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sábado, 18 de maio de 2013

#VazaJorge

O fim de “Salve Jorge” foi coerente: incoerente do começo ao fim. Os erros – que de tantos, merecem um texto para cada um – sobrepujaram-se à história proposta por Gloria Perez. O “voo” que ela tanto pediu não causou nem um princípio de decolagem.

O último capítulo teve todos os desfechos possíveis e imagináveis, sempre calcados nos erros de produção, questionável direção musical e erros de direção. Algumas coisas foram, boas: o strip-tease de Cláudia Raia, mostrando porque ainda é uma das mais belas atrizes desse país, além de toda desenvoltura ganha em inúmeros musicais estrelados por ela. O desfecho de Wanda foi hilário: virou evangélica na cadeia – lembram-se que no começo da novela os evangélicos “boicotaram” a novela? E só.

O resto foi um festival de confirmações que se arrastavam há sete meses: Giovanna Antonelli e “Donaelô” foi a verdadeira protagonista, a Morena de Nanda Costa foi insuportável, assim como o Theo de Rodrigo Lombardi, e por aí vai. Ah, claro, não podemos esquecer Thammy Gretchen, “achada” numa reta final e Maria Vanúbia (Roberta Rodrigues), que não foi bagunça  anovela inteira. Talvez a única personagem coerente disso que se pode chamar de “novela”.

O telespectador brasileiro foi mal acostumado com “Avenida Brasil”. A qualidade superior de produção e fotografia (totalmente baseada em produções de seriados americanos), a qualidade do texto de João Emanuel Carneiro (ágil, preciso, mas com algumas falhas, é verdade), a qualidade da direção de atores (não havia “canastrões” como Lívia Marine de Cláudia Raia) e a qualidade (e pouca quantidade, ante os 80 de “Salve Jorge”) do elenco fizeram com que o telespectador abrisse os olhos para ver que esse produto tem muito fôlego ainda. “Salve Jorge”, desastrosa, baixou todos esses níveis de qualidade a um nível impensável para uma produção da Rede Globo. Aqui uma galeria com alguns dos erros: http://televisao.uol.com.br/album/2013/05/13/relembre-alguns-erros-de-continuidade-de-salve-jorge.htm#fotoNav=3

“Amor à Vida”, de Walcyr Carrasco, marca a estreia deste no horário das 9. Autor de sucessos das 6 (“Chocolate com Pimenta, “Alma Gêmea”) e das 7 (“Sete Pecados”, “Caras e Bocas”), além do remake de "Gabriela" no ano passado, Carrasco tem tudo para reverter o quadro deixado pela turma da Turquia, do Alemão e de Gloria Perez. As imagens das chamadas já mostram uma novela ágil, com uma fotografia muito superior (mostrar imagens de cartão postal como em “Salve Jorge” é inútil. Coisas da década de 90), número reduzido de personagens (em torno de 40, assim como "Avenida Brasil") e história mais coerente, mas não menos “requentada”: irmão com ciúme da irmã, mãe possessiva, filha rebelde, homem e mulher encontram-se num acaso do destino, casal gay, etc.

“Salve Jorge” termina com a menor média geral entre todas as produções das 9, 34 pontos. Mas será eternamente lembrada pelo modo de como NÃO fazer uma produção audiovisual, seja ela filme, novela ou seriado. E, claro, pela zoação feita infinitamente nas redes sociais. Já "Amor à Vida" estreia ainda com a sombra de "Avenida Brasil".

Mas, depois de "Salve Jorge", o que vier é lucro.

*O título é a hashtag que ficou no topo dos tranding topics mundiais do twitter.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Na levada do canto da Sereia


Depois de fechar 2012 com um dos melhores produtos daquele ano (“Doce de Mãe, com Fernanda Montenegro), a Globo abre 2013 com uma produção igualmente caprichada. “O Canto da Sereia” e Ísis Valverde deixarão as noites de terça mais contagiantes – e mais emocionantes.


Ísis canta as músicas, não é dublada. Só por isso já é possível ver a entrega ao papel de Sereia, uma estrela do axé que está no auge, mas é assassinada no trio elétrico, em pleno carnaval de Salvador. Os suspeitos são muitos – aliás, quase todos da microsserie – o que realça ainda mais o viés policial da historia. Ísis Valverde, com Sereia, se consagra como uma das melhores atrizes de sua geração. 

O elenco conta com vários ex-“Avenida Brasil” (além dos diretores Ricardo Waddington e José Luiz Villmarim): Marcos Caruso (governador Juracy), Fabiula Nascimento (Mãe Marina de Oxum), Camila Morgado (a empresária Mara - finalmente a atriz volta a um papel à sua altura) e claro, a “Sereia” Ísis. O elenco conta ainda com Marcos Palmeira (Augustão), Gabriel Braga Nunes (Paulinho de Jesus, ex de Sereia), Marcelo Médici (mo marqueteiro Tuta), Zezé Motta (Tia Celeste), entre outros.

 






Sereia foi assassinada já neste primeiro episódio. Uma ótima estreia, com as características dos diretores – fotografia já vista em “Avenida Brasil”, como câmera na mão, closes dos personagens (a cena da morte de Sereia me fez lembrar quando Nina acorda depois de ser enterrada viva) – e trilha sonora nostálgica: “Vamos abrir a roda, enlarguecer” é um verso da música "A Roda", de Sarajane, lá para as bandas da década de 1980 quando o axé nem sequer existia do jeito que é hoje. E, quem sabe, pode ser o novo-velho hit do carnaval desse ano.

A microsserie é baseada no romance de Nelson Motta – autor e compositor de várias obras de sucesso – e é adaptado por George Moura, Patrícia Andrade e Sérgio Goldenberg. E, pasmem, tem supervisão de texto de Gloria Perez. Sim, aquela de “Salve Jorge”. Às vezes acho que supervisão de texto é algo só para dar uma “grife” ao produto de roteiristas estreantes (menos George, que já assinou alguns filmes e obras na Globo). Não há nada de Gloria Perez no texto, ainda bem.

“O Canto da Sereia” vem, literalmente, no ritmo do axé: contagiante e empolgante. Ísis Valverde canta como qualquer estrela do axé e fica a pergunta – batida, mas infalível: quem matou Sereia?

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

"Doce de Mãe", simples e brilhante


E é necessário esperar 362 dias para assistir a um dos melhores produtos exibidos na tv em 2012: o telefilme – coisa rara e necessária na tv brasileira – “Doce de Mãe” fecha o ano com chave de ouro.

O estilo de Jorge Furtado, o diretor, está lá: narrações em off, câmeras com tomadas tradicionais, texto às vezes autoexplicativo demais e, claro, alguma cidade do sul do país – Furtado é gaúcho e é dono da Casa de Cinema Porto Alegre, que produz o filme. Mas há ali algo de diferente. Furtado jamais tivera trabalhado com Fernanda Montenegro. E aí que o bicho pega.

Uma senhora de 85 anos demite a empregada e decide viver sozinha, para desespero – e disputa – dos quatro filhos. Um joga para o outro e, no meio disso tudo, Picucha – o doce de mãe – se envolve em várias confusões. É uma deliciosa comédia e Fernandona brilha de tal maneira que é impossível não se render a essa doce mãe. É como se fosse uma mãe nossa, uma avó nossa. Os personagens são muito próximos da nossa realidade, o que contribui para a identificação do espectador.


Fernanda deita e rola no telefilme. A ação é toda concentrada nela e o gás de Picucha parece interminável. Os filhos, formado por um elenco tão estelar quanto Fernanda – Marco Ricca, Louise Cardoso, Matheus Nachtergaele, Mariana Lima, além da participação de Daniel de Oliveira – fazem do telefilme algo totalmente aberto para desenvolver-se na TV. Como já disse Jorge Furtado, o telefilme pode virar serie, só depende da disponibilidade do elenco – leia-se de Fernanda.

Acho essa possibilidade difícil. O elenco é estelar demais para reunir-se novamente e por um período mais longo. Não sei se isso é ruim. “Doce de Mãe”, em minha opinião, é daqueles produtos únicos, que se continuar, pode estragar. É pra ficar na memória, ser visto e revisto. A genialidade de Fernanda, juntamente com o elenco são sufucientes para deixar marcas em quem assistiu. Além disso, não acho Jorge Furtado um bom diretor para tv, apesar de alguns trabalhos. Na verdade, nem de cinema (apesar dos sucessos “Meu Tio Matou um Cara” , “O Homem que Copiava” e o clássico “Ilha das Flores”), mas aí já é uma opinião minha.

De todas as qualidades do telefilme, jamais imaginei rir com Fernanda. Um preconceito bobo, mas totalmente esvaziado quando, ao ver um lance de um jogo de futebol, Picucha manda um “VAI PRA CASA DO CACETA!”. Mas Fernanda e o elenco garantem a emoção ao cantar “Juízo Final” em uma das cenas. Só assistindo para entender.

Essa é a “Doce de Mãe”. Essa é Fernanda Montegero.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

"Salve Jorge": salve-se quem puder


Salve Jorge: uma repetição de clichês
“Salve Jorge” estreou com a difícil missão de superar em audiência e popularidade a anterior, “Avenida Brasil”. Gloria Perez, a autora, é “gata escaldada”: novelas com apelo popular concentradas num romance com idas e vindas e a exposição maciça de uma cultura estrangeira, juntos com um – chato –merchandising social. É a quarta novela que Gloria apela a esses recursos e, pelo menos nesse primeiro capítulo, foram seguidos à risca. E, por motivos óbvios, parecem esgotados diante da proposta diferente de “Avenida Brasil”.

Nanda Costa ou Nada Consta?: sem carisma para
uma protagonista
É o estilo novelão. Se “Avenida” voltava a trama para o cinema e seriados, “Salve Jorge” mostra o que consagrou as novelas brasileiras. A novela começou com paisagens grandiosas da Turquia, o novo cenário e logo de cara, mostrou uma Morena (Nanda Costa) sendo posta a leilão. É “arrematada” por alguns mil euros e a próxima é anunciada: “Vejam senhores, que esplendor de tcheca”. Sim, a novela começou no futuro e voltou, sendo mostrado um “8 meses antes”. Não lembro outra novela ter utilizado esse recurso. Interessante.

A novela “volta” oito meses no meio de um tiroteio. Morena e o filho estão no fogo cruzado, quando traficantes e policiais travaram uma guerra no morro do Alemão, o outro cenário principal da novela. Imagens reais do conflito mostradas em telejornais se misturaram com as imagens da novela, garantindo um realismo pouco visto. Sim, tinha cara de documentário. Isso não tira o mérito, pois a edição foi muito bem construída.

Morro do Alemão tão belo quanto a Capadócia
A fotografia é típica das novelas de Gloria: grande angular, com paisagens, contrastes de cores, mas nada inovador. O Alemão e a Turquia são igualmente belos e grandiosos. A trilha sonora instrumental é grandiosa, digna dos grandes filmes de batalha. Já a trilha sonora original tenta pegar carona no popular, com funk, samba e pagode. O baile charme dá lugar ao “pagofunk”, sai o Divino e entra em cena a favela. Apesar de parecidas, são duas realidades completamente diferentes. O Divino era um retrato de um bairro, de famílias que, independentemente da classe social, são parecidas. Já o morro é uma realidade exclusiva de quem mora lá. Isso pode afastar uma parte do público. Nem é preciso falar do título, mais segregador do que qualquer outra coisa.

O contraste manjadíssimo de classes também é mostrado. Lucimar (Dira Paes), a empregada, moradora do Alemão, preocupada com o conflito e Drika (Mariana Rios), preocupada um futilidades. Drika parece uma versão enriquecida de Suellen (ísis Valverde, em “Avenida”). Mas a cota “periguete” da novela cabe à Lurdinha (Bruna Marquezine).

O casal: idas e vindas do amor. O sono bate à sua porta.
Mas está faltando algo: o protagonista. Théo (Rodrigo Lombardi) continua canastrão, assim como todos os outros personagens galãs que já fez. Ao comentar sobre os sonhos que tem na vida, Théo diz “Só? Você acha pouco?”. É como se quisesse mostrar que a novela é, sim, grande. Ele namora há um mês a companheira de batalhão Érica (Flávia Alessandra). Numa balada, os dois tem um diálogo forçado sobre sonhos. Em casa, Lívia debocha de Théo. Uma inversão de papeis.

Théo é devoto de São Jorge, pois foi soterrado num acidente quando era crianã. Era dia de Jorge e desde então crê no santo guerreiro.  Élcio (Murilo Rosa) será a pedra no sapato de Théo, já que os dois disputam posições no batalhão. É um invejoso nato. Os personagens de Gloria são assim: calcados nos estereótipos.

A novela segue uma proposta realista (só aqui, que fique claro) e mostra a invasão do exército no morro. Novamente imagens de jornalísticos. E aqui a ascensão social é mostrada de forma veemente: os jovens estão conectados, comentando a invasão na favela, na zona sul e no escritório. As famílias do morro têm notebook e TV de LED, smartphones e filmadoras. Isso não condiz com as tramas fantásticas de Glória Perez.

Seu Jorge, quer dizer, São Jorge caminha sobre as águas.
Quer mais fantástico que isso?
Depois de quase 40 minutos do primeiro bloco, a abertura. De fato, um dos pontos altos da novela. Seu Jorge (ah vá!) canta a música, com imagens gráficas incríveis, fantásticos, que misturam a favela com a Capadócia e um São Jorge galopante sobre águas e tudo o mais. É uma síntese da novela. A música não chega a ser “chiclete” como um “Oi Oi Oi”, mas agrada. A repetição de elementos faz lembrar “Caminho das índias”, a novela anterior de Gloria. Veja em: http://tvg.globo.com/novelas/salve-jorge/videos/t/salve-jorge/v/confira-a-abertura-de-salve-jorge/2203083/

O primeiro bloco foi inteiramente dedicado à apresentação do conflito principal e dos protagonistas Théo e Morena. Já o segundo, dedicado aos núcleos menores e personagens coadjuvantes. Coadjuvantes de peso. Heloísa (Giovanna Antonelli) me parece a mais segura no papel, junto com Dira Paes. Nanda Costa não tem nenhum carisma e não convence como protagonista, mesmo sendo uma moça humilde, porém forte e barraqueira. Carismática como uma porta. O merchandisng social foi mostrado rapidamente, com uma Carolina Dieckmann segura e explicando o “sonho”. Tudo muito rápido.

Lívia (Cláudia Raia): vilã ou cômica?
E enfim, no terceiro bloco, é apresentada a vilã-mor de “Salve Jorge”. Lívia (Cláudia Raia) “chega chegando”: se mostra como empresária. Mais uma ironia: Lívia diz “Não, não estou trazendo nenhum musical”. Raia é conhecida pelos grandes musicais que estrela. Cláudia Raia fazendo um papel de vilã é cômica.

E, ENFIM, Istambul, a capital turca é mostrada de fato: danças, danças, danças. Músicas, músicas, músicas. Expressões, expressões, expressões. Stênio (Alexandre Nero) e Drika vão ao estrangeiro num passe de mágica. Mustafa (Antonio Calloni) é mais um dos personagens estrangeiros desse ator, novamente numa novela de Gloria Perez. É o mesmo personagem. E começa o festival de expressões turcas seguidas da tradução em português.

Istambul IS THE NEW Marrocos ou IS THE NEW Índia
“Salve Jorge” é uma novela requentada, com os mesmos recursos de novelas anteriores de Gloria. Se essa encerra a trilogia iniciada com “O Clone”, “Salve” pode ser a pior parte, comum em trilogias. O primeiro capítulo não mostrou todos os personagens – são quase 80 – e muito menos os núcleos. O sucesso da trama pode estar calcado justamente nessa fantasia proposta, no melhor estilo novelão Gloria Perez de ser. Mas é uma missão difícil e a repercussão não foi positiva: no twitter, poucos foram os assuntos comentados e a novela estreou com 35 pontos de média, a pior estreia entre as 18 últimas novelas das nove.

Desse primeiro capítulo de "Salve Jorge", destaque – além da abertura - para MC Koringa, que emplaca novamente (em sequência, depois de “Avenida Brasil”) um funk na trilha sonora.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Pense numa novela ruim. É "Balacobaco", da Record


Com a missão de apagar a tragédia causada por “Máscaras”, a nova novela da Record, “Balacobaco” teve publicidade exaustiva. A missão de retomar os bons números é difícil e a emissora tem que procurar saídas para reverter esse quadro. “Balacobaco” foi encomendada à autora Gisele Joras (de “Bela, a Feia” e “Amor e Intrigas”) às pressas, já que a antecessora capengou no ibope e teve que ser encurtada. No site, é anunciada como “uma das maiores novelas da Rede Record”, com “cenas incríveis” e “elenco de primeira”. Tsc, tsc, tsc...

Antes da novela, a Record exibiu o filme “A Era do Gelo”. Um GC (caracteres) era exibido na tela “avisando” o telespectador da estreia (ele voltou durante a novela). Um desrespeito a quem estava assistindo o filme, já que o GC atrapalhava a visão. Sem intervalos, “Balacobaco” começou surpreendente: uma animação caprichada, não era a abertura, mas era algo diferente. A primeira impressão era que a novela viria com tudo. Era só impressão.

Norberto (Bruno Ferrari): bola de cristal para
saber quantos pontos dará no Ibope
A animação em questão era de um sonho de Norberto (Bruno Ferrari) em que matava Eduardo (Victor Pecoraro), seu sócio. Os personagens foram todos apresentados e o capítulo não teve sequer um intervalo. A dupla Cremilda e Zé Maria (Solange Couto e Silvio Guindane) tem a promessa de fazer rir. Fica na promessa. A protagonista Isabel (Juliana Silveira) é a única que parece à vontade no papel. Bruno Ferrari também, ao contrário do restante do elenco.

Dóris e Diva: gêmeas Paranhos. A sede de vingança das
duas faria Nina rir e enterrá-las vivas
A Record tomou gosto ao utilizar animação gráfica nas novelas. Apesar do início interessante, os efeitos visuais entrecenas são de gosto duvidosos (um pac-man nas avenidas do Rio, só como exemplo).O apelo é “moderno”, mas é nonsense. Não há uniformidade, é um festival de desenhos e referências sem ligação alguma. A trilha sonora, veja bem... Se muitos reclamavam da trilha “popular” de “Avenida Brasil”, “Balacobaco” é um convite à surdez. MC Catra faz falta na trilha.

A fotografia é mais viva do que “Máscaras”, mas ainda assim a Record sofre com a iluminação nas novelas. Tentei regular a imagem da TV, mas o problema é lá mesmo. A cenografia beira o kitsch e lembra visualmente “Bela, a Feia”, da mesma autora. Até o escritório tem referências do escritório de moda de “Bela”. A caracterização dos personagens não ajuda a compor a idade que dizem que tem. Isabel (Juliana Silveira) e Teresa (Juliana Baroni) – uma profusão de ex-Malhação, ex-angeliquetes e ex-paquitas – tem uma diferença de idade de 7 anos, com Teresa sendo a mais velha. Não é verossímil. Na cena do assalto e do acidente, Diva (Bárbara Borges) e Dóris (Ana Roberta Gualda, gêmeas, tem 16 anos, mas aparentam ser muito mais velhas do que atualmente. São erros primários, toscos.

"Né brinquedo não!": ops, errei a novela
“Balacobaco” não inova. A trama de “sede de vingança” das gêmeas Paranhos chega a beirar o ridículo: Isabel é sequestrada pelas gêmeas, mas escapa do sequestro e as duas batem o carro, causando um grave acidente. O problema é que esse acidente gerou uma cicatriz de interrogação (?) em Dóris e de exclamação (!) em Diva. As gêmeas culpam Isabel pelas cicatrizes. É, no mínimo, bizarro. A premissa é fraca. A motivação da vingança é vazia. Um bom vilão tem de ter uma boa justificativa para as “maldades”. Cicatrizes, veja bem...

A proposta da novela é impossível de ser conhecida. Se “Máscaras” tinha isso bem definido, ainda que não tenha dado certo, “Balacobaco” foi feita às pressas, um tapa-buraco pelo encurtamento da novela anterior. O “humor” da novela não convence: é caricato e é levado ao extremo. Não deve nada ao “Zorra Total”.

No final, o clímax foi interrompido por um clipe que pareceu imagens de vários próximos capítulos e não apenas do próximo. A abertura foi exibida por último e, se taparmos os ouvidos, é digna de nota. É excelente, criativa. Mas a trilha tenta pegar carona no “oi oi oi” de “Avenida Brasil”. Fica na tentativa, é ruim, muito ruim.

“Balacobaco”, segundo a prévia do ibope, deve ter perdido para o SBT, ficando em 3º lugar entre 7 e 9 pontos. Assim que a novela começou, o ibope da Record veio abaixo, de 12 para 7. Se a emissora quis fazer uma novela que honrasse o nome, ela conseguiu. “Balacobaco” é aquele delírio que beira a vertigem, de tão ruim. 

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Do blog

Uns vão pensar que é um blog de humor, outros vão pensar “que merda é essa?” e outros não vão pensar nada. O PENICO ESTÁ VOANDO é o nome deste que se propõe a levantar discussões, causar polêmicas, reflexões ou simplesmente nada!  O que vier à telha sobre os mais variados assuntos, mas principalmente sobre televisão. Afinal, a maioria já sabe (ou deveria saber) que é a minha área, a minha paixão. Eventualmente o futebol estará em pauta, claro, afinal o que seria do mundo sem esse esporte? Para alguns, o mundo nem exisitiria. O fanatismo é permitido. Também serão encontrados aqui ruminações sobre política, economia e carnaval. Ah, o carnaval... Este que é o maior expoente da cultura brasileira mundo afora e que hoje, pelo menos em terras paulistas, está na merda. Bom, chega de falar – até porque (admito: tive que consultar um manual de redação, pois até hoje não sei usar os “porques”. Espero que esteja certo) esse blog vai falar de um monte de coisas. Basta.

O nome foi escolhido de modo curioso. Queria um nome que chamasse a atenção, sair do clichê. Acho que consegui. Sabe quando você (àqueles que são cristãos ou ao menos tentam ser) abre a Bíblia numa página para ter uma palavra de conforto? Ou então aquele livrinho “Minutos de Sabedoria” que “coincidentemente” cai uma mensagem justamente para aquele momento? Foi isso que aconteceu com O PENICO ESTÁ VOANDO. A minha “bíblia” dessa vez era “O Livro do Boni”, sim, aquele Boni da Globo. Para os profissionais da área, livro essencial. Para quem gosta dos bastidores da tv, idem. Abri na página 233 e o título me saltou aos olhos. Essa parte do livro fala sobre a conquista de audiência da recém-inaugurada TV Globo e o penico foi um dos símbolos da emissora em São Paulo, era um objeto que tinha um valor simbólico depois de um incêndio, enfim... Compre o livro e leia! No meio disso tudo, a Globo começava a ganhar em audiência, ser líder e adotou a nomenclatura “Rede Globo”. Pode soar pretensioso. E não é que é verdade?

Como li por aí, muitas das coisas que foram ditas são ironias, que fique bem claro.

E cuidado, pois O PENICO ESTÁ VOANDO!