sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Pense numa novela ruim. É "Balacobaco", da Record


Com a missão de apagar a tragédia causada por “Máscaras”, a nova novela da Record, “Balacobaco” teve publicidade exaustiva. A missão de retomar os bons números é difícil e a emissora tem que procurar saídas para reverter esse quadro. “Balacobaco” foi encomendada à autora Gisele Joras (de “Bela, a Feia” e “Amor e Intrigas”) às pressas, já que a antecessora capengou no ibope e teve que ser encurtada. No site, é anunciada como “uma das maiores novelas da Rede Record”, com “cenas incríveis” e “elenco de primeira”. Tsc, tsc, tsc...

Antes da novela, a Record exibiu o filme “A Era do Gelo”. Um GC (caracteres) era exibido na tela “avisando” o telespectador da estreia (ele voltou durante a novela). Um desrespeito a quem estava assistindo o filme, já que o GC atrapalhava a visão. Sem intervalos, “Balacobaco” começou surpreendente: uma animação caprichada, não era a abertura, mas era algo diferente. A primeira impressão era que a novela viria com tudo. Era só impressão.

Norberto (Bruno Ferrari): bola de cristal para
saber quantos pontos dará no Ibope
A animação em questão era de um sonho de Norberto (Bruno Ferrari) em que matava Eduardo (Victor Pecoraro), seu sócio. Os personagens foram todos apresentados e o capítulo não teve sequer um intervalo. A dupla Cremilda e Zé Maria (Solange Couto e Silvio Guindane) tem a promessa de fazer rir. Fica na promessa. A protagonista Isabel (Juliana Silveira) é a única que parece à vontade no papel. Bruno Ferrari também, ao contrário do restante do elenco.

Dóris e Diva: gêmeas Paranhos. A sede de vingança das
duas faria Nina rir e enterrá-las vivas
A Record tomou gosto ao utilizar animação gráfica nas novelas. Apesar do início interessante, os efeitos visuais entrecenas são de gosto duvidosos (um pac-man nas avenidas do Rio, só como exemplo).O apelo é “moderno”, mas é nonsense. Não há uniformidade, é um festival de desenhos e referências sem ligação alguma. A trilha sonora, veja bem... Se muitos reclamavam da trilha “popular” de “Avenida Brasil”, “Balacobaco” é um convite à surdez. MC Catra faz falta na trilha.

A fotografia é mais viva do que “Máscaras”, mas ainda assim a Record sofre com a iluminação nas novelas. Tentei regular a imagem da TV, mas o problema é lá mesmo. A cenografia beira o kitsch e lembra visualmente “Bela, a Feia”, da mesma autora. Até o escritório tem referências do escritório de moda de “Bela”. A caracterização dos personagens não ajuda a compor a idade que dizem que tem. Isabel (Juliana Silveira) e Teresa (Juliana Baroni) – uma profusão de ex-Malhação, ex-angeliquetes e ex-paquitas – tem uma diferença de idade de 7 anos, com Teresa sendo a mais velha. Não é verossímil. Na cena do assalto e do acidente, Diva (Bárbara Borges) e Dóris (Ana Roberta Gualda, gêmeas, tem 16 anos, mas aparentam ser muito mais velhas do que atualmente. São erros primários, toscos.

"Né brinquedo não!": ops, errei a novela
“Balacobaco” não inova. A trama de “sede de vingança” das gêmeas Paranhos chega a beirar o ridículo: Isabel é sequestrada pelas gêmeas, mas escapa do sequestro e as duas batem o carro, causando um grave acidente. O problema é que esse acidente gerou uma cicatriz de interrogação (?) em Dóris e de exclamação (!) em Diva. As gêmeas culpam Isabel pelas cicatrizes. É, no mínimo, bizarro. A premissa é fraca. A motivação da vingança é vazia. Um bom vilão tem de ter uma boa justificativa para as “maldades”. Cicatrizes, veja bem...

A proposta da novela é impossível de ser conhecida. Se “Máscaras” tinha isso bem definido, ainda que não tenha dado certo, “Balacobaco” foi feita às pressas, um tapa-buraco pelo encurtamento da novela anterior. O “humor” da novela não convence: é caricato e é levado ao extremo. Não deve nada ao “Zorra Total”.

No final, o clímax foi interrompido por um clipe que pareceu imagens de vários próximos capítulos e não apenas do próximo. A abertura foi exibida por último e, se taparmos os ouvidos, é digna de nota. É excelente, criativa. Mas a trilha tenta pegar carona no “oi oi oi” de “Avenida Brasil”. Fica na tentativa, é ruim, muito ruim.

“Balacobaco”, segundo a prévia do ibope, deve ter perdido para o SBT, ficando em 3º lugar entre 7 e 9 pontos. Assim que a novela começou, o ibope da Record veio abaixo, de 12 para 7. Se a emissora quis fazer uma novela que honrasse o nome, ela conseguiu. “Balacobaco” é aquele delírio que beira a vertigem, de tão ruim. 

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Os sambas da terra da garoa - parte 2


Mais quatro sambas paulistanos:

- Tucuruvi: Outra parceria bi-campeã, o samba da Tucuruvi era o melhor da final. De enredo fácil, a escola não teve grandes problemas com os sambas. É um samba correto, exceto (no bom sentido) pelo refrão de meio, que é o mais divertido do carnaval, com direito a risadas. Pode ser um risco, mas eles são necessários para manter a qualidade do samba paulista, que anda fraco (aliás, mal acostumado, acomodado) em termos de samba. A segunda estrofe é destaque, com uma linda homenagem dupla: ao tema do enredo, Mazzaropi e Dona Edna, a primeira dama da escola que faleceu em maio deste ano.

- Rosas de Ouro: Se tivesse uma palavra para descrever o samba da roseira é sono. Apesar dos versos lindos, amorosos, feitos para virar frase-clichê, a melodia é sonolenta. Um risco, desta vez perigoso, já que a escola será a segunda a pisar na avenida. Ao invés de incendiar, vai minar na avenida, a não ser que Darlan e o time de canto façam algum milagre. Salva o samba o refrão principal, alegre, a cara de sambas mais antigos da Rosas. Destoa do restante. O refrão do meio é incrivelmente lento, praticamente uma canção de ninar. Alguns versos parecem confusos, como “Uma dança enfeitiça o olhar / E o toque do tambor os corações!”. A comunidade abraçou o samba (provavelmente pelas frases “lindinhas”) e a final tinha outro samba melhor, da parceria campeã em 2012. Era um samba com “pegada”, correto, mas a Rosas novamente opta por essa linha de samba, que perdura desde 2009. Uma pena para uma escola que já levou sambas memoráveis para a avenida. A festa, que me perdoem os torcedores, pode não rolar.

- Gaviões da Fiel: É impressionante o que acontece na alvi-negra do Bom Retiro. Desde que voltou ao grupo especial em 2008, os Gaviões parecem perdidos, sem rumo. Nenhum samba até agora tem a cara da escola, nem mesmo o do centenário corintiano. O enredo sobre a publicidade brasileira me pareceu interessante, mas quando chegaram os sambas de enredo concorrentes... Nem mesmo o poeta Grego, de sambas históricos, conseguiu salvar a leva de sambas. Ernesto Teixeira volta a ganhar um samba na própria escola e ele é pé quente: nos anos que ganhou samba, a Gaviões levou o título em três oportunidades (1999, 2002 e 2005). Já o samba, veja bem... Samba extenso, pouco visto na alvi-negra, é como se fosse um samba de outra escola que os Gaviões pegaram. Apesar disso, é correto. Os refrões são medianos, sem emoção. A segunda parte é interessante, com uma melodia melhor construída. A primeira estrofe faz uma ode ao Corinthians, assim como o verso do refrão (Um bando de loucos, amor de verdade). Mas nem isso deixa o samba com a “cara” já conhecida dos Gaviões.

- Vila Maria: Mais um daqueles sambas mais-do-mesmo, com refrões genéricos. É covardia comparar com o samba de 2008 quando homenageou a comunidade japonesa. Tudo bem, são duas nações diferentes, mas a comparação é inevitável de ser feita pela proximidade visual dos enredos. Os versos “Recomeçar, lutar sem desistir / Tá no sangue feroz dessa gente / Trilhar um caminho, buscando a vitória” tem duplo sentido, também relacionado à escola. A segunda parte, como na maioria dos sambas, parece melhor feita. Sinto falta de expressões sul-coreanas (conta apenas com uma no refrão de meio).


terça-feira, 2 de outubro de 2012

Os sambas da terra da garoa - parte 1


Assim como feito com os enredos, chegou a vez de falar dos sambas-enredo que as escolas de São Paulo levarão para a avenida em 2013*. A ordem aqui será da mais recente até a primeira escola a escolher o samba. Começo hoje com Águia, Vai-Vai e X-9 Paulistana:

*Lembrando que é uma opinião de quem escuta. APENAS uma opinião, sem desmerecer qualquer escola de samba.

- X-9 Paulistana: talvez a escolha mais surpreendente do ano e que gerou briga no anúncio do samba. Em vão. A escola da Parada Inglesa tem nas mãos um bom samba, um samba diferente, que foge dos versos e melodias manjadas que o carnaval de SP está viciado, inclusive os dois sambas da final. Apesar da melodia um pouco "para baixo", tem a letra linda. O samba pode crescer na voz de Royce do Cavaco. Um samba sem firulas, direto ao ponto, sem versos longos que poderiam ser resumidos em poucas e diretas palavras. Um acerto para a X-9, que tem um enredo fraco e que anda muito perdida nos últimos anos. 

- Vai-Vai: a escola do Bixiga teve uma das melhores eliminatórias do ano. O samba da comunidade caiu antes de chegar à semifinal e, na final, deu a lógica: a parceria de Zeca do Cavaco, que vence pelo terceiro ano seguido. Um ótimo samba, com a cara do Vai-Vai. O samba é curto, mas o refrão de cabeça é longo – e nem por isso menos bonito: são versos para entrar na história, como “Matriz, escola do povo / Respeite o meu pavilhão!”. É uma afirmação totalmente válida para a mais tradicional escola de SP. Apesar disso, o samba resume de maneira muito simples o enredo. O primeiro setor é cantado apenas nos dois primeiros versos do refrão, só para citar um exemplo. Isso poderá custar alguns décimos à escola, assim como em 2012.

- Águia de Ouro: uma das poucas a não fazer eliminatórias abertas, a escola da Pompeia só mostrou que essa é a melhor saída para o carnaval. A Águia de Ouro tem o melhor samba do ano. Não por acaso, com um dos melhores enredos do ano, também. João Nogueira será lindamente homenageado. O samba tem a assinatura do filho, Diogo, juntamente com parceiros que fazem sambas para a Portela. O samba tem versos de composições de João e Diogo, e a melodia foge dos padrões dos últimos anos. O samba brinca com a canção "Espelho", no conjunto de versos "ê vida boa / ê vida à toa / ê vida voa". O bis no final é de emocionar (“E o meu medo maior é o espelho se quebrar...”), assim como o refrão de cabeça (“Ninguém faz samba só porque prefere”). O único pesar fica para o refrão do meio, com seis versos um tanto longos e desnecessários (os dois últimos). Mas, “ê, vida boa”, ê samba bom!

A Águia foi a última a apresentar o samba e só faz mostrar que o concurso de eliminatória é só uma forma das escolas ganharem (MAIS) dinheiro. Uns brigam (como na X-9), outros aceitam, pois já ganhou vários sambas (Vai-Vai), outros porque tem a identidade da escola (Mocidade) e assim vai caminhando o carnaval paulistano. Enquanto houver eliminatórias, os sambas bons ficarão na memória de quem acompanha (Vai-Vai, Império, Nenê) e os sambas “de acordo com a sinopse” vão ganhando, com versos e melodias clichês, maneirismos, mesmos compositores. Isso só faz prejudicar a qualidade do samba paulistano. É só uma fase, assim espero. Mas, “ninguém faz samba só porque prefere”...

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

"Guerra dos Sexos": remake em quadrinhos


Dessa vez não há o símbolo de "versus". Os dois sexos estão
em pé de igualdade
Aquele que achar que “Guerra dos Sexos” tem que ser o retrato fiel de uma suposta guerra entre sexos, está enganado. Ou então que seja real, num momento em que as mulheres estão no poder, também está enganado. A nova novela das 19 horas da Rede Globo é um convite à diversão, uma tiração de sarro no melhor estilo Silvio de Abreu de fazer novelas. São Paulo, lojas, a Mooca, a rica zona sul. Todos os elementos preferidos do autor estão lá.

A novela começa com a leitura do testamento deixado pelos finados Charlô I e Otávio I (Fernanda Montenegro e Paulo Autran na primeira versão) e, claro, a disputa entre os primos Bimbinho e Cumbuqueta, Tony Ramos e Irene Ravache (com direito até a capa de bruxa) ao saber que serão sócios.  O uso de animação gráfica já começou nas primeiras cenas e chegou à abertura, com uma qualidade tamanha que não era possível, num primeiro momento, distinguir o que era real ou animado. Ainda nas primeiras cenas, a exibição de cenas da primeira versão e os quadros de Fernanda e Paulo animados com expressões farão referências à trama original. Uma tentativa de aproximar os que assistiram pela primeira vez.

Abertura recria a cena clássica da primeira versão
A trilha sonora incidental é pastelão, do jeito que Silvio de Abreu gosta, combinando com o tom humorístico de praticamente todas as cenas. Para manter a nostalgia da versão anterior, músicas da trilha sonora voltam repaginadas. A fotografia é viva, não tão colorida como em “Cheias de Charme”, mas viva, vibrante. Há também o uso de outros tipos de lente, tomadas não convencionais (como nas pernas que Bimbinho viu do carro e visão que quadro de Charlô I e Otávio I), dando uma cara de história em quadrinhos para a novela. A animação gráfica ainda se mostrou presente na fachada da loja Charlô’s. Para aumentar mais essa sensação de “história animada”, o carro antigo de Bimbinho é o contraste com a modernidade de São Paulo.

Uma São Paulo viva e rica, mostradas na zona sul e na zona leste com a Mooca. Isso pode afastar o público popular (do morro) da novela anterior, mas a temática urbana (vista no lançamento da coleção, skate, transições de cenas e MMA) reforça essa identidade que, mesmo viva, é totalmente oposta ao universo (chato) das empreguetes de “Cheias de Charme”.

“Guerra dos Sexos” marca a volta de Luana Piovani às novelas e Reynaldo Gianechinni após o câncer. Drica Moraes também está de volta após uma leucemia. O elenco, de primeira linha, segura a novela, que tem um texto leve, caricato, uma marca do humor de Silvio de Abreu. Os clichês dos sexos estão todos lá: mulher não sabe dirigir, homem é mal educado e barbeiro, mas conta com uma máxima dos nossos dias: as mulheres no poder representadas por Charlô pilotando um avião.

Fernandona e Autran presentes no remake
O remake de “Guerra dos Sexos” é, sem dúvida, uma novela para todos os sexos. Se nos anos 1980 era um embate onde os homens estavam no poder, hoje a piada pode soar tosca, mas ainda garante algumas risadas. Tony Ramos e Irene Ravache estão ótimos, mas a novela corre o risco de ter uma rejeição do público anterior. Uma novela de meninas, empreguetes e sonhadoras. Um porre.

“Guerra dos Sexos” é uma historia em quadrinhos, por vezes tosca, por vezes engraçada. Não é uma novela convencional. Enfim, a guerra está declarada!



Guerra dos Sexos
19h
Direção: Jorge Fernando
Autor: Sílvio de Abreu
Para saber mais: guerradossexos.globo.com

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

VMB pra gente grande e o café coado na calcinha

Café coado na calcinha: Gaby Amarantos domina o VMB 2012

Por muitos e muitos anos o VMB é achincalhado. Com as redes sociais, essa crucificação ficou mais forte. Afinal, música mexe com os brios dos fãs elouquecidos ou daqueles que só gostam de boa música – ou ruim, depende do ponto de vista. A cada ano, a MTV tem a tendência de destacar um artista, um estilo. Só para citar exemplos recentes, Restart em 2010 e Criolo em 2011 dominaram a premiação. Em 2011, o rap e o hip-hop nacional voltaram com toda a força, com ótimas produções além de Criolo. Mas 2012 foi diferente. Ainda bem. E o fato de excluir o sertanejo da premiação é irrelevante por motivos óbvios. Mas a emissora não resistiu e, de forma bem humorada, colocou um “tchu tcha” ali no meio, com o Massacration.

Emicida: rebelde sem causa
A premiação dessa vez não teve um apresentador. O que poderia ser um risco, mas se mostrou uma opção viável ante alguns apresentadores sem graça ou com piadas forçadas. Isso fica para os apresentadores dos prêmios, com suas (mal) ensaiadas piadinhas. Planet Hemp abriu o VMB, como nos velhos tempos. Os shows de Emicida, Projota e ConeCrewDiretoria ficam no chinelo. Fica claro que xingar (Dedo na Ferida, do Emicida, é um festival de “foda-se”) não é a veia do rap. Rapé contestamento, denúncia social. O Emicida, bem... Não quero revoltar os fãs, mas é um vendido para a indústria. Não que ele esteja errado, mas é assim que a banda toca. Mas me soa hipócrita. Mas tá certo, deixa ele xingar bastante.

Vamos aos prêmios. Vanguart foi líder de indicações, mas ganhou apenas uma: melhor banda. Criolo manteve o domínio no cenário do rap e levou o prêmio de melhor artista masculino. O rap também esteve presente com Emicida (melhor música com “Dedo na Ferida”. Tsc tsc tsc...) - Wado também ganhou o prêmio, com a música "Com a ponta dos dedos - Projota (revelação do ano) e Bnegão & Seletores de Frequência com melhor disco, “Sintoniza Lá”. A aposta MTV do ano ficou com O Terno. Ponto alto da festa: Restart sendo vaiado ao receber o prêmio de Hit (?) do Ano com “Menina Estranha”.

Mas, de tudo isso, nada mais importante que ver Gaby Amarantos sendo o destaque dessa premiação. A paraense levou os prêmios de melhor capa por “Xirley”, melhor artista feminino, e artista do ano. Uma vitória da música popular brasileira, que se reiventa. Gaby Amarantos traz renovação para uma MPB fraca de cantoras que estão no mainstream e leva uma cultura de tecnobrega até então “pequena” para o cenário nacional (ao contrário da região norte, que é um fenômeno). O “primeiro VMB da Amazônia” deve ser comemorado, e muito. O fato de Gaby ter ganhado todos esses importantes prêmios mostra que a audiência da MTV não é mais a mesma. E isso é ótimo. Disse Gaby: "Tenho orgulho de ser uma artista que está trazendo uma nova identidade visual. O Brasil tem música pop". Tem, e ela pode ser de qualidade e inovadora. Ponto alto: Patrícia Abravanel, a filha do Silvio, ao entregar o prêmio a Gaby: “Viva a Beyoncé do Nordeste!”. Detalhe: Pará, região norte.

Mano Brown e os Racionais MC's: vida longa
ao (verdadeiro) rap
Ainda tem mais: vida longa aos Racionais MC’s. Show (zaço) de encerramento e prêmio de clipe do ano com "Mil Faces de um Homem Leal (Marighella)" Uma volta como nos velhos tempos. É uma questão simples: pegue as letras dos novos rappers e compare. A diferença é bizarra, a contestação é diferente. Numa comparação simples, é comparar o samba de raiz com o pagode. Emicida, Projota e os “meninos” do ConeCrewDiretoria tem muito o que aprender, ainda. O que é mais engraçado é ver a plateia, que talvez mal saiba o que é e a importância dos Racionais (e provavelmente curte o rap-leite-com-pera do ConeCrew) vibrando. Mas enfim...

A premiação ainda teve shows de Agridoce, projeto paralelo de Pitty; Gal Costa (tão moderna quanto Gaby Amarantos),  Bonde do Role, ConeCrewDiretoria, Marcelo D2 e Karina Buhr.

O VMB 2012 foi, pela primeira vez em muitos anos, um verdadeiro prêmio da música brasileira. Não houve concentração de prêmios para apenas um artista ou um só estilo musical (ainda que o rap e o tecnobrega de Gaby tenham dominado a premiação), não houve piadinhas de apresentadores, só as piadas dos apresentadores dos prêmios. Um prêmio correto, num período de incertezas para a MTV, que tem uma audiência extremamente volúvel. O rap manteve o destaque neste ano, devido a influência da premiação ao ano anterior. Pulverizado, mas ainda importante. Mas Gaby Amarantos ter ganho mais prêmios que todos (seja por ser cult ou pop), numa premiação em que a audiência vota, é muito bom. A MTV mostrou este ano que o VMB tem fôlego para ser popular, que estava perdido nos últimos anos. É só destacar todos os ritmos, cada um com sua importância.

A audiência amadureceu.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

E que a voz da liberdade...

...Seja sempre a nossa voz! Globo investindo pesado em coisas das "camadas populares": samba e futebol presentes nas novelas das 21 horas, “Avenida Brasil” e agora na das 18 com “Lado a Lado”. E isso é ótimo.

"Lado a Lado" é daquelas novelas que cairia muito bem como uma minissérie. Mas ainda bem que virou novela, afinal é preciso mostrar mais um pouco de historia, fazer o povo (ou a grande massa, que consome mais novela do que minissérie) resgatar momentos importantes da historia do nosso país. Isso é mais importante do que fazer qualquer tipo de ficção com propaganda (ou doutrina) de religião, como foi a anterior, "Amor Eterno Amor".

A abertura é uma das mais bonitas dos últimos anos, apesar do clichê de gravar imagens da época com uma trilha. Aqui, vale a produção caprichada e o samba escolhido, que cai como uma luva para o momento histórico da novela e para a propria historia do folhetim. Isso é uma ousadia para a emissora, que sempre deixou o samba (especificamente o samba-enredo) somente para a época de carnaval. Viva o samba!


Mas isso não quer dizer que eu vá assistir. Além do horário, é mais uma daquelas novelas de época água com açúcar. Em “Lado a Lado” conta pontos o momento histórico que ela mostra, pouco contado na TV, a produção rica e o elenco: Patrícia Pillar, Camila Pitanga e Milton Gonçalves só para citar alguns exemplos.. E só. Os clichês das disputas “raciais” e de classe estão lá, a pose das baronesas e a situação ainda desfavorável aos negros – recém-libertados da escravidão também.

Vendo algumas cenas, é inevitável a comparação com outras novelas. O futebol de “Avenida Brasil” está lá, mostrado no início do esporte no Brasil. O encontro das heroínas é muito parecido com o encontro das “Empreguetes” de “Cheias de Charme”: encontraram-se num momento difícil da vida de cada uma e, a partir daquele momento, tornaram-se amigas para sempre.

O primeiro capítulo deu apenas 18 pontos de audiência. Pouco para o horário, que almeja pelo menos entre 20 e 25. Agora é esperar e ver se a historia cativa a dona de casa do horario, ainda que tenha elementos que poderiam atingir um público mais amplo e até masculino. 

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Os enredos do carnaval 2013 (parte 4)

De olho no carnaval 2013: vai precisar de muitos olhos
Finalizando a série de enredos do carnaval de São Paulo, as 3 restantes, o G3: Vai-Vai, Rosas de Ouro e Mocidade Alegre. Da 3º à campeã de 2012:










Vai-Vai: a Bela Vista traz o enredo “Sangue da terra, videira da vida: um brinde de amor em plena avenida – Vinhos do Brasil”. Tema batido, pois a rival Camisa Verde e Branco trouxe o vinho na avenida em 2006. Apesar disso, é um enredo bom, histórico. Mas ainda assim, acho estranho o título dizer "Vinhos do Brasil" sendo que não é um enredo essencialmente "brasileiro". O carnavalesco carioca Cahê Rodrigues é a novidade da escola. As eliminatórias já começaram e pelo menos quatro sambas podem representar bem a alvinegra na avenida. 







Rosas de Ouro: vice-campeã, a Roseira vem com “Os condutores da alegria numa fantástica viagem aos Reinos da Folia” e vai mostrar as festas e tradições espalhadas nos quatro cantos do mundo. Enredo previsível visualmente, afinal várias partes desse enredo já foram vistas em várias escolas e alas. Conta a favor o minucioso e luxuoso trabalho do carnavalesco Jorge Freitas, que tem um enredo igualmente rico. De samba, a escola vem, novamente, com um samba mediano. Nenhum samba da s eliminatórias me parece grandioso, apenas fiel ao enredo. Lembrando que isso não é exclusividade dessa escola e sim do carnaval paulistano. Sambas quadrados, extremamente fieis ao enredo e sem brilho ou riqueza poética.




Mocidade Alegre: a campeã de 2012 volta à linha de enredos que a consagraram. Enredo lúdico, “A sedução me fez provar, me entregar à tentação... Do final original, qual será o final?”, propõe “novos finais” para várias histórias, infantis ou não. A pergunta “e se?” é constante. Me parece uma indireta bem clara aos acontecimentos na apuração, de escolas que – supostamente – queriam mudar resultados. E “se o final fosse diferente?”: essa é a pergunta que a Morada quer saber. Um tanto irônico. As eliminatórias já começaram e nenhum samba tem o brilho que tinha o desse ano (“O rufar do tambor / Vai ecoar!”: refrão inesquecível). A proposta do enredo é um tanto confusa. Ouvindo os sambas das eliminatórias ou lendo a sinopse, parece que falta algo. Só no dia do desfile, com o visual completo, as respostas para as perguntas serão descobertas. Mas a escola é competente e, se tudo der certo, o enredo tem tudo para ser um dos mais legais do ano.

O Carnaval de 2013 será marcado pelo ressurgimento de algumas escolas (assim espero) e tem a difícil missão de apagar os erros de 2012. A confusão na apuração ainda está na memória das pessoas e alguns sentimentos de "vingança" ou de "temos que dar o troco" pairam no ar. Quem perde, fala que é injustiça. Quem ganha, se isenta de quaisquer acusações. 

Por um carnaval sem sujeira, sem maracutaias de qualquer tipo e sem rasgação de notas.