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sexta-feira, 21 de junho de 2013

Não sabemos para onde estamos indo

Depois da esperança, a euforia e da incerteza, agora o medo toma conta das discussões sobre os atos realizados em todo o país.

"Não sabemos para onde estamos indo. Só sabemos que a história nos trouxe até este ponto e - se os leitores partilham da tese desse livro - por quê. Contudo, uma coisa é clara. Se a humanidade quer ter um futuro reconhecível, não pode ser pelo prolongamento do passado ou do presente. Se tentarmos construir o terceiro milênio nessa base, vamos fracassar. E o preço do fracasso, ou seja, a alternativa para uma mudança da sociedade, é a escuridão." (Eric Hobsbawm)

Ao ler cada vez mais depoimentos e textos (como este que mexeu com os brios de quem leu: https://medium.com/primavera-brasileira/dfa6bc73bd8a), as manifestações no país chegaram a um ponto que não se sabe o que está realmente acontecendo. A imprensa apoiando, casos estranhos de invasões, depredações, prédio da FIESP envolto na bandeira nacional, violência, mortes, enfim... São elementos que nos fazem remeter a outros golpes (não somente militar) que o Brasil sofreu. E de ficarmos atentos.


A discussão política esvaziou-se no momento em que não há uma pauta definida. O Movimento Passe Livre sempre defendeu a bandeira de que a luta era pela redução e extinção da tarifa de transporte público. O povo (a “massa”) foi aderindo, aderindo... Até que aqueles que repudiavam essa ideia (afinal a primeira manifestação reuniu duas mil pessoas) por ser apoiada por partidos de militância esquerda, hoje pedem para baixar bandeiras, etc. Pegam o bonde andando e ainda querem ter mais direitos do que quem realmente sempre lutou por isso. A ilustração acima resume tudo isso.

Veja bem: não critico a adesão de ninguém ao “movimento”. Rico, pobre, preto, branco, homem, mulher, gay, etc podem e devem envolver-se nesse tipo de questão. Mas é necessário um norte, uma direção para que não haja o esvaziamento ou ainda, o medo de algo pior. Movimentos radicais vêm se formado e isso é um perigo enorme. Os argumentos de “contra a corrupção”, “por mais saúde e educação” são válidos. Mas se dizer apartidário é, sim, uma bobagem. Como falaram aos montes, é suprapartidário. Dizer-se “apartidário” é oportunismo puro. Burrice. Daí aparece os pedidos imbecis de impeachment (se Dilma sai, Michel Temer assume. E aí?), fora “PT”, bandeiras queimadas, etc, sendo que o problema não foi resolvido desde muito tempo. Isso só confirma um fato: brasileiro tem memória curta. O historiador Eric Hobsbawm, no livro “Era dos Extremos”, já dizia que “a memória histórica já não estava viva”. É o que se aplica hoje ao acusar apenas uma pessoa ou um partido/movimento/direção política.

Ficou mais do que claro que as reformas polícias baseadas em transferência de renda chegaram a um esgotamento. De nada adianta agradar empresários e pobres, se quem está no meio é quem realmente sofre. Deu certo, é claro.  O país melhorou, pessoas saíram da miséria (mas ainda morrem de fome) e o mundo abriu os olhos pra cá. Não foi o suficiente. Existem coisas principais e mais graves, urgentes. O governo sentiu e já convocou reunião ministerial. Eles estão, sim, com medo. Todos. Direita, esquerda, verdes, todos.


Ainda acho e acredito que a única luta deveria ser pela educação. É utópico, mas é aí que está a raiz de todos os problemas. Essa é a minha luta e meu desejo de melhora. E o seu?

quarta-feira, 19 de junho de 2013

#vemprarua 2

Os protestos no país tem desencadeado uma onda de revolta – em quem está nas ruas e em quem está fora delas.

Vejo muitas pessoas, contrárias ou não à causa – se é que existe alguma definida – que condenam o fato de que muitas pessoas estão saindo às ruas e postando fotos, depoimentos e os (irritantes) check-ins no “feice”. Oportunistas sempre existirão. Seja para depredar, saquear ou só pra postar uma atualização de status #ogiganteacordou seguida de uma foto na Paulista.

Alguns outros coitados, que não conhecem história, mal sabem que aquela bandeira projetada no prédio da FIESP soa como uma afronta, das mais nojentas: a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo e seus empresários se deleitavam com as sessões de tortura no regime militar. Uma pena, pois a imagem é linda e não nego: tirei fotos.

Bonitinho, mas ordinário: prédio da FIESP envolto na
bandeira é o retrato da hipocrisia
O movimento se diz apartidário. Mas o que dizer dos gritos de impeachment para Dilma e Alckmin? A horda canda a plenos pulmões, mas será que sabem o quão importante significa isso? Será que realmente é caso de impeachment? A bem da verdade os dois não cometeram (ao que se sabe) nenhuma atrocidade a ponto de descambar essa revolta. Por outro lado, a insatisfação tem que ser jogada em alguém. Quem está acima paga o pato.

Com relação ao prefeito Fernando Haddad, a insatisfação é maior pois ele prometeu o “novo” muito recentemente. Milhões depositaram suas confianças transformadas em votos nele. Ao contrário de Lula que fez boas – mas não suficientes e nem importantes – mudanças no país. Quando saiu, o mensalão voltou à pauta e o resto todos nós sabemos. O grande problema do PT (seria um “novo” PT?) é a disparidade entre a esperança e confiança depositados e o saldo final. Não corresponde.

Se lermos um pouco de história, não adianta culpar os três representantes aí. A bomba estourou no momento mais oportuno: a chegada de grandes eventos esportivos no país. O todo-poderoso da FIFA, Joseph Blatter disse que o povo se esqueceria de tudo quando a bola rolasse. Isso antes, quando o futebol ainda era o ópio do povo e a seleção jogava bem.


Mas é impossível descrever a felicidade ao ver a Avenida Paulista, palco de festas em comemorações a títulos, ser tomada por algo muito mais importante que o futebol: o desejo de fazer um país melhor por meio da política e do povo.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Afinal, quem quer ser o presidente da república?

A disputa eleitoral para a presidência em 2014 ganha contornos cada vez mais indefinidos

Cada um se arma como pode e no meio de tudo isso a indefinição de vários nomes é pauta de todas as seções de política de sites, jornais e revistas. O tucano Aécio Neves, recém empossado presidente do PSDB, já aparece em propagandas “convocando” o povo brasileiro a fomentar “opiniões” e contribuir com o partido. Uma máscara para angariar eleitores. Afinal, é mais do que sabido que Aécio – o prodigioso ex-governador de Minas Gerais – será o candidato tucano à presidência. José Serra, aquele que perdeu inúmeras disputas, segue no limbo, sem definição alguma: Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, disse que Serrá “não ficará de fora da disputa em 2014”. Só não sabe se como presidente (o que é uma balela), senador ou na pior das hipóteses, uma derradeira cadeira na Câmara dos Deputados. Ou ainda, sair do partido que o alçou aos holofotes da política nacional e partir para algum dos inúmeros partidos criados recentemente.

A oposição, como podemos ver, é fraca, desunida (“deixa o Serra pra lá”) e confusa. Não há um programa que consiga fazer frente à ideologia situacionista. No PSDB, temos uma aliança prodigiosa: FHC e o senador Aloysio Nunes apoiam Aécio Neves, com Alckmin fazendo coro. Aqui, sim, uma união. Se colherá frutos, impossível dizer. O PSDB parte para o ataque com a mesma bandeira social que consagrou o PT quando este chegou ao poder. A entrevista de Aécio Neves à IstoÉ deixou claro que é a intenção tucana aproximar-se das camadas mais pobres da população e quer desmanchar a imagem de partido “elitista”.

Enquanto isso, a situação aparece tão desunida quanto a oposição. PT e PMDB, partido da presidente Dilma e do vice Michel Temer, cada vez mais batem de frente em várias disputas: a MP dos Portos é um exemplo recente. O PMDB, um partido que nada conforme a corrente, se mostra contrário à várias opções do PT de Dilma, causando um desgaste cada vez maior num ano que precede a disputa eleitoral. E a tendência é piorar.

Outro partido da base aliada, o PSB de Eduardo Campos já avisou: vai entrar na disputa presidencial. O governador de Pernambuco já avisou aos aliados: “o PT e o governo tentam evitar minha candidatura”. Dentro do partido, o nome de Campos não é unanimidade. Alguns governadores já declaram apoio à reeleição de Dilma.

Os três principais candidatos – ou supostos candidatos – já lançaram mão de ações na tv, com comerciais exaltando os feitos na gestão (Eduardo Campos), comemorando os dez anos do partido no poder (Dilma, com o apoio do inseparável Lula) e da “novidade” (Aécio como presidente do PSDB). Porém, o noticiário não deixa dúvidas: é a dança das cadeiras, em que todos podem cair no chão. 

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Não há mais dúvidas: Eduardo Campos é o novo candidato à presidência


O PSB de Eduardo Campos veiculou na noite ontem (25/04) uma propaganda de 10 minutos no horário nobre da TV, sem dizer que é o futuro candidato à presidência. Nem precisou. Foi dado o pontapé inicial para a corrida ao Palácio do Planalto.

A nova aposta para a eleição presidencial
Governador de Pernambuco, Campos tem sido o principal nome a fazer oposição a Dilma Rousseff para a disputa de 2014. Apesar de ainda não contar com apoio popular, o partido já mostra suas armas, elencando todas as qualidades do governo pernambucano – o mais bem avaliado do país – e das boas administrações do PSB em várias cidades do país.

Curioso notar que o PSB é da base governista, portanto, deveria apoiar a reeleição de Dilma. Mas estamos num país democrático e, claro, esse não é o tipo de amarra que prenda um partido. Esse fato apenas mostra o quanto a base está descontente com o governo irregular que vem fazendo o PT e o quanto a oposição está acomodada – para não dizer avacalhada.

Campos e Lula: bons tempos, idos tempos

O PSDB de dinossauros da política mantém-se no discurso, na falácia, e não se mexe. Faz uma oposição inexistente no país. Não há uma movimentação no campo das ideias que possam fazer o brasileiro médio pensar em outra opção. A disputa fica por conta de acusações – por vezes infundadas – para tentar derrubar o PT e outros. Ledo engano, senhores. Os dois partidos são farinha do mesmo saco, apenas alguns se salvam, incluindo FHC e Eduardo Suplicy.

Aécio Neves: "Ei, estou aqui, votem em mim!"
Enquanto os tucanos resolvem picuinhas envolvendo a permanência – já que foi sumariamente excluído da disputa presidencial – de José Serra no partido e quem deve apoiar o já outrora boa opção Aécio Neves, os outros partidos se organizam e se mexem, como o PSB de Eduardo Campos. Aparentemente bem organizado, mostra que é possível fazer frente ao PT sem descambar para o esdrúxulo, o pequeno, o irrisório.

Já me disse um professor: “a permanência de um mesmo governo por muitos anos é prejudicial à democracia do país”. O PT faz 12 anos no governo, envolto por grandes melhorias (“Nunca antes na história deste país...”) mas envolto por escândalos de corrupção e outras coisas mais. No Estado de São Paulo, o PSDB comanda há 18 anos, já sucateado. Talvez esteja na hora de mudar e Eduardo Campos para presidente se mostra uma boa opção. Vamos ver se o candidato tem fôlego para bater os 79% da aprovação pessoal de Dilma Rousseff. Ou então é bom dona Dilma se preparar:
 
Dilma com cara de "ih, f****!"

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Feliciano, entrevistas e preconceito

Aproveitando-se do baixo nível “intelectual” para quem escolhe dar entrevistas, Marco Feliciano teve um maior espaço no programa “Agora é Tarde”, apresentado pelo humorista Danilo Gentili do que no “Pânico na TV” com Sabrina Sato.

Gentili, que disse ser ex-crente, não tratou Feliciano como um “senhor”, mas também teve momentos de extrema lucidez ao fazer perguntas que qualquer outro jornalista faria. O presidente da (agora importante) Comissão de Direitos Humanos e Minorias levou, aparentemente, numa boa as tiradas do apresentador. Mas ainda assim, apesar de algumas coisas ficarem bem esclarescidas, não concordo com sua postura e muito menos com sua permanência no cargo.

Deixando de lado as denúncias que podem envolver seu mandato – e consequente cassação – como deputado, a sua permanência na comissão (como representante de uma minoria) é prejudicial à democracia do país. Vejamos: é inadmissível um representante de uma minoria presidir este tipo de comissão. Assim como um homossexual, um índio, um espírita ou qualquer outra minoria. Apesar de o trabalho obrigatoriamente ser direcionado a todas, obviamente o parlamentar ali presidindo vai “puxar sardinha” para seu público, afinal foi através desses votantes que se chegou (indiretamente, mas chegou) ao cargo. Não vejo o (mal educado, desbocado) deputado Jean Wyllys advogando em causa dos evangélicos e deixando de lado suas convicções e lutas pelos direitos homossexuais. Assim como Feliciano não vai abrir mão de suas convicções religiosas para defender os gays e seus direitos.

Marco Feliciano defendeu seus ideais e propagou a imensidão de pessoas que concordam com ele, uma auto-propaganda. Disse coisas que são pertinentes: apesar de o brasileiro se dizer progressista, ainda é conservador. Explicou toda a situação que envolveu sua escolha e deixou claro que é um “tonto” nessa história. É errado culpá-lo por estar lá, já que não foi uma escolha pessoal. Foi imposta. E mais: por causa de acordos políticos ele está lá e o partido que o PSC apoiou nas eleições – o PT – hoje, dá as costas. Dilma pode, com isso, perder o apoio político de uma minoria que é cada vez mais grandiosa: o voto dos evangélicos.

Que fique claro: não concordo com sua permanência lá. Não concordo com suas convicções. Mas muito me espanta a maioria das pessoas criticarem um pastor evangélico por posições contrárias aos homossexuais, sendo que o novo papa argentino Francisco disse, quando ainda era cardeal: “O casamento gay é um movimento do diabo” e “Lutar contra o casamento gay é uma guerra de Deus” (IstoÉ, ed. 2261, p. 51). Uma igreja omissa, que não se atualiza, mas mantém uma máscara.  Pior ainda, não há nenhum tipo de manifestação no mesmo nível de impacto, agressividade e falta de educação com outras comissões sendo presididas por deputados corruptos. Não vi ninguém berrando, se beijando, se esguelando, subindo no balcão, atacando, com faixas e cartazes criticando essas afirmações da santidade máxima católica. É mais do que claro o preconceito contra evangélicos vindo de quem critica o preconceito destes contra gays, acusa de racismo, homofobia, etc. Complexo.

Aquela comissão de direitos humanos e minorias, que até pouco tempo atrás (quase) ninguém sabia que existia, hoje é o alvo de um bando de hipócritas, vindo de todos os lados, crenças e escolhas. A estrutura política precisa mudar urgentemente para que possamos viver num país democrático, em que todos tenham direitos e, acima de tudo, respeito.

domingo, 9 de dezembro de 2012

"Esquenta!": caricatura de algo que não existe



O "Esquenta!" com a Regina Casé tem a capacidade de subestimar a "pobreza". O que se vê é algo que não existe. O visual beira o ridículo e Regina insiste na imagem "sou do povo". A ideia do programa é ótima, desde sempre. Mas como é mostrado, é um erro.

Tudo ali é uma caricatura, um carnaval mal feito numa festa pseudopobre. O que era pra ser uma festa no quintal ou um churrasco com muito samba, suor e cerveja se torna algo brega, ralo, feio.

Regina Casé e a caricatura de algo que não existe
Mas a capacidade de comunicação de Regina Casé é incrível. Ela dialoga com as massas como poucas, criando empatia ou repulsa. O jeito popular se mostra na entrega da apresentadora, mas há quem diga que é apenas uma atuação. Muito boa, diga-se de passagem.

O fio condutor do programa é o samba, claro. A ideia inicial, desde a primeira temporada era “esquentar” para o carnaval, mas agora se estendeu e ficará por sete meses no ar devido ao sucesso. Me soa como um “tapa buraco”, já que o programa do Didi saiu da programação e “Os Caras de Pau” está em vias de sair também. Pode ficar exaustivo e repetitivo, já que a proposta do programa é fixa, com um conceito imutável. 

Mas o “Esquenta!” não é só samba com Arlindo Cruz, Leandro Sapucahy, Mmumuzinho, Thiaguinho e Péricles. Os Paralamas do Sucesso marcaram presença na estreia e Regina fez merchandising social com deficientes físicos – aproveitando a presença do vocalista dos Paralamas, Herbert Vianna, paraplégico. 


De frente com a presidente: é tudo muito lindo no Brasil




O ponto alto da estreia foi dividido em “pílulas”: a entrevista com a presidente Dilma Rousseff foi mostrada aos poucos, relacionando depoimentos de Dilma com os assuntos que eram tratados no momento pelos cantores para depois exibir no último bloco a conclusão da entrevista. O palanque eleitoral, claro, é inevitável. Mas é uma boa estratégia para segurar a audiência.

O programa tem ritmo, tem unidade, pelo menos nessa estreia que intercalou as entrevistas de Dilma com as atrações do programa. Regina Casé, claro, manteve o estilo inconfundível de puxa-saco com todos os convidados. Afinal, "o que o mundo separa, o Esquenta junta!". 
 
Algo curioso nessa estreia: Regina Casé recebe flores do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso pela estreia do programa e solta um sonoro "Que chiqueee!". E antes Preta Gil cantou uma música de preconceitos... Enfim, só uma observação irônica.

Para um programa que se propõe sem preconceitos, acho que é preciso rever algumas coisas.