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sexta-feira, 7 de junho de 2013

Mexeu no bolso, o bicho pega

O aumento na tarifa de ônibus paulistana em 20 centavos desencadeia uma série de protestos...

foto: Thiago Queiros/Estadão
...protestos de uma juventude imbecil e inconsequente. As imagens mostram uma Avenida Paulista destruída – claro, parte por culpa da ineficiência e truculência da polícia militar – por “estudantes” que se dizem contra o aumento de 0,20 na passagem de ônibus. A “revolta” não passa de um bando de estudantes que muito provavelmente tem a condução (e mensalidade da faculdade) paga pelos pais. Muito provavelmente estudantes que pagam o olho da cara em festas e baladas. Muito provavelmente são estudantes que, àvidos por uma baderna, se jogam em qualquer manifestação, legitimando-a como justa e por uma boa causa. Mas manifestante que não mostra a cara – como os vários que usaram máscara para se esconder – só mostra que tem vergonha do que faz. E sabe que está errado.

Sabemos que sim, o aumento é um abuso, afinal subiu muito mais que a inflação no período. Sabemos que o serviço prestado não é lá grande coisa, e o problema acaba se estendendo não somente para o transporte público (ônibus/metrô/trem), mas para toda a mobilidade urbana (vias, avenidas). Sabemos que os salários não aumentaram na mesma proporção. Sabemos que a polícia é truculenta e é bem provável que tenham feito boa parte dos estragos. Mas nada disso legitima um protesto por 0,20. Sim, pode fazer falta para quem realmente precisa e mora nas periferias. Gente que mora na periferia, mas ainda assim compra tênis de quase mil reais e não reclama por isso. Estudantes que pagam meia tarifa, o que na prática resulta em um aumento de dez centavos. 

Manifestações truculentas podem garantir alguma mudança? Não. É só ver as diversas que ocorreram na Primavera Árabe. Muito barulho e poucos resultados. A diferença é que lá, sim, é por algo decente: a má política praticada naqueles países. Vejamos: no Chile, há um tempo atrás, manifestantes entraram em confronto com a polícia protestando por melhoras na educação. Veja bem, na educação. Ninguém aqui se mexe para protestar contra a má educação oferecida nas universidades públicas e mais ainda nas particulares. Mas quando mexe no bolso... Aí o bicho pega.

Acho que tudo não passa de uma minoria que se acha prejudicada e no direito de “parar” a cidade, mas uma minoria não só com o tipo “burguês revolucionário”, tão presente hoje em dia nas universidades. Mas do pobre anarquista e arruaceiro que adora uma baderna. Aliás, está virando moda: tudo vira protesto: a favor da família, contra o aborto, contra o aumento da passagem... Mas contra a corrupção, contra os maus serviços prestados em diversas áreas da sociedade, nada. Quando mexe no bolso, o bicho pega.

No fim do ano passado, em Portugal, uma manifestação de alguns milhares foi marcada por algo impensável em um protesto: o silêncio dos manifestantes. Contra o aumento dos impostos, contra os cortes nos salários e contra o desemprego, numa crise que atinge toda a Europa. Tudo no mais absoluto silêncio. Talvez não tenha adiantado. Mas ficou muito mais marcada do que qualquer “baderninha” causada por estudantes “revolucionários”.


Esse discurso “revolucionário anarquista” cansa.

terça-feira, 31 de julho de 2012

A greve sem razão de ser

"Negocia 'Dilma' vez!!": A presidente está em situação confortável.
Os alunos, não.

Me chamou a atenção esses dias, no Facebook, algumas fotos de “protesto” em razão da greve de professores em universidades federais. As mensagens, com aquele teor extremamente inquisitório e revolucionário, ataca em especial o governo. Segundo “eles”, o governo nada faz para impedir ou solucionar a greve. Enquanto isso, o governo está em Londres, nos Jogos Olímpicos. Como se este último evento fosse de menor importância ou que simplesmente não seria “justo” o país deixar de lado uma situação aqui para “se divertir” nos Jogos. Quanta bobagem.

O assunto foi tema da Revista Época, edição número 737, na opinião do cientista político Alberto Carlos Almeida. O autor diz que estamos pagando o salário de quem não trabalha. E não que ele está certo? A greve não tem razão de ser.

A greve perdura desde o dia 17 de maio. Os professores pararam de dar aulas, mas o salário... Sim, está lá todo mês. Do nosso bolso. E pior: se o governo aceitar os pedidos dos doutores, o imposto aumenta, pois o gasto aumenta. Como ele disse na reportagem, “Parece piada: aumentar impostos para destinar mais recursos a uma minoria que tem o doutorado completo e reivindica por meio de greves remuneradas”.

Greves são por maioria inúteis quando atingem o governo. Nessa greve de professores, quem apenas sai perdendo são os alunos, pois não têm aula. Os alunos são os verdadeiros prejudicados nessa história.

O propósito de uma greve é pressionar o patrão e com isso prejudicar uma produção, por exemplo. Se para a produção automobilística, as vendas de carros caem, pressionando os patrões a aceitar, pois o faturamento cai. Numa greve de professores, o governo não sofre nenhum tipo de prejuízo. Nenhum mesmo, afinal, continua pagando o salário normalmente. Ou seja, não há pressão alguma. Mesmo que pareça um “absurdo” o governo não intervir, o vilão dessa história é o grevista.

De acordo com o Ministério da Fazenda, “entre 2005 e 2010 o orçamento das 57 universidades federais aumentou 120%, sem contar os gastos com aposentados e pensionistas. Elas receberam quase R$ 20 bilhões em 2010 (...). No mesmo período, as vagas para estudantes de graduação cresceram somente 58%, segundo o Ministério da Educação”. É uma conta simples de se resolver. A diferença é grande. Enquanto isso, as universidades privadas mais que dobraram em número de alunos, de 2 milhões para 4,7 milhões no mesmo período. A greve não é por falta de investimentos do governo.

Um argumento defendido pelos grevistas é de que as salas de aula precisam ter poucos alunos e não 100 ou até mesmo 200 como tem hoje. Como se a quantidade interferisse na qualidade das aulas. Grandes universidades internacionais são assim e nem por isso são menos valorizadas. Outro argumento dos professores é que os gastos de 120% a mais foram destinados à pesquisa. Mas os pesquisadores continuam trabalhando, com recursos adicionais por meio da iniciativa privada. Como disse Alberto Carlos, “para os grevistas, só um tipo de recurso não é pecaminoso e assegura a independência acadêmica: aquele que vem do Tesouro Nacional – do nosso bolso”.

Resumo da ópera: para o governo, tudo continuará como está e as universidades privadas continuarão a crescer, podendo ultrapassar as federais em número de pesquisas e investimentos. Quem "ganha" com isso é o contribuinte, ou seja, você. Pode parecer egoísmo, afinal o dinheiro sai do nosso bolso e os alunos ficam sem aulas. Mas, se há investimento público, deveria ter no mínimo aula. E não é o que acontece até agora.