajamento do deputado é vazio, pautado por uma disussão de “direitos” que todos devemos ter, mas baseada, às vezes, em privilégios.
 
Bolsonaro e Malafaia garantem algumas risadas – como não lembrar da inesquecível placa “queimar rosca todo dia”? de Bolsonaro? – afinal, estão aí para ver o circo pegar fogo. Malafaia grita, grita, grita e... Nada.

O grande problema de uma comissão de direitos humanos e minorias é que ela deve servir a várias dessas minorias, mas jamais presidida por um representante delas. Obviamente cada um vai “puxar sardinha” para o que lhe convém e isso vai contra qualquer tipo de democracia. É algo como “cada um por si e Deus por mim”.





Nem Feliciano, nem Jean, nem Malafaia e nem Bolsonaro. Eles não me representam.