Mostrando postagens com marcador são paulo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador são paulo. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Não sabemos para onde estamos indo

Depois da esperança, a euforia e da incerteza, agora o medo toma conta das discussões sobre os atos realizados em todo o país.

"Não sabemos para onde estamos indo. Só sabemos que a história nos trouxe até este ponto e - se os leitores partilham da tese desse livro - por quê. Contudo, uma coisa é clara. Se a humanidade quer ter um futuro reconhecível, não pode ser pelo prolongamento do passado ou do presente. Se tentarmos construir o terceiro milênio nessa base, vamos fracassar. E o preço do fracasso, ou seja, a alternativa para uma mudança da sociedade, é a escuridão." (Eric Hobsbawm)

Ao ler cada vez mais depoimentos e textos (como este que mexeu com os brios de quem leu: https://medium.com/primavera-brasileira/dfa6bc73bd8a), as manifestações no país chegaram a um ponto que não se sabe o que está realmente acontecendo. A imprensa apoiando, casos estranhos de invasões, depredações, prédio da FIESP envolto na bandeira nacional, violência, mortes, enfim... São elementos que nos fazem remeter a outros golpes (não somente militar) que o Brasil sofreu. E de ficarmos atentos.


A discussão política esvaziou-se no momento em que não há uma pauta definida. O Movimento Passe Livre sempre defendeu a bandeira de que a luta era pela redução e extinção da tarifa de transporte público. O povo (a “massa”) foi aderindo, aderindo... Até que aqueles que repudiavam essa ideia (afinal a primeira manifestação reuniu duas mil pessoas) por ser apoiada por partidos de militância esquerda, hoje pedem para baixar bandeiras, etc. Pegam o bonde andando e ainda querem ter mais direitos do que quem realmente sempre lutou por isso. A ilustração acima resume tudo isso.

Veja bem: não critico a adesão de ninguém ao “movimento”. Rico, pobre, preto, branco, homem, mulher, gay, etc podem e devem envolver-se nesse tipo de questão. Mas é necessário um norte, uma direção para que não haja o esvaziamento ou ainda, o medo de algo pior. Movimentos radicais vêm se formado e isso é um perigo enorme. Os argumentos de “contra a corrupção”, “por mais saúde e educação” são válidos. Mas se dizer apartidário é, sim, uma bobagem. Como falaram aos montes, é suprapartidário. Dizer-se “apartidário” é oportunismo puro. Burrice. Daí aparece os pedidos imbecis de impeachment (se Dilma sai, Michel Temer assume. E aí?), fora “PT”, bandeiras queimadas, etc, sendo que o problema não foi resolvido desde muito tempo. Isso só confirma um fato: brasileiro tem memória curta. O historiador Eric Hobsbawm, no livro “Era dos Extremos”, já dizia que “a memória histórica já não estava viva”. É o que se aplica hoje ao acusar apenas uma pessoa ou um partido/movimento/direção política.

Ficou mais do que claro que as reformas polícias baseadas em transferência de renda chegaram a um esgotamento. De nada adianta agradar empresários e pobres, se quem está no meio é quem realmente sofre. Deu certo, é claro.  O país melhorou, pessoas saíram da miséria (mas ainda morrem de fome) e o mundo abriu os olhos pra cá. Não foi o suficiente. Existem coisas principais e mais graves, urgentes. O governo sentiu e já convocou reunião ministerial. Eles estão, sim, com medo. Todos. Direita, esquerda, verdes, todos.


Ainda acho e acredito que a única luta deveria ser pela educação. É utópico, mas é aí que está a raiz de todos os problemas. Essa é a minha luta e meu desejo de melhora. E o seu?

quarta-feira, 19 de junho de 2013

#vemprarua 2

Os protestos no país tem desencadeado uma onda de revolta – em quem está nas ruas e em quem está fora delas.

Vejo muitas pessoas, contrárias ou não à causa – se é que existe alguma definida – que condenam o fato de que muitas pessoas estão saindo às ruas e postando fotos, depoimentos e os (irritantes) check-ins no “feice”. Oportunistas sempre existirão. Seja para depredar, saquear ou só pra postar uma atualização de status #ogiganteacordou seguida de uma foto na Paulista.

Alguns outros coitados, que não conhecem história, mal sabem que aquela bandeira projetada no prédio da FIESP soa como uma afronta, das mais nojentas: a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo e seus empresários se deleitavam com as sessões de tortura no regime militar. Uma pena, pois a imagem é linda e não nego: tirei fotos.

Bonitinho, mas ordinário: prédio da FIESP envolto na
bandeira é o retrato da hipocrisia
O movimento se diz apartidário. Mas o que dizer dos gritos de impeachment para Dilma e Alckmin? A horda canda a plenos pulmões, mas será que sabem o quão importante significa isso? Será que realmente é caso de impeachment? A bem da verdade os dois não cometeram (ao que se sabe) nenhuma atrocidade a ponto de descambar essa revolta. Por outro lado, a insatisfação tem que ser jogada em alguém. Quem está acima paga o pato.

Com relação ao prefeito Fernando Haddad, a insatisfação é maior pois ele prometeu o “novo” muito recentemente. Milhões depositaram suas confianças transformadas em votos nele. Ao contrário de Lula que fez boas – mas não suficientes e nem importantes – mudanças no país. Quando saiu, o mensalão voltou à pauta e o resto todos nós sabemos. O grande problema do PT (seria um “novo” PT?) é a disparidade entre a esperança e confiança depositados e o saldo final. Não corresponde.

Se lermos um pouco de história, não adianta culpar os três representantes aí. A bomba estourou no momento mais oportuno: a chegada de grandes eventos esportivos no país. O todo-poderoso da FIFA, Joseph Blatter disse que o povo se esqueceria de tudo quando a bola rolasse. Isso antes, quando o futebol ainda era o ópio do povo e a seleção jogava bem.


Mas é impossível descrever a felicidade ao ver a Avenida Paulista, palco de festas em comemorações a títulos, ser tomada por algo muito mais importante que o futebol: o desejo de fazer um país melhor por meio da política e do povo.

terça-feira, 18 de junho de 2013

#vemprarua

Foram 12,9 km percorridos. Do Largo da Batata ao Palácio e depois até a Av. Francisco Morato.

Foi emocionante. Hino cantado, gritos de ordem feito piada, alegria, energia. As vias da cidade foram tomadas por uma horda enérgica, viva.

Gente de todos os tipos. O #vemprarua tomou o povo. E, olha, não foi por causa do futebol.

Não, Blatter, não vamos ignorar o que está acontecendo por causa da bola. #ogiganteacordou

Talvez tenha sido a primeira vez da maioria que estava lá. E a primeira vez a gente nunca esquece.

O Brasil está se rendendo. Jornalistas se rendendo. Quem diria, emissoras se rendendo. Mas a principal mídia hoje é, indiscutivelmente, o Facebook. Não me conformo como ainda tem gente que não admite isso.

Ver idosos e crianças, que raramente usam transporte público, mostra que esse é apenas um dos problemas. Idosos querem um Brasil melhor para seus netos. Jovens querem um futuro melhor.

Foram 230 mil pessoas em várias cidades. Brasília teve o Congresso Nacional invadido. O Rio levou 100 mil pessoas. São Paulo deu uma lição de protesto pacífico, uma coisa linda de se ver. E duvido que em SP tenham sido "só" 65 mil. O gif acima exemplifica isso.

Ontem em SP foi a desmoralização do aparato policial da cidade e do estado. O canto era: "que coincidência: não tem PM, não tem violência!".

Sobre o incidente no Palácio dos Bandeirantes, quem me garante que quem iniciou tudo foram pessoas infiltradas? Afinal, foto e vídeo de fogo chama mais a atenção.

Evidente que cada um ali está reivindicando algo. É muito disperso, não há uma unidade. O que é ótimo, visto que não há unidade política nesse país. Como muito bem disse o amigo Thassio Borges, "as pessoas ainda não sabem o que querem, mas já descobriram o que não querem". Li muitas opiniões, em vários jornais, mas nenhuma explica a situação atual como essa.

Como li por aí, quem não está na rua, quem está omisso, quem não diz nada, está perdendo o trem da história. As pessoas estão fazendo parte da história. E quem ainda acha uma bobagem, ainda é tempo: #vemprarua !

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Eu acredito é na rapaziada!

É complicado escrever, sendo que já escreveram aos montes. Às vezes é falar mais do mesmo. A maioria tem a mesma opinião. Há muito tempo não se via algo desse tipo no país. Há muito tempo não se via tanta gente mobilizada, seja pelo corpo presente, seja pela internet. E sim, as coisas estão mudando.

Ver Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo num dia incitando a violência e “máximo rigor” da PM em seus editoriais e no mesmo dia ter vários de seus repórteres atingidos é catártico. No dia seguinte, o discurso muda e as manchetes são inundadas por reações contrárias à PM. Catártico. A imprensa já muda o discurso, em todos os lugares. Estão lá, todos os conglomerados de mídia que apoiavam não só o momento atual, mas coisas que vem desde a ditadura. E hoje, é o que vemos nas capas de jornais e sites.

E é impressionante as pessoas que ainda acham que tudo o que está acontecendo é por causa de vinte centavos. Como já disse, os 0,20 são uma máscara para esconder outros problemas tão graves quanto o transporte público. Pior ainda quem culpa o Tiririca pela “burrice” do povo em escolher mal seus governantes. Tudo o que está acontecendo é justamente para mostra que tem que haver mudanças, em todos os setores: educação, transporte, saúde... E, aí sim, seremos mais inteligentes para qualquer coisa, não só para votar. O momento não deve ser mais de manifestação e sim de revolução, como vi em um dos vários depoimentos e opiniões sobre o caso.

A PM mostrou ontem sua verdadeira face: truculenta, desesperada, despreparada e, comportando-se como filhotes da ditadura, mostraram como se faz democracia. É repugnante ver os vídeos dos manifestantes gritando “sem violência!” e ver um dos paus-mandados do governo estadual mandando bala de borracha à esmo. É nojento ver o PM quebrando o vidro da própria viatura para sabe-se lá o que. É triste ver pessoas que nada tem a ver com a manifestação levarem tiros de borracha e se intoxicarem com gás. E eu, como profissional de comunicação, é de chorar ver os jornalistas e fotógrafos que talvez nem lá queriam estar, mas estavam no fogo cruzado e saíram feridos. Feridos física e moralmente.


Enquanto isso, reescrevo um trecho que li num dos melhores textos sobre o caso. A parte que fala sobre como a Copa do Mundo e várias outras coisas estão interferindo na sociedade, impostas como um padrão e de qual a imagem que esse país quer mostra para o mundo é brilhante. E finaliza: Aqueles que vão para a frente do computador defender a repressão e carimbar, com seu carimbo interminável de rótulos, os manifestantes, não merecem preocupação: estão apenas perdendo o trem da história. (fonte: http://impedimento.org/milhares-ja-escolheram-sapatos-que-nao-vao-apertar/)

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Um erro

fotomontagem Rolet20conto
Retiro (quase) tudo o que está dito na postagem que vem logo depois desta.

Mantenho o texto pois já está publicado. Lido por não sei quem. Mas publicado.

No mesmo espaço que uso para falar o que penso, quero usá-lo para falar que mudei o que pensava.

Não é uma "juventude imbecil e inconsequente". Temos, claro, os laranjas podres. Como em qualquer organização. Nesse texto, o outro lado da manifestação: http://papodehomem.com.br/o-protesto-que-eu-nao-vi-pela-tv/

Talvez não seja um "bando" de estudantes.

Mas ainda acho que quem não mostra a cara, algo de errado está fazendo.

E sim, a tarifa é alta. Os vinte centavos (ou dez para estudantes que pagam meia) de aumento soam como uma afronta ao serviço que é prestado. A palavra é: aumento. Esse é o problema, e não necessariamente o valor. Não só em São Paulo, mas em várias outras capitais.

Os vinte centavos são máscara que esconde outros problemas: corrupção, abusos de poder, desvios, má educação oferecida nas escolas, serviços de saúde ineficientes, violência, etc.

Não, não é uma minoria, apesar de ter (infelizmente) alguns "burgueses revolucionários" e "pobres arruaceiros".

Que esses protestos desencadeiem mais uma serie de outras manifestações em prol de outros temas.

A "baderninha" se tornou algo muito maior que isso. Ganhou até repercussão internacional: http://internacional.elpais.com/internacional/2013/06/12/actualidad/1371000636_370579.html

Protesto, via de regra, não tem regra.

A sociedade tem pago caro com os protestos. Mas, é o preço.

Talvez melhore. Talvez não.

Talvez faça valer o ditado "há males que vem para o bem". Talvez não.

Ainda acho que o "discursinho revolucionário anarquista" cansa.

Mas passei a achar - sim, depois de assistir todos os protestos, todos os lados (o que a mídia quer mostrar e o outro lado que - ainda bem - conseguimos ver pela internet) ao "Profissão Repórter" de ontem - que a situação é muito pior do que o ônibus que pego aqui na zona norte e vou ao centro.

Ou então a situação é muito pior do que o trânsito que você invariavelmente pega (com protesto ou não) confortável em seu ar-condicionado e vidros fechados protegidos por insulfilm (ou blindados), parados, sem produtividade alguma e reféns, veja só, de uma polícia truculenta e ineficiente, por vezes mais suspeita que a própria bandidagem. Inclusive nessas manifestações.

Enfim, não é um pedido de desculpas. Tampouco retratação, pois acredito que não tenha ofendido ninguém. Aliás, é preciso tomar cuidado pois qualquer coisa hoje pode ser ofensa.

Não é falta de convicção. Aliás, as convicções são quadradas.

Assim como são quadradas as pessoas que acham que "a polícia deve descer chumbo nesse bando de vagabundos".

Tomara que a situação mude para melhor e que os "vagabundos" de hoje se tornem um exemplo (ou algo assim) de mudança de amanhã.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Mexeu no bolso, o bicho pega

O aumento na tarifa de ônibus paulistana em 20 centavos desencadeia uma série de protestos...

foto: Thiago Queiros/Estadão
...protestos de uma juventude imbecil e inconsequente. As imagens mostram uma Avenida Paulista destruída – claro, parte por culpa da ineficiência e truculência da polícia militar – por “estudantes” que se dizem contra o aumento de 0,20 na passagem de ônibus. A “revolta” não passa de um bando de estudantes que muito provavelmente tem a condução (e mensalidade da faculdade) paga pelos pais. Muito provavelmente estudantes que pagam o olho da cara em festas e baladas. Muito provavelmente são estudantes que, àvidos por uma baderna, se jogam em qualquer manifestação, legitimando-a como justa e por uma boa causa. Mas manifestante que não mostra a cara – como os vários que usaram máscara para se esconder – só mostra que tem vergonha do que faz. E sabe que está errado.

Sabemos que sim, o aumento é um abuso, afinal subiu muito mais que a inflação no período. Sabemos que o serviço prestado não é lá grande coisa, e o problema acaba se estendendo não somente para o transporte público (ônibus/metrô/trem), mas para toda a mobilidade urbana (vias, avenidas). Sabemos que os salários não aumentaram na mesma proporção. Sabemos que a polícia é truculenta e é bem provável que tenham feito boa parte dos estragos. Mas nada disso legitima um protesto por 0,20. Sim, pode fazer falta para quem realmente precisa e mora nas periferias. Gente que mora na periferia, mas ainda assim compra tênis de quase mil reais e não reclama por isso. Estudantes que pagam meia tarifa, o que na prática resulta em um aumento de dez centavos. 

Manifestações truculentas podem garantir alguma mudança? Não. É só ver as diversas que ocorreram na Primavera Árabe. Muito barulho e poucos resultados. A diferença é que lá, sim, é por algo decente: a má política praticada naqueles países. Vejamos: no Chile, há um tempo atrás, manifestantes entraram em confronto com a polícia protestando por melhoras na educação. Veja bem, na educação. Ninguém aqui se mexe para protestar contra a má educação oferecida nas universidades públicas e mais ainda nas particulares. Mas quando mexe no bolso... Aí o bicho pega.

Acho que tudo não passa de uma minoria que se acha prejudicada e no direito de “parar” a cidade, mas uma minoria não só com o tipo “burguês revolucionário”, tão presente hoje em dia nas universidades. Mas do pobre anarquista e arruaceiro que adora uma baderna. Aliás, está virando moda: tudo vira protesto: a favor da família, contra o aborto, contra o aumento da passagem... Mas contra a corrupção, contra os maus serviços prestados em diversas áreas da sociedade, nada. Quando mexe no bolso, o bicho pega.

No fim do ano passado, em Portugal, uma manifestação de alguns milhares foi marcada por algo impensável em um protesto: o silêncio dos manifestantes. Contra o aumento dos impostos, contra os cortes nos salários e contra o desemprego, numa crise que atinge toda a Europa. Tudo no mais absoluto silêncio. Talvez não tenha adiantado. Mas ficou muito mais marcada do que qualquer “baderninha” causada por estudantes “revolucionários”.


Esse discurso “revolucionário anarquista” cansa.

domingo, 19 de maio de 2013

É preciso uma virada na Virada Cultural


As mortes e arrastões na Virada Cultural só mostram que a cidade de São Paulo ainda não está preparada para um evento desse porte. Ou então chegou a hora de rever o que deve ser entendido por uma Virada Cultural.

Obviamente, é importante frisar: são fatos isolados. Mas a cada ano crescem os relatos de quem viu arrastões, brigas, etc. As mortes e feridos constatados são poucos diante dos inúmeros roubos que acontecem em vários locais. Há ainda aqueles cidadãos que nem boletim de ocorrência fazem, diante da inércia da polícia e da falta de paciência em realizar um processo tão burocrático – e que não resolverá nada, só vai virar estatística. Discussões partidárias, como a Folha de S. Paulo quer fazer, não cabem aqui.

Já fui no evento em 2009, quando a virada estava em sua 5ª edição. Não vi nada de anormal, nenhuma briga, muito menos arrastão. Aliás, foi um dos eventos mais legais que já fui. De lá pra cá muita coisa mudou, principalmente a frequência de público. Não há como negar: a visibilidade aumenta, um prato cheio para pessoas que não estão ali para ver uma atração.

É preciso rever o conceito da Virada Cultural, aparentemente esgotado. É preciso descentralizar. É preciso rever o conceito de cultura, até porque ter como atração Rita Cadillac não me parece algo “cultural” (mas “cultura” é algo para todos, tem quem goste: lá vem a bandeira do politicamente correto contra o preconceito). A cidade de São Paulo é muito grande e tem muitos espaços para eventos. A concentração das atrações no centro é prejudicial, pois a concentração de público e o risco são maiores. Logisticamente, é muito mais fácil: opções de transporte público não faltam e é muito mais barato aglutinar toda uma estrutura (palcos, iluminação, segurança) em uma única região. As outras regiões ficam restritas a SESCs (com atrações muito mais qualificadas). E só. E o Anhembi? E o Ibirapuera?

É preciso, acima de tudo, que o cidadão paulistano faça valer todos os impostos pagos. Afinal, a ilusão de que o evento é “gratuito” é fácil de ser vendida: grandes cantores, “de graça”. Balela. Tudo ali foi tirado do nosso bolso. Ainda assim, os grandes cantores e as peças teatrais, danças, e artes que ali se apresentam não merecem ter seu nome vinculado a um evento desorganizado e perigoso.

É um direito nosso exigir mais qualidade – de atrações e segurança – de um evento que propõe levar cultura a cada vez mais pessoas.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Os três patetas

Este que vos fala disse, em 13 de dezembro de 2012, quando o São Paulo ganhou a sub-Libertadores – mais conhecida como Copa Sul-Americana – que “2013 aponta um grande ano para o futebol brasileiro, especialmente o paulista. O trio de ferro paulista disputará a Libertadores (...). Prato cheio para quem gosta de futebol”.

Só não sabia que seria um grande ano pra o mal e um prato cheio de coisas ruins.




Mas, vejamos: o Corinthians foi eliminado com uma mão enorme do juiz, isso é fato. Porém, vejamos: o Boca foi superior. Marcou um gol lá, numa das piores atuações do Corinthians no ano e teve competência para marcar um aqui (um golaço do velho Riquelme), além do time de Carlos Bianchi (dono de 4 Libertadores, sendo 3 pelo Boca) ter neutralizado a partida. 

Mas, vejamos novamente: o mesmo time em 2005 participou de um dos piores escândalos do nosso futebol, envolvendo, veja só: a arbitragem. E ainda vejamos: os torcedores não admitem a derrota (jogando a culpa em um fator externo e sempre presente no futebol, para o bem e para o mal: a precariedade da arbitragem sul-americana) e não admitem a superioridade (pouca, é verdade) do Boca Juniors.

E, como cortesia, o São Paulo foi eliminado (por 4 a 1) pelo ótimo Atlético-MG, que foi o vice campeão brasileiro de 2012. Enquanto isso, o Boca amarga a 19ª posição do Campeonato Argentino, depois de 13 rodadas. Tiro trocado não dói.

Enfim, “soberanos” em tapar o sol com a peneira.

Agora, vamos ao futuro. Aos fatos vindouros. Opondo São Paulo e Corinthians para 2013, temos (veja bem: nada de 6-3-3, nada de glórias do passado. É uma projeção futura):

- Brasileirão: os dois times disputam. O Corinthians, claro, com um time muito melhor e mais bem organizado que o São Paulo);

- Recopa Sul-Americana: os campeões dos torneios sul-americanos de 2012 se enfrentam;

- Copa do Brasil x Copa Sul-Americana: o Corinthians disputa a primeira e o São Paulo a segunda por ser oatual campeão. As duas garantem vaga na Libertadores 2014, o que as coloca em pé de igualdade. Mas, são dois níveis: a primeira é a segunda competição nacional e a segunda, é a segunda competição internacional.

- Paulista x Copa Suruga Bank: o Corinthians disputa a final no próximo domingo e o São Paulo campeão da Sul-Americana vai ao Japão disputar contra o campeão japonês. Dois títulos que não valem acesso a nada. Mas, novamente, é um torneio internacional contra um regional.

- Audi Cup: um brinde (internacional) para o São Paulo.

São fatos. Lembrando, é o futuro. Nada de “soberano” e coisas do tipo, afinal título passado não traz novos. O fato é que os dois foram eliminados da principal competição no ano, na mesma fase e não cabem mais desculpas (ou é o Lúcio, ou é Rogério, ou é juiz, etc).

Como uma criança birrenta, a grande massa corintiana não aceita a derrota, justificando com a frase-pronta "não vivemos de títulos" e o quanto amam o time mais que os outros, e bla bla bla.

Ainda assim, muitos corintianos – no auge da “arrogância soberana” (que tanto criticam no São Paulo) vão continuar tapando o sol com a peneira.

P.S. 1: Esqueci do Palmeiras. Disputa a Série B do Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil. 
P.S. 2: QUACK!
P.S. 3: Quem ri por último, Riquelme.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Justificar o injustificável



Aquele que mais deu alegrias e vitórias ao clube e à torcida, hoje é o que sai de maneira quase melancólica, no alto de uma arrogância sem igual.

Rogério Ceni nos últimos dois anos só fez uma coisa de importante (tirando a Copa Sul-Americana): marcou o 100º gol em cima do Corinthians. Mas, espera: ele é um goleiro e como tal deveria cumprir melhor esta função. Que já cumpriu muito bem, aliás. Mas hoje é só história. Ao invés de ter se aposentado antes, abrindo espaço para novos goleiros, preferiu sair de cena humilhado. Poderia ter evitado, afinal depois de tantas conquistas, RC não merecia esse fim.

O preço é alto.

Por outro lado, aquele que não ganhou sequer um título – a Sul-Americana de 2012 não vale, já que nem em campo entrou -, Luís Fabiano (como que numa piada) não foi expulso e ainda marcou um gol! Quando o SPFC já perdia de 4x0.

Tarde demais.

O zagueiro Lúcio, este sim o grande responsável pela eliminação tricolor, continuará no time ganhando seu alto salário e com seu carro de luxo, exigências feitas por um zagueiro “ex-experiente” vindo da Europa.
Inexperiência.

E o mandatário whiskeiro, Juvenal Juvêncio, permanecerá imortal no trono tricolor. Soberano! Soberano?

Soberano.

E a torcida? Continuará com a falácia – tão arrogante quanto o goleiro – do 6-3-3 e “falta muito para os outros chegarem”. Não se pode levar ao pé da letra o verso do hino: “as tuas glórias vem do passado”. Uma idiotice, já que títulos passados só fazem números, não trazem novos.

Enquanto o torcedor fala, os outros ganham.

Isso sim é justificar o injustificável.

E como disse um amigo: “eu amo esse clube, não esse time”. Um clube, três cores, um esporte. E só.

O resto é conversa.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

A hora e a vez da zona norte de SP em "Sangue Bom"


Globo aposta novamente em São Paulo para a novela das 7. Dessa vez acertou em cheio.

A estreia de “Sangue Bom” esteve cercada de expectativa. O fracasso do remake de “Guerra dos Sexos” – média geral de apenas 22 pontos – acendeu o sinal vermelho na emissora. Escrita por Maria Adelaide Amaral (outra especialista em São Paulo assim como Silvio de Abreu, o antecessor) e Vicent Villari, “Sangue Bom” acerta em cheio ao retratar uma São Paulo sem caricaturas (não há nenhuma Mooca para alguém falar “orra, meu!”) e com todas as suas nuances.

A novela é colorida e ágil graças à influência da urban art. Graffiti e flores convivem num abiente geralmente retratado pelo cinza. Sinceramente, não vi clichês da cidade. Talvez por retratar uma região pouco conhecida: a zona norte. Ambientada na Casa Verde (Villari nasceu e morou no bairro), no Jardim São Bento e em outros bairros como o Imirim e o Limão, a novela expõe as diferenças sociais de cada lugar. Uma Casa Verde simples, com características de bairro em que as pessoas ficam na rua e com seus barzinhos de música ao vivo. Há também uma escola de samba (a zona norte conentra o maior número de escolas na cidade), que foi despejada para dar lugar a um empreendimento imobiliário – a zona norte tem um dos maiores booms de crescimento residencial na cidade. Por outro lado, há o Jardim São Bento emergente, rico. Nada de Jardins e Mooca. A cultura urbana se fez presente ainda com o rap e o hip-hop: o rapper Emicida, natural da zona norte, fez uma participação num protesto durante o lançamento do empreendimento – aliás, bem chato, irreal, um flashmob mal feito.

Enquanto “Guerra dos Sexos” exagerou na caricatura e no humor infantil, “Sangue Bom” acerta o tom. O humor é irônico, sutil. Maria Adelaide é experiente no assunto e traz personagens caricatos, mas não esquisitos: a Bárbara Ellen de Giulia Gam promete ser o destaque da novela. As tiradas da atriz decadente que tenta a fama a qualquer custo vão virar memes nas redes sociais. Diz que está “cansada de dividir pinça e cremes com um metrossexual” quando está se separando do jovem Jonathan James, um garotão que enriqueceu as custas do casamento com a atriz. Convoca a imprensa para divulgar a separação e um dos filhos adotivos diz: “a mídia adora uma vítima”. O ponto máximo foi quando Bárbara fala da traição de Jonatan com Brunetty (Ellen Roche, perfeita para o papel): “eu quero ver a cara de cu...íca daqueles dois!”. Esses tipos estão aí, aos montes, despejados em sites e revistas. É uma crítica bem humorada, sem ser canhestra ou ofensiva.

O elenco de protagonistas é jovem e garante bons momentos. Sophie Charlotte (Amora, a itgirl, adotada por Bárbara) é fútil como a mãe, mas é o grande amor de Bento (Marco Pigossi), criados no mesmo orfanato na Casa Verde. Ele é pobre e ela está de casamento marcado com Maurício (Jayme Matarazzo). Giane (Isabelle Drummond) é a doce maloqueira, também apaixonada por Bento e criada no orfanato. Malu (Fernanda Vasconcellos) é apaixonada por Maurício, noivo da irmã Amora, já que é filha legítima de Bárbara – e é rejeitada. O rebelde Fabinho (Humberto Carrão) também vem do orfanato, mas foi para o interior onde vive com a mãe, outrora rica por causa do pai. Além desses, o elenco tem estrelas como Malu Mader, Letícia Sabatella, Marco Ricca, Herson Capri, Regiane Alves, Felipe Camargo, Yoná Magalhães, Daniel Dantas, Louise Cardoso, Deborah Evelyn, Ingrid Guimarães e Marisa Orth, voltando aos bons tempos de humor como a ex de Wilson (Marco Ricca). Como é possível ver, o elenco é grande: 64 personagens.

A trilha sonora consegue fazer um mix da atual São Paulo: samba, pagode, rap e hip-hop, dando voz aos guetos da cidade. No primeiro capítulo a trilha foi jogada aos ouvidos, sem miséria. A abertura fica por conta do fraco Sambô, com uma releitura de “Toda Forma de Amor”. Como não poderia deixar de ser, a abertura é colorida, com floriais, abusa dos grafismos e da modernidade para retratar um jovem conectado, cosmopolita, urbano.

O primeiro capítulo não mostrou todos os personagens e nem o potencial daqueles que podem fazer barulho, como a corintiana Giane. Foi ágil e tem fôlego para muito mais. Mas mostra que é possível ver uma São Paulo que vai além dos clichês Mooca e Jardins, que existe São Paulo além desses bairros. E eu, como morador da zona norte e nascido na Casa Verde, é um prato cheio. Segundo a prévia no Ibope, atingiu 26 pontos com picos de 28, abaixo da estreia de “Guerra dos Sexos” (28) e ainda abaixo da meta (30).

“Sangue Bom” não tem muitas pretensões. É um bom produto, mas parece que ainda falta alguma coisa. É tudo muito bonito, tudo lindo, como se todos os personagens vivessem em harmonia. Falta “sangue”, porque de “bom” já basta a zona norte.


sexta-feira, 26 de abril de 2013

Não há mais dúvidas: Eduardo Campos é o novo candidato à presidência


O PSB de Eduardo Campos veiculou na noite ontem (25/04) uma propaganda de 10 minutos no horário nobre da TV, sem dizer que é o futuro candidato à presidência. Nem precisou. Foi dado o pontapé inicial para a corrida ao Palácio do Planalto.

A nova aposta para a eleição presidencial
Governador de Pernambuco, Campos tem sido o principal nome a fazer oposição a Dilma Rousseff para a disputa de 2014. Apesar de ainda não contar com apoio popular, o partido já mostra suas armas, elencando todas as qualidades do governo pernambucano – o mais bem avaliado do país – e das boas administrações do PSB em várias cidades do país.

Curioso notar que o PSB é da base governista, portanto, deveria apoiar a reeleição de Dilma. Mas estamos num país democrático e, claro, esse não é o tipo de amarra que prenda um partido. Esse fato apenas mostra o quanto a base está descontente com o governo irregular que vem fazendo o PT e o quanto a oposição está acomodada – para não dizer avacalhada.

Campos e Lula: bons tempos, idos tempos

O PSDB de dinossauros da política mantém-se no discurso, na falácia, e não se mexe. Faz uma oposição inexistente no país. Não há uma movimentação no campo das ideias que possam fazer o brasileiro médio pensar em outra opção. A disputa fica por conta de acusações – por vezes infundadas – para tentar derrubar o PT e outros. Ledo engano, senhores. Os dois partidos são farinha do mesmo saco, apenas alguns se salvam, incluindo FHC e Eduardo Suplicy.

Aécio Neves: "Ei, estou aqui, votem em mim!"
Enquanto os tucanos resolvem picuinhas envolvendo a permanência – já que foi sumariamente excluído da disputa presidencial – de José Serra no partido e quem deve apoiar o já outrora boa opção Aécio Neves, os outros partidos se organizam e se mexem, como o PSB de Eduardo Campos. Aparentemente bem organizado, mostra que é possível fazer frente ao PT sem descambar para o esdrúxulo, o pequeno, o irrisório.

Já me disse um professor: “a permanência de um mesmo governo por muitos anos é prejudicial à democracia do país”. O PT faz 12 anos no governo, envolto por grandes melhorias (“Nunca antes na história deste país...”) mas envolto por escândalos de corrupção e outras coisas mais. No Estado de São Paulo, o PSDB comanda há 18 anos, já sucateado. Talvez esteja na hora de mudar e Eduardo Campos para presidente se mostra uma boa opção. Vamos ver se o candidato tem fôlego para bater os 79% da aprovação pessoal de Dilma Rousseff. Ou então é bom dona Dilma se preparar:
 
Dilma com cara de "ih, f****!"

domingo, 3 de fevereiro de 2013

O povo aplaude e está tudo certo

2013 tem sido um ano diferente dos outros no samba de São Paulo. Não só pela confusão na apuração em 2012, mas no samba como ritmo e espetáculo. Os ensaios técnicos só corroboram essa visão.


Ao acompanhar a maioria das escolas de samba, é visível o esforço da maioria delas em mostrar o que realmente importa: o ritmo. Império de Casa Verde, X-9 Paulistana, Rosas de Ouro, Tucuruvi, entre outras, vem com breques e bossas diferenciadas. O Vai-Vai continua com uma bateria forte, ousando em poucos momentos. É o estilo do quase lendário Mestre Tadeu e isso vai demorar para ser alterado. Enquanto isso, a Mocidade Alegre, outra boa bateria, vem com coreografias, uma marca que dura há algum tempo.

E isso cansa.

Ih! A bateria sumiu? Não, foi dançar
As “paradinhas” e breques das outras escolas não causam mais a comoção e a empolgação de outrora. O ritmo é deixado de lado para a realização de coreografias mirabolantes, círculos, rodas, cruzamentos, embaralhamentos, enfim... Um espetáculo visual que arranca aplausos efusivos de uma plateia que é tomada não pelo ritmo – este aparentemente deixado de lado – mas pelo apelo visual que causa. Abaixo, apartir dos 5:05, a coreografia nova que a escola trará para a avenida. Não achei um vídeo com a visão da arquibancada, mas por aqui já dá para ter uma noção do "pirambolê":




Nenhuma outra bateria faz isso nesse grau de elaboração de coreografia. No máximo uma viradinha, um passo pro lado, pro outro... Vejo que é uma preocupação da Morada do Samba em, a cada ano, mostrar algo diferente. Na coreografia, claro, pois o ritmo é o mesmo, as características são as mesmas, a “paradona” esta lá... Mas e aí? Vale a pena deixar a criatividade no RITMO para criar uma ala coreografada na bateria?

As voltas que a bateria faz são aplaudidas de forma inconstestável. Claro, são difíceis e necessitam treino. A deste ano é de uma ousadia sem igual, e o caracol está lá, como se fosse uma obrigação desta escola em fazer isso. Mestre Sombra é um dos melhores de São Paulo, mas não ouço (pois ver cansa) mais um ritmo diferente numa bateria que tem, como única função manter o ritmo e a criatividade nas bossas. Dancinhas não contam ponto, não interferem na evolução. Pode até ser uma forma de “pressão”, já que o povo fica em êxtase e os jurados podem, talvez, ficar “impressionados”... Besteira, para não dizer outra coisa.

Essa é uma característica da escola, que tem uma presidente espertíssima em arrancar aplausos de uma plateia surda, que preza não pelo som, mas pelo que vê. Mas espero, um dia, que dancinhas e coisas do tipo acabem de uma vez por todas. 

PS.: A bateria (e harmonias e, claro, a presidente), ao terminar o ensaio (já atrasado) depois de o cronômetro estar zerado, sair da dispersão e voltar para a pista foi de um desrespeito sem tamanho. Mas o povo aplaude, e está tudo certo. 

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Suor, sangue e lágrimas - e um pouco de recalque


O torcedor medíocre, além de não cuidar só do próprio time, vive do desmerecimento dos outros. Simples assim, seja qual for a competição.

O São Paulo volta a erguer a taça, coisa que não via desde 2008. A partida contra o medíocre time argentino tigre (com letra minúscula mesmo) ficará na história do futebol pelo abandono covarde do time visitante, que no segundo tempo desistiu de jogar (na bola, pois com eles é no braço) quando o São Paulo ganhava por 2 a 0, gols de Lucas e Oswaldo.

O torcedor tricolor viu a despedida emocionante de Lucas, que teve a bracadeira de capitão posta no braço pelo goleiro Rogério Ceni, numa das atitudes mais emocionantes e marcantes no futebol brasileiro. Só lamentos para Luís Fabiano que ficou à espreita e não pôde ter a glória de subir no tótem e erguer a taça. Fica a lição de como se constrói um ídolo, ainda que este seja apenas um jogador ainda em formação, não chegando a ser um craque.

Um título especial para o trabalho de Ney Franco, que conduziu o time à conquista. O treinador montou um time equilibrado, sem brilhantismos, mas eficiente para ganhar uma Copa Sul-Americana invicta e fazer uma boa campanha no segundo turno do Brasileirão. O título é, em grande parte, de Ney Franco.

Aí, claro, vem o desmerecimento dos rivais. Aqueles que “antis” (com o perdão do trocadilho) falavam que só cuidavam do próprio time, hoje desmerecem o título do São Paulo, como se este fosse o culpado. Outros, em menor situação, recorrem ao passado, mesmo que o futuro seja um lixo, de “segunda” linha. E o resto, recalque puro. Acusar o São Paulo é fora de propósito, que jogou na bola e no pé. E enquanto houver esse desmerecimento - o que alguns dizem que é "humor" - o futebol sul-americano continuará assim, sem ser levado a sério.

Não se sabe o que aconteceu no vestiário do time argentino. Antes do jogo a organização do São Paulo impediu os visitantes de treinarem no campo – o tricolor alegou que o campo não tinha condições boas pois houve show na semana anterior – o que, do ponto de vista lógico serviu para preservar o campo para o jogo. Espaço, como sempre, os visitantes tem atrás do gol para treinar. Mas, mesmo assim, invadiram o campo. O jogo, como quase todo mundo viu, foi aquele festival de catimba e violência argentina, algo costumeiro. O São Paulo marcou os dois gols, Lucas tomou uma cotovelada, sangrou. Acabou o segundo tempo e aí... Medo, revolta, dizem até que a polícia e os seguranças do São Paulo agrediram os jogadores, ameaçando com armas. O sangue nos vestiários e a baderna encontrada não são provas, que, aliás, podem ser uma grande armação. Me de imagens, como diria Datena.  A comissão do tigre diz que tem as imagens. O que se diz também é que os jogadores do tigre queriam invadir o vestiário tricolor para tumultuar e os seguranças impediram. Agora, me diga: os seguranças ficariam inertes àquela situação? Deixariam os argentinos invadirem sem tomar nenhuma atitude? Simplesmente deixariam a confusão rolar? É óbvio que teria que usar a força. Culpar o São Paulo por isso é puro recalque.

Não era uma goleada. Não era um jogo incrível. Mas, essa é a escola argentina, que vai do genial Messi à esse anti-jogo, uma atitude anti-desportiva, baixa, e todos os piores adjetivos possíveis. Cabe aqui, muito bem, um banimento em competições internacionais. Se bem que isso talvez possa demorar um pouco, falando bem a verdade...

2013 aponta um grande ano para o futebol brasileiro, especialmente o paulista. O trio de ferro paulista disputará a Libertadores – além de ter ganho um título cada um até o momento – e ainda teremos a Recopa entre Corinthians e São Paulo. 


Prato cheio para quem gosta de futebol.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Depredação no aeroporto nenhum corinthiano compartilha...

"Só eles fazem isso", diz o rival cego e esquecido.
...e são-paulinos esquecem (eu, pelo menos, não) da depredação da Paulista em 2005 (Libertadores) e palmeirenses esquecem do vandalismo no Pacaembu este ano. A manchete tinha que continuar, mas ficaria muito extensa.


O texto a seguir pode parecer chapa-branca, com a velha - e inexistente -  ideia do "jornalismo imparcial", com a conotação de puxa-saco, e por aí vai. Mas não, estimado leitor. É apenas uma constatação simples.

Fazia tempo que eu não falava sobre futebol nesse espaço, mas a chegada do Mundial de Clubes e os recentes acontecimentos me forçaram a escrever, já que as redes sociais não me permitem fazer uma reflexão maior sobre o assunto.

Pois bem. O Corinthians embarcou ontem para Dubai, local da preparação para o Mundial. Aproximadamente 17 mil corinthianos lotaram o Aeroporto de Guarulhos para festejar e despedir-se dos jogadores, que embarcaram pela madrugada. Festa, muita festa. Algo típico da torcida corinthiana e, veja bem: isso não é uma crítica.

A festa terminou, os festejos no Facebook foram aos montes e aí, os rivais se aproveitaram da situação para expor suas glórias passadas: “o meu time juntou tudo isso em 2005. O meu time lotou a livraria”, e por aí vai.  Junte a isso a depredação no aeroporto. Pronto. Prato cheio para os rivais debocharem da torcida corinthiana – cunhando com os mesmos adjetivos pejorativos de sempre. Não vejo problema na euforia corinthiana. Uns falam em superioridade. É, pode até ser por parte de alguns. Mas num momento como esse, é tão natural que isso aconteça quanto a festa do São Paulo na conquista do mundial em 2005. Pela primeira vez vão disputar um Mundial “do jeito certo”. E não, a torcida corinthiana não é diferenciada. Só a concentração de fanatismo que é maior, isso não há dúvidas. “Diferenciada”, que seja por isso, mas não por outro motivo. A superioridade começa quando o fanatismo deixa guiar. 

Mas aí a nuvem da hipocrisia paira por todos os lados: corinthianos que – com toda justiça e direito – se gabam de ter levado 17 mil pessoas a um aeroporto (chega a ser mais gente que um estádio, é bem verdade) e os rivais palmeirenses e são-paulinos compartilhando aos montes a foto da depredação - o que, de fato, é condenável. O curioso é que, esses mesmos tricolores esqueceram (eu não esqueci) que os torcedores depredaram a Avenida Paulista na “comemoração” pela conquista da Taça Libertadores em 2005, num dos maiores casos de vandalismo já vistos no local. Veja aqui: http://www1.folha.uol.com.br/folha/esporte/ult92u91703.shtml e aqui http://esportes.terra.com.br/futebol/libertadores2005/interna/0,,OI592325-EI4588,00.html E os palmeirenses, recentemente, depredaram o Pacaembu. O problema é que, se fosse o São Paulo ou qualquer outro time, corinthianos estariam "compartilhando fotos" da mesma maneira. Um não pode ser pretexto para o outro. O grande problema é que a maioria dos torcedores pensam pequeno e aí, amigos, a merda está feita.

O futebol é um prato cheio para o deboche de rivais. E da imprensa também, para o bem e para o mal. Um dia é reportagem exaltando o representante brasileiro (aham, tá!) no mundial. No outro é esculachando os torcedores vândalos e inconsequentes que foram ao aeroporto. O que dizer do depoimento anônimo nessa reportagem: http://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas-noticias/2012/12/04/aeroporto-tem-manha-tranquila-mas-comerciantes-reclamam-de-atos-de-vandalismo-de-corintianos.html
“Se eles soubessem que aqui dentro estava cheio de panetone acho que teriam arrombado aqui e levado tudo”. É assim que funciona, em qualquer time.

E quem ler esse texto pode achar que sou torcedor do Corinthians. Muito pelo contrário. Quero que o Corinthians volte bem cedo, na manhã no dia 12/12/12 especificamente – dia que o São Paulo será campeão da Sulamericana, aliás! 

Esse ano aprendi com o futebol. Aprendi que não vale a pena discutir sobre torcida, sobre importância de títulos. É a velha história do “meu pau é maior que o seu”. Bobagem. Aprendi a discutir sobre o que realmente vale a pena, e mais ainda: com quem realmente vale a pena. E mais: o futebol seria bem melhor se tivesse menos hipocrisia. Seria bem melhor se a rivalidade ficasse mais restrita às quatro linhas (afinal, para o bem de todos, é necessário uma piada aqui e outra ali). 

Seria bem melhor se cada um cuidasse do seu time.