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domingo, 10 de fevereiro de 2013

Carnaval 2013: modesto, mas de coração


Num Carnaval que infelizmente terá que ser nivelado por baixo – salvo algumas poucas exceções – a festa em São Paulo não foi das melhores, com um nível inferior a 2012.

Mocidade: rumo ao bicampeonato
Das exceções, Mocidade Alegre desponta para o bicampeonato, com um desfile impecável e superior ao do questionado título do ano passado. A Nenê voltou, para alegria de todos! A mais querida deu letra, samba e tudo o mais para mostrar que está de volta ao seu lugar. Celsinho Mody conseguiu fazer um milagre com esse samba: foi um sacode no Anhembi. E, a última exceção foi a Tucuruvi que, com um desfile aparentemente simples, soube usar a criatividade a seu favor, juntamente com o samba e a bateria, impecáveis. Destaco também Tom Maior e Dragões da Real, que fizeram desfiles muito superiores ao do ano passado. A Tom surpreendeu com um enredo que já tinha nascido “rebaixado”: a história do prazer. Apesar do tema, a escola não apelou para mostrar essa historia. Já a Dragões, em apenas seu segundo ano, mostra que não está de brincadeira. 

De volta ao seu lugar: Nenê volta para ficar
 De resto, ou mais do mesmo ou aquela coisa “eu esperava mais”. Não vejo Vai-Vai concorrendo ao título. Apesar da propaganda feita em cima do enredo sobre vinhos, a escola veio inferior ao ano passado e levou à avenida um dos carros alegóricos mais feios do ano: o último, que representava uma geleira com telões. Pura falta de criatividade. Outra que decepcionou foi a Gaviões. O pior desfile da escola no grupo especial e se cair não será surpresa. Mais do mesmo foram Rosas de Ouro (mas que concorre ao título junto com Mocidade), Mancha Verde, que nunca vem para ganhar, mas para voltar ao desfile das campeãs. Vila Maria também fez um desfile bem aquém do esperado e mostra que ainda falta muito para ser campeã do carnaval pela primeira vez.

Tucuruvi prova que para fezer festa, não precisa de luxo
A Império mostrou que, mesmo sem verba, pode fazer um carnaval decente. Não volta às campeãs, mas não cairá. A bateria deu um sacode, o samba funcionou. As alegorias são de gosto duvidoso, mas é que tinha para hoje.

A Águia de Ouro trouxe o melhor samba do ano e o que mais funcionou na avenida, mas o desfile foi para fazer João Nogueira se revirar no túmulo. X-9 Paulistana fez um desfile fraco, o samba não ajudou e corre perigo. A Tatuapé se esforçou mas ainda não tem forças para manter-se na elite.

E assim foi o Carnaval de São Paulo. Nivelado por baixo, com uma disputa polarizada entre duas escolas para a vitória, uma imensidão de vagas para as campeãs e quatro candidatas ao descenso. É esperar terça-feira, ás 16 horas, na apuração. Que desta vez não terá ninguém para rasgar notas ou atirar cadeiras. Mas o terço, o patuá, o colar e tudo o mais estarão lá, com muita força e união.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Quem canta seus males espanta?



O CD dos sambas de enredo de São Paulo foi lançado e com ele os defeitos característicos de uma produção que fica a cargo da Liga e não de uma gravadora mais experiente. Por um dom divino, as faixas estão bem produzidas, um tanto uniformes, mas melhor do que nos últimos anos - e sem troca de posições como no encarte e na revista.




Os problemas ficam na “embalagem” que é entregue. Os erros no encarte e na revista são muitos para quem quer se mostrar um carnaval completo e competente. Troca de posições das escolas, ordens das escolas erradas (foto abaixo), erros de grafia, de português... Isso pode soar uma birra, uma politicagem nojenta e triste. Tudo isso obra de um designer que faz capas de gosto duvidoso há uns três anos, além dos vários erros já citados aqui. Mais absurdo ainda é saber que é obra de um integrante de escola de samba e, portanto, deveria saber do carnaval o bastante para não cometer esses tipos de erros.

Isso não é frescura. É ter profissionalismo e respeito a quem constroi o carnaval paulista. Além disso, a distribuição apenas em bancas e quadras das escolas é sofrível, impedindo (ou dificultando) o avanço do samba paulista em outras cidades. Como comparação – inevitável – o CD dos sambas cariocas é vendido até no iTunes. Sorte de quem acessa os sites de compartilhamento de arquivos, porém, prejudicando as escolas que deixam de ganhar uma grana com a venda. A seguir, uma rápida impressão dos sambas do grupo especial (já que foram ouvidos ao vivo várias vezes):

Um dos erros mais graves: na revista: o Império, que ficou em 11º, aparece em 12º na embalagem do cd, no encarte das letras dos sambas, no índice da revista e na ordem das matérias. A Dragões aparece em 7º na revista, o que está certo. Na embalagem do CD, em 8º. No disco, pelo menos, manteve-se a classificação correta.


Para repetir:
- Vai-Vai: o samba é um dos melhores do ano e Wander Pires começando com o alusivo “Vem novamente à disputa...” configura um início matador para um samba matador.
- Mancha: samba emocionante, com a interpretação irretocável de Fred Viana.
- Gaviões: Ernesto Teixeira volta aos bons tempos – talvez por ter composto o samba – e dá fôlego ao melhor samba dos Gaviões desde o retorno ao especial em 2008. O início da faixa mexe com os brios dos corinthianos, ainda mais depois da conquista do Mundial.
- Águia: o melhor – e mais diferente – samba do ano deve ser repetido várias e várias vezes. A bateria dispensa comentários: Mestre Juca tira uma cadência perfeita.

Que valem a pena:
- Tucuruvi: o samba bem-humorado aliado à interpretação de Igor Sorriso conferem ao samba uma leveza e balanço inexistentes em outros.
- X-9 Paulistana: a escola volta aos bons tempos com um samba de linda letra e Royce do Cavaco ótimo à frente dos trabalhos. O samba sai da mesmice e mostra que ainda há outros caminhos para o samba em São Paulo.

Para ouvir de vez em quando:
- Mocidade: o água-com-açúcar e eficiente de sempre (tirando 2012).
- Vila Maria: o básico. Não se pode esperar muita coisa de um samba mediano.
- Tom Maior: o samba melhorou em relação à eliminatória, mas ainda é um dos piores do ano.
- Império: se você quiser ouvir a faixa só por causa da bateria – novamente a melhor do cd – pode ouvir, até repetir. É o que essa bateria sabe fazer: mais que milagres, coisas surreais. Mas se quiser ouvir o samba, procure não dormir, especialmente na primeira passada (um motivo para pular a faixa, mas a bateria segura).
- Tatuapé: os gritos de Vaguinho comprometem o samba e este não foge do clichê das escolas que sobem ao especial no verso “é qualidade especial”.

Passa-faixa:
- Rosas de Ouro: mesmo com o milagre promovido por Darlan, o samba é um festival de clichês e frases prontas – feitas para “emocionar” (rs) – e um refrão sonolento, tão quanto o Império.
- Dragões: o samba mais passa-faixa do ano. Daqueles sambas que não vão fazer falta. Não mostra o que diz e Daniel Collete já viveu tempos melhores.
- Nenê: a letra é linda, mas a melodia... O samba é burocrático, longo e é inegável o esforço do intérprete Celsinho, que não tem culpa por uma escolha tão errada na águia guerreira.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Os sambas da terra da garoa - parte 1


Assim como feito com os enredos, chegou a vez de falar dos sambas-enredo que as escolas de São Paulo levarão para a avenida em 2013*. A ordem aqui será da mais recente até a primeira escola a escolher o samba. Começo hoje com Águia, Vai-Vai e X-9 Paulistana:

*Lembrando que é uma opinião de quem escuta. APENAS uma opinião, sem desmerecer qualquer escola de samba.

- X-9 Paulistana: talvez a escolha mais surpreendente do ano e que gerou briga no anúncio do samba. Em vão. A escola da Parada Inglesa tem nas mãos um bom samba, um samba diferente, que foge dos versos e melodias manjadas que o carnaval de SP está viciado, inclusive os dois sambas da final. Apesar da melodia um pouco "para baixo", tem a letra linda. O samba pode crescer na voz de Royce do Cavaco. Um samba sem firulas, direto ao ponto, sem versos longos que poderiam ser resumidos em poucas e diretas palavras. Um acerto para a X-9, que tem um enredo fraco e que anda muito perdida nos últimos anos. 

- Vai-Vai: a escola do Bixiga teve uma das melhores eliminatórias do ano. O samba da comunidade caiu antes de chegar à semifinal e, na final, deu a lógica: a parceria de Zeca do Cavaco, que vence pelo terceiro ano seguido. Um ótimo samba, com a cara do Vai-Vai. O samba é curto, mas o refrão de cabeça é longo – e nem por isso menos bonito: são versos para entrar na história, como “Matriz, escola do povo / Respeite o meu pavilhão!”. É uma afirmação totalmente válida para a mais tradicional escola de SP. Apesar disso, o samba resume de maneira muito simples o enredo. O primeiro setor é cantado apenas nos dois primeiros versos do refrão, só para citar um exemplo. Isso poderá custar alguns décimos à escola, assim como em 2012.

- Águia de Ouro: uma das poucas a não fazer eliminatórias abertas, a escola da Pompeia só mostrou que essa é a melhor saída para o carnaval. A Águia de Ouro tem o melhor samba do ano. Não por acaso, com um dos melhores enredos do ano, também. João Nogueira será lindamente homenageado. O samba tem a assinatura do filho, Diogo, juntamente com parceiros que fazem sambas para a Portela. O samba tem versos de composições de João e Diogo, e a melodia foge dos padrões dos últimos anos. O samba brinca com a canção "Espelho", no conjunto de versos "ê vida boa / ê vida à toa / ê vida voa". O bis no final é de emocionar (“E o meu medo maior é o espelho se quebrar...”), assim como o refrão de cabeça (“Ninguém faz samba só porque prefere”). O único pesar fica para o refrão do meio, com seis versos um tanto longos e desnecessários (os dois últimos). Mas, “ê, vida boa”, ê samba bom!

A Águia foi a última a apresentar o samba e só faz mostrar que o concurso de eliminatória é só uma forma das escolas ganharem (MAIS) dinheiro. Uns brigam (como na X-9), outros aceitam, pois já ganhou vários sambas (Vai-Vai), outros porque tem a identidade da escola (Mocidade) e assim vai caminhando o carnaval paulistano. Enquanto houver eliminatórias, os sambas bons ficarão na memória de quem acompanha (Vai-Vai, Império, Nenê) e os sambas “de acordo com a sinopse” vão ganhando, com versos e melodias clichês, maneirismos, mesmos compositores. Isso só faz prejudicar a qualidade do samba paulistano. É só uma fase, assim espero. Mas, “ninguém faz samba só porque prefere”...

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Os enredos do carnaval 2013 (parte 4)

De olho no carnaval 2013: vai precisar de muitos olhos
Finalizando a série de enredos do carnaval de São Paulo, as 3 restantes, o G3: Vai-Vai, Rosas de Ouro e Mocidade Alegre. Da 3º à campeã de 2012:










Vai-Vai: a Bela Vista traz o enredo “Sangue da terra, videira da vida: um brinde de amor em plena avenida – Vinhos do Brasil”. Tema batido, pois a rival Camisa Verde e Branco trouxe o vinho na avenida em 2006. Apesar disso, é um enredo bom, histórico. Mas ainda assim, acho estranho o título dizer "Vinhos do Brasil" sendo que não é um enredo essencialmente "brasileiro". O carnavalesco carioca Cahê Rodrigues é a novidade da escola. As eliminatórias já começaram e pelo menos quatro sambas podem representar bem a alvinegra na avenida. 







Rosas de Ouro: vice-campeã, a Roseira vem com “Os condutores da alegria numa fantástica viagem aos Reinos da Folia” e vai mostrar as festas e tradições espalhadas nos quatro cantos do mundo. Enredo previsível visualmente, afinal várias partes desse enredo já foram vistas em várias escolas e alas. Conta a favor o minucioso e luxuoso trabalho do carnavalesco Jorge Freitas, que tem um enredo igualmente rico. De samba, a escola vem, novamente, com um samba mediano. Nenhum samba da s eliminatórias me parece grandioso, apenas fiel ao enredo. Lembrando que isso não é exclusividade dessa escola e sim do carnaval paulistano. Sambas quadrados, extremamente fieis ao enredo e sem brilho ou riqueza poética.




Mocidade Alegre: a campeã de 2012 volta à linha de enredos que a consagraram. Enredo lúdico, “A sedução me fez provar, me entregar à tentação... Do final original, qual será o final?”, propõe “novos finais” para várias histórias, infantis ou não. A pergunta “e se?” é constante. Me parece uma indireta bem clara aos acontecimentos na apuração, de escolas que – supostamente – queriam mudar resultados. E “se o final fosse diferente?”: essa é a pergunta que a Morada quer saber. Um tanto irônico. As eliminatórias já começaram e nenhum samba tem o brilho que tinha o desse ano (“O rufar do tambor / Vai ecoar!”: refrão inesquecível). A proposta do enredo é um tanto confusa. Ouvindo os sambas das eliminatórias ou lendo a sinopse, parece que falta algo. Só no dia do desfile, com o visual completo, as respostas para as perguntas serão descobertas. Mas a escola é competente e, se tudo der certo, o enredo tem tudo para ser um dos mais legais do ano.

O Carnaval de 2013 será marcado pelo ressurgimento de algumas escolas (assim espero) e tem a difícil missão de apagar os erros de 2012. A confusão na apuração ainda está na memória das pessoas e alguns sentimentos de "vingança" ou de "temos que dar o troco" pairam no ar. Quem perde, fala que é injustiça. Quem ganha, se isenta de quaisquer acusações. 

Por um carnaval sem sujeira, sem maracutaias de qualquer tipo e sem rasgação de notas.