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quarta-feira, 26 de junho de 2013

Eu tô te explicando pra te confundir*

As duas últimas semanas têm sido bombardeadas por informações e opiniões de todos os lados. Como lidar?


Desde as primeiras manifestações até as (rápidas como nunca se viu) decisões em várias instâncias de governo, nós somos inundados por cada vez mais informação. Cada vez mais não sabemos onde isso vai dar. Cada vez mais não sabemos como isso se manterá. E cada vez mais, mais informação. Inclusive esse texto. Perdoem-me.

Opiniões de “conceituados” jornalistas não faltam. Li por aí que é no mínimo contraditório figurões do nosso jornalismo, que passaram por todas as outras manifestações, ditaduras, etc no Brasil estejam dando pitaco no que acontece hoje. Uns vão dizer: “mas é a voz da experiência, devemos ouvi-los”. Outros – eu (com)partilho mais para esse lado – afirmam que estão obsoletos, conservadores, reacionários, saudosistas e que essas “análises” devem ser feitas por quem está ali, presente. Por jovens – ou nem tão jovens assim – que dão suas opiniões a rodo nas redes sociais. Aliás, o que seria de tudo isso sem facebook e twitter?

Confesso: a quantidade de informação tornou-se pesada. Pesada por motivos próprios e acredito que muitos (não só jornalistas) estejam assim. Virou um vício saber o que está acontecendo, onde, porque, com quem, como. E isso em todos os meios de comunicação, sejam eles conservadores (como a Folha, globo.com, Estadão) ou “libertários” como a Carta Capital e, claro, o Facebook.

Tento me livrar disso. Mas é complicado. Pego um livro pra ler, que ainda não tinha lido: “Terror Global”, do Demétrio Magnoli, respeitado jornalista que trata de geopolítica. Evidentemente, o livro trata do terror instalado desde os atentados de 11 de setembro e seus antecedentes e projeções futuras. E, veja só, mais terror. Ah, e inclino-me a reler “Anatomia de um Instante”, do espanhol Javier Cercas. O livro trata do golpe de estado na Espanha e seus desdobramentos. Realmente, a violência e o terror tem seu charme. Esse texto do site “Papo de Homem” explica melhor: http://papodehomem.com.br/brevissimo-ensaio-sobre-o-fascinio-pela-violencia/

Entre um livro e uma notícia ou outra, assisto ao jogo do Brasil. Mais tensão. Ou então baixo o capítulo da novela de ontem e tento assisti-lo novamente. Em vão. Tomo um café. Procuro emprego.

Mas não quero perder o trem da história.

*verso da música "Tô", do Tom Zé.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

O adeus do papel e as boas vindas (?) dos tablets

O jornalismo brasileiro acompanha as transformações do jornalismo mundial. A canibalização por parte dos novos meios de comunicação – tablets, smartphones e desktops all-in-one com telas touch – estão mudando a forma de se consumir informação em todo o globo. Aqui no Brasil, essas mudanças já começam a surtir efeito.

O "novo" Estadão: o princípio do fim
A praxe, todos os veículos fazem: versões especiais para tablets, aplicativos com mais funções para smartphones, e, o mais básico, versões digitais das versões impressas. Exemplos não faltam: a Editora Globo tem quase todo seu portfolio de revistas dispoível na Banca da Apple, assim como a IstoÉ e a Veja. Os grandes jornais brasileiros seguem o mesmo caminho. Folha e Estadão contam com conteúdos próprios para esses aparelhos, expandindo a cobertura diária do jornal impresso.

Essa digitalização da informação trouxe consequências graves para algumas revistas americanas. Por lá, a tradicional Newsweek deixa de ser impressa para ganhar apenas formato digital. É um fato que observamos como assustador. O impresso está sendo deixado de lado – porém não integralmente substituído – pelo eletrônico e a tendência é cada vez mais jornais e revistas abandonarem o formato tradicional ou até mesmo serem extintas.

O último "JT"
Aqui no Brasil essa tendência é reforçada com dois acontecimentos. No dia 31 de outubro de 2012 foi às bancas a última edição do histórico Jornal da Tarde. Responsável por grandes transformações no jornalismo brasileiro, o JT marcou época com suas grandes reportagens e uma nova forma de dialogar com o leitor, antenado aos novos tempos. Foi exemplo para o novo jornalismo que surgia no Brasil, influenciando outros grandes nomes, como a Folha e o Estadão.

Um outro acontecimento – não tão tortuoso – vem com a reformulação promovida pelo Estadão a partir do dia 22 de abril. O jornal impresso tornou-se mais enxuto, acarretando a demissão de vários funcionários do jornal. A reformulação é pautada pela união de vários cadernos em um só, seguindo uma tendência de jornais menores, porém mais práticos e rápidos para a leitura num mundo cada vez mais sedento por rapidez e agilidade. Vale lembrar que o JT é do mesmo grupo do Estadão.






O jornalismo segue uma aposta que os livros também estão seguindo. Como disse o economista Roberto Luis Troster no “novo” Estadão – uma pequena coincidência, talvez – de ontem no artigo “A revolução de Gutenberg e as reformas brasileiras”: “É difícil prever o futuro do livro. Algumas inovações baratearam o custo de produção e distribuição, possibilitando edições menores e mais baratas. Há também novas formas de divulgação e armazenamento de informações, o que permite antecipar que o número de enciclopédias impressas seja reduzido e o uso de dispositivos de leitura como o Kindle e o iPad aumente. Entretanto, o encanto de um livro impresso bem escrito e encadernado com esmero ainda não tem substituto. Subsistirá”.


Nada substituirá o cheiro do folhear de um bom livro, o cheiro do papel e as mãos sujas de tinta do jornal. A não ser que criem um “app” para isso.