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segunda-feira, 24 de junho de 2013

Quem quiser, que saia! Bole-Bole vai virar Saramandaia!

Saramandaia estreia com manifestação e pedido de plebiscito. E não tinha nada combinado.

Algumas coincidências são intrigantes. No caso, assustadoras. O remake de Saramandaia estreou na tv Globo no momento em que o Brasil passa por um dos momentos mais turbulentos desde a chegada da democracia. O povo foi às ruas depois de anos de inércia. Em Saramandaia o povo – sobretudo os jovens, como hoje – foi às ruas pela mudança do nome da cidade Bole-Bole para Saramandaia. Munidos de celulares, tablets, Skype e até mesmo transmissões ao vivo. Sim, nos dois. A novela usa e abusa da tecnologia para integrar a população bolebolense. O limite entre realidade e ficção nunca foi tão posto à prova quanto neste capítulo de estreia.

A primeira versão foi ao ar em 1976. Dias Gomes, comunista, escreveu a novela em plena ditadura militar. Através de metáforas, incorporadas em personagens com características peculiares, driblou a censura. O discurso político era forte. Evidente que se não fosse essa onda de manifestações que se alastra pelo Brasil hoje, os fatos da novela passariam despercebidos. O autor do remake, Ricardo Linhares e toda a equipe devem estar soltando fogos.

Linhares escreve a novela “livremente inspirado” na obra anterior. Portanto, há a criação de novas tramas e personagens e a necessária adaptação para o momento político. Não faltaram referências ao mensalão, como quando Zico Rosado (o bastantemente corrupto vivido por José Mayer que bota formigas pelo nariz quando é contrariado) diz que deu “um dinheirinho” para os vereadores. Ele arremata: “não se pode confiar em político comprado. Palavra não vale mais nada!”. O traiçoento Zico vai além e critica: “Essa internet... Pena que não dá pra colocar uma mordaça nisso aí!”. Mas Mayer parece que mantém características de outros personagens. Tomara que isso se desfaça com o tempo.

E Zico Rosado faz parte de uma nova trama: na juventude, foi namorado de Vitoria Vilar (Lília Cabral, pela 67864ª vez parceira de Zé Mayer e uma das novas personagens. Ela literalmente se derrete de amor). As famílias Rosado e Vilar são rivais e o conflito está pronto. Ela volta a Bole-Bole (agora, Saramandaia) e os dois vão acertar contas. No amor e na política.

Todos os tipos estranhos foram mostrados. Dona Redonda (Vera Holtz) e sua fome interminável, Seu Encolheu (Matheus Nachtergaele) e sua previsão do tempo pelos ossos, Cazuza (Marcos Palmeira) que quando se emociona bota o coração pela boca, Marcina (Chanderlly Braz) que fica em brasa quando excitada, Candinha Rosado (Fernanda Montenero, sempre simples e brilhante), Tibério Vilar (Tarcísio Meira, pai de Vitoria Vilar e novamente pai de Lília Cabral, assim como em “A Favorita”) e, claro, João Gibão (Sergio Guizé) e suas asas escondidas.

As brigas entre famílias – capitaneadas por Tibério, que já criou raízes no chão e Candinha, que enxota galinhas imaginárias – soam velhas hoje, assim como algumas disputas políticas. O prefeito Lua Viana (Fernando Belo) faz o tipo "caxias" e defende a mudança de nome, ao contrário de Zico Rosado. Mas a adição de meios tecnológicos e novos personagens e tramas dão fôlego ao remake, assim como a tentativa de dialogar com os momentos recentes da política e vida no Brasil. O discurso do professor Aristóbulo (Gabriel Braga Nunes, que ainda vai virar lobisomem) falando qualquer coisa estranha e “estrogonófica” e o povo aplaudindo é a encarnação da demagogia dos nossos políticos. Zico Rosado diz: “Sai dos abstratos e entra nos concretismos!”.

A novela usa e abusa de neologismos, como já deu para perceber. Assim como nas chamadas, os personagens dão vazão a um sem fim de novas experssões: sujismo, desmiolenta, cervejação, hipocrisismo, merecedência, bastantemente, topetice, entre outros. Um fantastiquento vocabulário que apesar de engraçado, pode tornar-se maçante. Explico depois.

Apesar das cenas terem começado com a música “Pavão Mysteriozo”, de Ednardo, a abertura abdica da música original de 1976 pela primeira vez em um remake das 11. A animação elaborada que remete aos personagens contrasta com a precariedade da original (veja aqui: http://www.youtube.com/watch?v=sR7ul_2zkSY). Mas a música, tão encaixada com a novela, faz falta. “Saramandaia” leva o realismo fantástico tão toscamente feito em 1976 ao que se tem de mais moderno em efeitos especiais. Os takes aéreos da cidade são quase todos feitos em computador, já que a cidade reúne colina, duna, floresta, morros em um só lugar, o que naturalmente não existe. O primeiro capítulo mostrou “apenas” um coração saindo pela boca. Surreal de tão bem feito. A fotografia é viva, colorida, mas por vezes árida, amarelada, mas não há grandes inovações como planos diferenciados. É tudo muito convencional, o que destoa das recentes produções da emissora como "Avenida Brasil" e "Amor à Vida". Convencional demais para uma novela de caráter especial.

O texto é bom (às vezes infantil), mas Ricardo Linhares peca ao deixar os neologismos para todos os personagens, quando essas extravagâncias poderiam ser de um político demagogo como Zico Rosado. A “imponência estravagântica” se espalha e pode se perder, tornando-se chata e sem graça.

A novela chama o público pelos efeitos e não pela história. Não tem o mistério e o suspense de “O Astro” (2011) e nem a sensualidade de “Gabriela” (2012). “Saramandaia” aposta nos efeitos especiais dos esquisitos personagens para chamar o público que pode preferir ver os esquisitos personagens reais de “A Fazenda 6”. O primeiro capítulo deu 27 pontos de média segundo a prévia contra 6 de Record e SBT.

No entanto, Dias Gomes (que ganhou homenagem como o santo padroeiro da cidade) deve estar se revirando no túmulo.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

"Amor à Vida" mostra São Paulo do jeito que ela é. E consegue


Enquanto “Salve Jorge” se arrastou por sete meses sem grandes reviravoltas, a estreia de “Amor à Vida” trouxe, em pouco mais de uma hora e meia, muito mais do que a turma de Gloria Perez.

O começo acima pode parecer exagerado, mas ficou próximo disso. A estreia de Walcyr Carrasco no horário das 9 começou muito bem. O primeiro capítulo mostrou-se ágil, bem dirigido, com trilha e fotografia voltando aos bons tempos de “Avenida Brasil” e abandonados em “Salve Jorge”. As características de Walcyr Carrasco estão lá: um vilão marcante (Félix – interpretado por Mateus Solano – já mostrou a que veio e muito me lembrou as vilanias e ironias de Cristina – Flávia Alessandra em “Alma Gêmea”, claro que cada um à sua época. Outros, mais saudosistas, dizem que Félix é uma versão de Carminha de “Avenida Brasil”. Não por acaso, Félix é bissexual e mostrou um arsenal de frases de efeito), uma história carregada no drama: Paloma (Paolla Oliveira) é inconsequente, sofredora, abandona a família, é rejeitada pela mãe, tem um irmão invejoso, tem um parto num local imundo, etc, etc, etc e um núcleo de humor em torno de uma família (como não lembrar das famílias de “Chocolate com Pimenta” e “O Cravo e a Rosa”?).

Destaco duas cenas de um capítulo longo: vagando por São Paulo, Ninho (que veio para o Brasil com a ajuda de Félix depois de ser preso por tráfico) e Paloma discutem em um bar, numa das melhores fotografias da novela. Ele vai embora e Paloma tem a filha que espera dele num banheiro imundo, num parto realizado com a ajuda de Márcia (Elisabeth Savalla). Aliás, Paloma escondeu da família que estava grávida, mesmo vivendo sob o mesmo teto. Um tanto fantasioso. No hospital San Magno, onde boa parte da trama vai se passar, a cena do parto e morte de Luana (Gabriela Duarte) foi emocionante, com trilha na medida e muito bem gravada. Além disso, as cenas em Machu Picchu no início da novela também foram bem tratadas, com o conflito se estabelecendo logo nos primeiros minutos: a mãe (Pilar, Suzana Vieira) rejeita a filha, o pai (César, Antonio Fagundes) apoia a filha e causa inveja em Félix, que quer tirá-la do caminho a todo custo e Edith (Bárbara Paz), a esposa complacente com Félix.


A fotografia de “Amor à Vida” é limpa, sem exageros, mas há o retorno de uma câmera na mão constante, ágil, nervosa. Esqueçam as grandes tomadas de paisagens e coisas convencionais. É uma fotografia moderna, com estilo (sim, com um pé nos filmes e seriados). A trilha, que vai desde a música “Maravida”, de Gonzaguinha interpretada toscamente por Daniel na abertura até Charlie Brown Jr, reflete uma São Paulo pouco vista antes na tv: do jeito que ela é. Junto à fotografia e direção de arte, a cidade é mostrada sem exageros ou caricaturas: ali estão os bares e botecos sujos, as prostitutas da Augusta, o centro vazio mas ao mesmo tempo belo, as luzes de neon nos bares... Nada de “cidade cinzenta” ou “contemporânea” e “urbana” (como visto em “Sangue Bom, a das 7). Em “Amor à Vida”, São Paulo se materializa na tela. Outro recurso interessante foi o uso de uma câmera acoplada a Juliano Cazarré quando o personagem Ninho está no aeroporto. O enquadramento permitiu captar todo o nervosismo do personagem.
Do elenco, Suzana Vieira e sua Pilar são mais do mesmo que a atriz já fez na tv: uma mulher rica e impiedosa – lembra a Branca de “Por Amor”. Mateus Solano (Félix) consegue provocar ódio (como quando abandona a filha de Paloma no lixo) e riso (ao filho, Jonatan: “Meu dia está lotado para criança! Se quiser, agenda!” ou à esposa: “Eu salguei a Santa Ceia, só pode ser!” ou à tia: “Tá chamando seu irmão de touro, vão achar que você é a vaca!” ou pior, quando chega no bar que Paloma teve a filha: “Brega!”). No mais, nada de mais. Antonio Fagundes, Malvino Salvador, Juliano Cazarré, Bárbara Paz e Paola Oliveira não comprometem, mas não se destacam. O primeiro capítulo ficou inteiramente focado nesse núcleo, com apenas uma cena da família de Bruno. Uma família grande e tipicamente paulistana: Eliane Giardini volta a viver uma matriarca (Ordália, que lembra um pouco a Muricy de “Avenida Brasil, mas bem mais branda), e o pai de Bruno, Fulvio Stefanini (Denizard), que carrega no sotaque paulista, meu!


Walcyr Carrasco ainda mantém características no seu texto que incomodam: às vezes são explicativos demais ou às vezes o recurso de “falar o pensamento” não se faz mais necessário, quando Bruno encontra a criança abandonada por Félix no lixo e exclana: “Deus me deu uma nova chance!”, forçando a barra. Mas a direção de Wolf Maya é competente, dinâmica: as passagens de tempo foram implícitas pelas cenas (quando mostrou Paloma grávida, ora experimentando roupas, ora fazendo ultrassom), a fotografia e a trilha são um grande acerto e a trama é verossímil numa história que não tem essa pretensão  Ao contrário de “Salve Jorge” que pedia uma trama realista (morro do Alemão e tráfico de pessoas), mas totalmente mal concebida.

“Amor à Vida” estreou com 35 pontos (não consolidados) e repete a estreia de “Salve Jorge”, mas ainda inferior a “Avenida Brasil” (37) e “Fina Estampa” (41). O nome pode remeter a qualquer novela tosca do Manoel Carlos. Mas Carrasco coloca todo o arsenal que consagrou suas novelas (só às 6, pois as das 7 foram bem fracas) e aliada à direção de Wolf Maya, “Amor à Vida” tem tudo para agradar. Menos a abertura, que apesar de contar com o desenhista americano Ryan Woodward (de “Os Vingadores”), é toscamente interpretada por Daniel, mesmo que tenha tudo a ver com o título (De amar, e amar e amar... Vida, vida, vida). 

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Na levada do canto da Sereia


Depois de fechar 2012 com um dos melhores produtos daquele ano (“Doce de Mãe, com Fernanda Montenegro), a Globo abre 2013 com uma produção igualmente caprichada. “O Canto da Sereia” e Ísis Valverde deixarão as noites de terça mais contagiantes – e mais emocionantes.


Ísis canta as músicas, não é dublada. Só por isso já é possível ver a entrega ao papel de Sereia, uma estrela do axé que está no auge, mas é assassinada no trio elétrico, em pleno carnaval de Salvador. Os suspeitos são muitos – aliás, quase todos da microsserie – o que realça ainda mais o viés policial da historia. Ísis Valverde, com Sereia, se consagra como uma das melhores atrizes de sua geração. 

O elenco conta com vários ex-“Avenida Brasil” (além dos diretores Ricardo Waddington e José Luiz Villmarim): Marcos Caruso (governador Juracy), Fabiula Nascimento (Mãe Marina de Oxum), Camila Morgado (a empresária Mara - finalmente a atriz volta a um papel à sua altura) e claro, a “Sereia” Ísis. O elenco conta ainda com Marcos Palmeira (Augustão), Gabriel Braga Nunes (Paulinho de Jesus, ex de Sereia), Marcelo Médici (mo marqueteiro Tuta), Zezé Motta (Tia Celeste), entre outros.

 






Sereia foi assassinada já neste primeiro episódio. Uma ótima estreia, com as características dos diretores – fotografia já vista em “Avenida Brasil”, como câmera na mão, closes dos personagens (a cena da morte de Sereia me fez lembrar quando Nina acorda depois de ser enterrada viva) – e trilha sonora nostálgica: “Vamos abrir a roda, enlarguecer” é um verso da música "A Roda", de Sarajane, lá para as bandas da década de 1980 quando o axé nem sequer existia do jeito que é hoje. E, quem sabe, pode ser o novo-velho hit do carnaval desse ano.

A microsserie é baseada no romance de Nelson Motta – autor e compositor de várias obras de sucesso – e é adaptado por George Moura, Patrícia Andrade e Sérgio Goldenberg. E, pasmem, tem supervisão de texto de Gloria Perez. Sim, aquela de “Salve Jorge”. Às vezes acho que supervisão de texto é algo só para dar uma “grife” ao produto de roteiristas estreantes (menos George, que já assinou alguns filmes e obras na Globo). Não há nada de Gloria Perez no texto, ainda bem.

“O Canto da Sereia” vem, literalmente, no ritmo do axé: contagiante e empolgante. Ísis Valverde canta como qualquer estrela do axé e fica a pergunta – batida, mas infalível: quem matou Sereia?

domingo, 9 de dezembro de 2012

"Esquenta!": caricatura de algo que não existe



O "Esquenta!" com a Regina Casé tem a capacidade de subestimar a "pobreza". O que se vê é algo que não existe. O visual beira o ridículo e Regina insiste na imagem "sou do povo". A ideia do programa é ótima, desde sempre. Mas como é mostrado, é um erro.

Tudo ali é uma caricatura, um carnaval mal feito numa festa pseudopobre. O que era pra ser uma festa no quintal ou um churrasco com muito samba, suor e cerveja se torna algo brega, ralo, feio.

Regina Casé e a caricatura de algo que não existe
Mas a capacidade de comunicação de Regina Casé é incrível. Ela dialoga com as massas como poucas, criando empatia ou repulsa. O jeito popular se mostra na entrega da apresentadora, mas há quem diga que é apenas uma atuação. Muito boa, diga-se de passagem.

O fio condutor do programa é o samba, claro. A ideia inicial, desde a primeira temporada era “esquentar” para o carnaval, mas agora se estendeu e ficará por sete meses no ar devido ao sucesso. Me soa como um “tapa buraco”, já que o programa do Didi saiu da programação e “Os Caras de Pau” está em vias de sair também. Pode ficar exaustivo e repetitivo, já que a proposta do programa é fixa, com um conceito imutável. 

Mas o “Esquenta!” não é só samba com Arlindo Cruz, Leandro Sapucahy, Mmumuzinho, Thiaguinho e Péricles. Os Paralamas do Sucesso marcaram presença na estreia e Regina fez merchandising social com deficientes físicos – aproveitando a presença do vocalista dos Paralamas, Herbert Vianna, paraplégico. 


De frente com a presidente: é tudo muito lindo no Brasil




O ponto alto da estreia foi dividido em “pílulas”: a entrevista com a presidente Dilma Rousseff foi mostrada aos poucos, relacionando depoimentos de Dilma com os assuntos que eram tratados no momento pelos cantores para depois exibir no último bloco a conclusão da entrevista. O palanque eleitoral, claro, é inevitável. Mas é uma boa estratégia para segurar a audiência.

O programa tem ritmo, tem unidade, pelo menos nessa estreia que intercalou as entrevistas de Dilma com as atrações do programa. Regina Casé, claro, manteve o estilo inconfundível de puxa-saco com todos os convidados. Afinal, "o que o mundo separa, o Esquenta junta!". 
 
Algo curioso nessa estreia: Regina Casé recebe flores do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso pela estreia do programa e solta um sonoro "Que chiqueee!". E antes Preta Gil cantou uma música de preconceitos... Enfim, só uma observação irônica.

Para um programa que se propõe sem preconceitos, acho que é preciso rever algumas coisas.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

E que a voz da liberdade...

...Seja sempre a nossa voz! Globo investindo pesado em coisas das "camadas populares": samba e futebol presentes nas novelas das 21 horas, “Avenida Brasil” e agora na das 18 com “Lado a Lado”. E isso é ótimo.

"Lado a Lado" é daquelas novelas que cairia muito bem como uma minissérie. Mas ainda bem que virou novela, afinal é preciso mostrar mais um pouco de historia, fazer o povo (ou a grande massa, que consome mais novela do que minissérie) resgatar momentos importantes da historia do nosso país. Isso é mais importante do que fazer qualquer tipo de ficção com propaganda (ou doutrina) de religião, como foi a anterior, "Amor Eterno Amor".

A abertura é uma das mais bonitas dos últimos anos, apesar do clichê de gravar imagens da época com uma trilha. Aqui, vale a produção caprichada e o samba escolhido, que cai como uma luva para o momento histórico da novela e para a propria historia do folhetim. Isso é uma ousadia para a emissora, que sempre deixou o samba (especificamente o samba-enredo) somente para a época de carnaval. Viva o samba!


Mas isso não quer dizer que eu vá assistir. Além do horário, é mais uma daquelas novelas de época água com açúcar. Em “Lado a Lado” conta pontos o momento histórico que ela mostra, pouco contado na TV, a produção rica e o elenco: Patrícia Pillar, Camila Pitanga e Milton Gonçalves só para citar alguns exemplos.. E só. Os clichês das disputas “raciais” e de classe estão lá, a pose das baronesas e a situação ainda desfavorável aos negros – recém-libertados da escravidão também.

Vendo algumas cenas, é inevitável a comparação com outras novelas. O futebol de “Avenida Brasil” está lá, mostrado no início do esporte no Brasil. O encontro das heroínas é muito parecido com o encontro das “Empreguetes” de “Cheias de Charme”: encontraram-se num momento difícil da vida de cada uma e, a partir daquele momento, tornaram-se amigas para sempre.

O primeiro capítulo deu apenas 18 pontos de audiência. Pouco para o horário, que almeja pelo menos entre 20 e 25. Agora é esperar e ver se a historia cativa a dona de casa do horario, ainda que tenha elementos que poderiam atingir um público mais amplo e até masculino. 

domingo, 12 de agosto de 2012

Medalha de prata - suada - para a Record

SÓ na Record: insistência insuportável
As Olimpíadas de Londres foram anunciadas com pompa pela Rede Record, afinal foi a única em rede aberta a ter os direitos exclusivos. Os jogos chegaram e a emissora tinha que apagar a má imagem deixada pelos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara em 2011. As falhas não passaram despercebidas e a cobrança só aumentou.

Londres chegou e a Record montou um aparato técnico pouco visto em outras transmissões. Uma equipe grandiosa, estúdios igualmente grandes, tinha tudo nas mãos para superar o “monopólio” global (como se a Record não o fizesse). As transmissões começaram e aí... A âncora e principal estrela da Record nos Jogos, Ana Paula Padrão disse um impropério: “aqui no Jornal da Globo”. Um pecado mortal. Mas perdoado. O barulho foi grande e, em certa parte, ajudou a emissora. Nome aos quatro ventos, sites e redes sociais.

Ana Paula Padrão: só na Globo... Quer dizer, Record
As transmissões esportivas ficaram marcadas por erros, principalmente do narrador Lucas Pereira. Erros como trocar nome de jogadores, ufanismo exarcebado, empolgação além da medida com competições que o Brasil sequer competiu não foram perdoados. Maurício Torres também teve seus momentos empolgados, o que prejudicou a qualidade da transmissão. Mylena Ceribelli – que, na minha opinião, acho horrível – só foi objeto de decoração. Apresentou poucas coisas, pouco para uma carreira consolidada, afinal é uma ex-Globo. O “porra” que ela soltou sem saber que estava no ar foi mais importante, talvez. Outro ponto negativo foi a insistência insuportável que os narradores diziam: “Olimpíadas, só na Record” ou “a Record é a única emissora de tv aberta aqui em Londres”. Irritante, desnecessário e talvez, medo das pessoas esquecerem desse fato. 

Celso Zucatelli: bobo da corte olímpica da Record.
Assim como a maioria dos outros comentaristas
Os comentaristas foram um show à parte. Romário que o diga. Falastrão, disse o que lhe veio à cabeça, sem medir palavras. Crucificou Mano Menezes de forma veemente e não hesitou em falar mal do treinador. Alguns foram meros torcedores, como Virna no vôlei. Destaco Luisa Parente na ginástica, sempre segura nos comentários do esporte e Oscar, esse sim, torcedor que transmite informação – ao contrário de Romário. Celso Zucatelli fez a parte "popular" da transmissão: no meio da galera, com estrelas da casa (Rodrigo Faro falou sobre a carreira, entre outras peculiaridades). O tom mais "humano" foi trocado pelo "popularesco". Tosco e em alguns momentos, ridículo.

A Record transmitiu horas de esporte, o que é louvável. As tardes foram trocadas por diversos esportes. Alguns desnecessários, como as longas transmissões de ginástica e natação – apelo sexual óbvio para garantir audiência. Audiência esta que não correspondeu como o esperado. Foi líder em alguns momentos – no sábado, 11 foi líder por quase um dia inteiro, feito inédito – principalmente em transmissões de vôlei e futebol. A Record não passou a Globo e nem teve audiência superior. Os bispos talvez ficaram descontentes com o retrono obtido, afinal, milhões de dólares foram depoistados pela transmissão do evento. A prata estaria de bom tamanho para a Record. Prata suada, aliás.

Zucatelli e Romário em foto para o "feice".
A imagem de emissora olímpica não “colou” e duvido que um dia “cole”.

terça-feira, 31 de julho de 2012

O enjoo (já curado) de Caio Blat


Caio Blat: obedece quem tem juízo (e continue produzindo).

Polêmica à vista para atiçar os criadores de teorias terroristas anti-Globo. O ator e produtor Caio Blat, dono de uma carreira sólida na emissora – o último trabalho foi em “Morde e Assopra”, em 2011 – envolveu-se numa discussão que ainda vai render.

Em 6 de maio, numa palestra na cidade de Suzano, Blat desabafou. O vídeo caiu na rede e no YouTube, pelo canal da prefeitura de Suzano. Disse que as idas em programas globais para divulgar os filmes não passam de ações de merchandising e não apenas de cunho jornalístico. O que é bem verdade, convenhamos. O pior estava por vir: “é uma coisa que me deixa enjoado, horrorizado”. Palavras fortes para definir como a Globo e a Globo Filmes se relacionam em pagamentos dessas ações. Apesar de estar dentro de uma mesma organização, a Globo Filmes paga para a “patroa” Globo os “merchandisings”.

Caio Blat disse ainda que sem a Globo Filmes e a emissora, o filme não “cresce”. Os produtores que não tem parceria com a Globo Filmes, não tem divulgação nos programas da TV e são escondidos do público. Ou seja: as obras “independentes” são excluídas pela emissora, afinal não foi o braço de filmes dela que realizou/produziu/bancou.

Caio Blat arrependeu-se. Os sites publicaram hoje as “desculpas”. O ator fez o pedido com uma carta endereçada à emissora. Segue um trecho:

“Acabei avançando sobre temas dos quais não tinha conhecimento suficiente, misturei questões pertinentes e importantes com outras tantas generalizações, e acabei atingindo quem estava mais perto, ou seja, a Globo Filmes, parceira prioritária do cinema nacional, de forma injusta”.

As desculpas vieram junto a um outro pedido para a prefeitura de Suzano retirar o vídeo do ar. Num primeiro momento, a cidade recusou-se a retirar o vídeo, já que estava “promovendo” a cidade mundo afora e que era um vídeo institucional, “sem exploração da imagem do ator”. Depois, Blat interviu judicialmente e o vídeo foi retirado. A essa altura, algo praticamente impossível – logo alguém publica o vídeo novamente. Em alguns sites, como o da revista Veja, a reportagem sequer existe (a página foi apagada).

Blat continua o pedido de desculpas à Rede Globo:

 “Resta então uma atitude minha em relação a vocês, para expressar meu arrependimento por ter levado esse assunto ao público, quando, devido ao longo relacionamento que temos e a longa lista de grandes trabalhos realizados em parceria, devia tê-los procurado pessoalmente para discutir quaisquer dúvidas que eu tivesse ou mesmo levar minhas críticas, quando pertinentes. Deixo aqui meu pedido pessoal de desculpas, e reafirmo meu compromisso com os projetos que temos em parceria para futuros lançamentos e meu reconhecimento pelo trabalho generoso da Globo Filmes na promoção do cinema brasileiro.”

As perguntas que ficam são: Caio Blat foi pressionado? A Globo e o braço de filmes tem razão? O ator tem uma carreira consolidada na emissora, de muitos anos. É compreensível que a Globo, como patroa, não se sentiu confortável com a situação – que pode acontecer em qualquer empresa. É sabido também que a produção nacional é totalmente global: a maioria dos atores, diretores e produtores trabalham na emissora, o principal pólo de produção audiovisual do Brasil. É no mínimo estranho o “reconhecimento pelo trabalho generoso” vindo do ator que definiu a relação Globo/Globo Filmes como “horrorosa”.

Cabe aqui o ditado: manda quem pode e obedece quem tem juízo. Blat poderia ficar sem produzir e até mesmo sem atuar se continuasse com as reclamações. A Globo e os filmes continuarão faturando bilhões. E nós, espectadores, continuaremos assistindo a filmes de qualidade questionável, com humor mais questionável ainda – Bruno Mazzeo que o diga. Uma pena para os brilhantes produtores que não se rendem à pressão, mas que produzem obras com muito mais amor, arte e qualidade.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Olimpíadas só na... Record?


Não se fala em outra coisa a não ser os Jogos Olímpicos de Londres. O Brasil está parando ao assistir os jogos de nossas vitoriosas equipes e atletas, vibrando com cada gol, ponto ou vitória. As redes sociais estão em comoção por nossos atletas. Essa é a visão da emissora dos bispos nessa Olimpíada.

Detentora exclusiva dos jogos na TV aberta, a Record tem o desafio de apagar a mancha deixada pela transmissão do Pan Americano de 2011, em Guadalajara. Erros bobos, crassos, mas que não passaram despercebidos pelos telespectadores. Na época, quiseram entregar um produto. No final, entregaram uma má transmissão, com saldo negativo em audiência, repercussão e qualidade. Alguns vão falar que é perseguição, mas não é o caso. A exigência torna-se maior a partir do momento que a emissora deseja atingir um nível. Nível este que não conseguiu até então. Outra coisa: não cabe mais falar sobre a disputa Globo x Record.

A expectativa foi grande para o início das transmissões dos Jogos de Londres. Cabia à emissora da Barra Funda mostrar a que veio, junto com todo seu arsenal de tecnologia e jornalistas, ancorados pela experiente Ana Paula Padrão. Na quarta, dia 25, foi dado o pontapé inicial com a transmissão do primeiro evento: a partida de futebol feminino entre Brasil e Camarões, com direito a goleada brasileira por 5 a 0. Até aí, tudo é festa. Mas a sombra da transmissão do Pan-11 não só pairou como baixou em Londres. Ufanismo – ao melhor estilo Galvão Bueno -  erros nos comentários, e a insistente frase: “a Record é a única emissora emissora de TV aberta do Brasil no estádio” ou então “Olimpíadas, só na Record” e por aí vai. Abusou da paciência do espectador. No meu caso, troquei o conforto do sofá para assistir à transmissão pelo computador, no Terra. Que, certamente, faz uma transmissão melhor que a emissora.

No dia seguinte, quinta, 26, a estreia da seleção masculina no futebol. Neymar e cia. são “a menina dos olhos da Record”. Se o ouro vier, a Record vai encher a boca para falar isso. Mas a transmissão foi tão pior quanto a do dia anterior. O narrador Lucas Pereira mostra total inexperiência, errando nome de jogadores (Rômulo foi chamado de Juan), errando lances (a defesa do Egito afasta sendo que era o ataque egípcio que estava em frente), entre outros. Romário, de comentarista, nada acrescentou. E novamente repetindo o que todo mundo já sabia: “a Record é a emissora exclusiva...”.

Na sexta, dia da cerimônia de abertura, as coisas pareceram mais tranquilas. Ana Paula Padrão esteve à frente dos trabalhos junto com Maurício Torres e a (chata) Mylena Ceribelli. Foram comedidos nos comentários e até mesmo quando o Brasil entrou no desfile. Antes da transmissão, fiquei na expectativa do repórter Celso Zucatelli – responsável pela cobertura dos pouplares no evento – em dizer que a fazenda da abertura era inspiração do reality “A Fazenda” ou então chamar o Britto Jr. para mandar os argentinos pra roça (a eliminação do programa). Ainda bem que nada disso aconteceu.

Mas o pior estava por vir: na primeira transmissão do evento, Ana Paula Padrão fala “o-nome-da-emissora-que-não-pode-ser-falada-na-rede-Record”. Veja no vídeo:



Ninguém poderia esperar por tal erro. A jornalista, experiente que é, contornou a situação sem titubear. Mas o alto escalão da emissora deve ter ficado com a cabeça queimando tal qual a pira olímpica. O “porra” dito por Mylena Ceribelli após um erro da produção nem fez o mesmo barulho.

O primeiro final de semana de transmissão foi tranquilo, sim. Os erros não foram mais vistos, apesar de alguns rompantes nacionalistas do narrador Maurício Torres. Os jogos de vôlei, tanto o masculino quanto o feminino tiveram emoção dosadas na medida pela Record. Além disso, a trasmissão ocupou boa parte do dia e da noite na programação, mesmo quando os brasileiros não estavam em disputa.

Até o dia de hoje, a Record tem demosntrado um esforço para entregar um produto com a qualidade que merece. O evento mais importante do esporte merece uma transmissão à altura da grandeza que oferece. Durante a tarde, a emissora exibiu várias disputas, mas ainda tem erros. Especialmente com o narrador Lucas Pereira. É o que mais erra em transmissões. Na de hoje, na natação, confundiu nacionalidades. Erros pequenos, mas quando tornam-se constantes, não passam despercebidos.

Faltam aproximadamente duas semanas para o fim dos Jogos Olímpicos e a Record ainda tem que mostrar a qualidade que tanto quer buscar.  


P.S.: O primeiro parágrafo é uma ironia, que fique bem claro. Afinal, o penico está voando!

Do blog

Uns vão pensar que é um blog de humor, outros vão pensar “que merda é essa?” e outros não vão pensar nada. O PENICO ESTÁ VOANDO é o nome deste que se propõe a levantar discussões, causar polêmicas, reflexões ou simplesmente nada!  O que vier à telha sobre os mais variados assuntos, mas principalmente sobre televisão. Afinal, a maioria já sabe (ou deveria saber) que é a minha área, a minha paixão. Eventualmente o futebol estará em pauta, claro, afinal o que seria do mundo sem esse esporte? Para alguns, o mundo nem exisitiria. O fanatismo é permitido. Também serão encontrados aqui ruminações sobre política, economia e carnaval. Ah, o carnaval... Este que é o maior expoente da cultura brasileira mundo afora e que hoje, pelo menos em terras paulistas, está na merda. Bom, chega de falar – até porque (admito: tive que consultar um manual de redação, pois até hoje não sei usar os “porques”. Espero que esteja certo) esse blog vai falar de um monte de coisas. Basta.

O nome foi escolhido de modo curioso. Queria um nome que chamasse a atenção, sair do clichê. Acho que consegui. Sabe quando você (àqueles que são cristãos ou ao menos tentam ser) abre a Bíblia numa página para ter uma palavra de conforto? Ou então aquele livrinho “Minutos de Sabedoria” que “coincidentemente” cai uma mensagem justamente para aquele momento? Foi isso que aconteceu com O PENICO ESTÁ VOANDO. A minha “bíblia” dessa vez era “O Livro do Boni”, sim, aquele Boni da Globo. Para os profissionais da área, livro essencial. Para quem gosta dos bastidores da tv, idem. Abri na página 233 e o título me saltou aos olhos. Essa parte do livro fala sobre a conquista de audiência da recém-inaugurada TV Globo e o penico foi um dos símbolos da emissora em São Paulo, era um objeto que tinha um valor simbólico depois de um incêndio, enfim... Compre o livro e leia! No meio disso tudo, a Globo começava a ganhar em audiência, ser líder e adotou a nomenclatura “Rede Globo”. Pode soar pretensioso. E não é que é verdade?

Como li por aí, muitas das coisas que foram ditas são ironias, que fique bem claro.

E cuidado, pois O PENICO ESTÁ VOANDO!