quarta-feira, 22 de maio de 2013

"Dona Xepa" estreia com 9 pontos e tranquiliza Record


A estreia de "Dona Xepa" na Record mostra que a emissora está no caminho certo – mas tem coisas que só o “estilo Record de fazer novelas” pode proporcionar.

A história da feirante que faz de tudo pelos filhos já teve três versões: a peça de teatro original de Pedro Bloch, um filme em 1959, a primeira versão da novela em 1977 na Globo (escrita por Gilberto Braga) e, agora, a quarta versão pela Record. Não é um remake da novela global e sim uma nova versão, inspirada na peça de teatro. A emissora não economizou nas propagandas (com uma divulgação impagável de Marcelo Rezende no policialesco Cidade Alerta:. http://www.youtube.com/watch?v=bnlyBK-0ta0). Depois do fiasco “Máscaras”, “Balacobaco” tinha a missão de fazer voltar os dois dígitos de média. Não conseguiu – terminou com uma média de 7 pontos. “Dona Xepa” tem essa dura missão de voltar pelo menos próximo aos 12 pontos de “Vidas em Jogo”.

Ângela Leal, além do nome da personagem-título, carrega a novela – e a feira – nas costas. a Dona Xepa garante boas risadas com um sotaque que parece feito para a atriz. Dá pena ver uma atriz como esta contracenando com atores tão fracos. Aliás, muitos dos que estão lá vieram da Rede Globo. E parece que desaprenderam tudo...

A produção, ainda que popular, não é popularesca como “Balacobaco”. A Record mantém a ousadia de deixar uma novela com os dois pés no humor num horário considerado tarde para este tipo de produção. O que é ótimo, é uma opção a mais para combater à "nova-velha" grade da Rede Globo no horário.

Ainda assim, “Dona Xepa” tem exageros típicos das novelas da emissora: trilhas sonoras e incidentais mal escolhidas ou mal colocadas em cenas aleatórias (quando Robertha Portella, interpretando Dafne, a mulher-fruta, toca a música "Mulher Brasileira": mais clichê, impossível), slow motion em sequências que seria totalmente dispensável (parece que é para ganhar tempo), atores carregando nos exageros (Luiza Thomé interpretando Meg Pantaleão está num tom muito acima e Márcio Kieling avacalha na canastrice), atores que saíram de “Malhação” (mas a “Malhação não saiu deles): Bia Montez, Giuseppe Oristânio e o próprio Márcio Kieling. Do núcleo principal, Thaís Fersoza (Rosália, a filha ambiciosa) se garante muito bem, ao contrário de um inexperiente Arthur Aguiar (o filho estudioso, mas que tem vergonha da mãe por ela ser feirante, assim como Rosália).

“Dona Xepa” é uma aposta da Record em novelas com número reduzido de capítulos, o que é uma surpresa vindo da emissora. Enquanto algumas se arrastam por mais de um ano até, esta tem a missão de fechar com 90 capítulos, aproximadamente. Mas o autor Gustavo Reiz já disse que, dependendo da audiência, pode ser “espichada”. Ivan Zettel, experiente diretor de tv, assina a direção geral da novela, que consegue se sair bem. Divertida, popular (mas não popularesca), bem feita (fotografia sem maiores elogios, é competente), “Dona Xepa” tem tudo para agradar um público que prefere um tipo mais leve de telenovela. É uma melhora em relação à “Balacobaco”, mas ainda não chega aos níveis de “Cidadão Brasileiro”, uma das melhores produções da Record – que Zettel dirigiu, aliás.

Torcer para que a emissora não brinque com o horário. A prova é que “Balacobaco” não sofreu desse mal e aumentou os números de audiência. "Dona Xepa" estreou com 9 pontos de média e 10 de pico, o que é um avanço. Mas 7 pontos de média geral (como "Balacobaco") ainda não é o bastante para uma emissora que se diz “tv de primeira”.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

"Amor à Vida" mostra São Paulo do jeito que ela é. E consegue


Enquanto “Salve Jorge” se arrastou por sete meses sem grandes reviravoltas, a estreia de “Amor à Vida” trouxe, em pouco mais de uma hora e meia, muito mais do que a turma de Gloria Perez.

O começo acima pode parecer exagerado, mas ficou próximo disso. A estreia de Walcyr Carrasco no horário das 9 começou muito bem. O primeiro capítulo mostrou-se ágil, bem dirigido, com trilha e fotografia voltando aos bons tempos de “Avenida Brasil” e abandonados em “Salve Jorge”. As características de Walcyr Carrasco estão lá: um vilão marcante (Félix – interpretado por Mateus Solano – já mostrou a que veio e muito me lembrou as vilanias e ironias de Cristina – Flávia Alessandra em “Alma Gêmea”, claro que cada um à sua época. Outros, mais saudosistas, dizem que Félix é uma versão de Carminha de “Avenida Brasil”. Não por acaso, Félix é bissexual e mostrou um arsenal de frases de efeito), uma história carregada no drama: Paloma (Paolla Oliveira) é inconsequente, sofredora, abandona a família, é rejeitada pela mãe, tem um irmão invejoso, tem um parto num local imundo, etc, etc, etc e um núcleo de humor em torno de uma família (como não lembrar das famílias de “Chocolate com Pimenta” e “O Cravo e a Rosa”?).

Destaco duas cenas de um capítulo longo: vagando por São Paulo, Ninho (que veio para o Brasil com a ajuda de Félix depois de ser preso por tráfico) e Paloma discutem em um bar, numa das melhores fotografias da novela. Ele vai embora e Paloma tem a filha que espera dele num banheiro imundo, num parto realizado com a ajuda de Márcia (Elisabeth Savalla). Aliás, Paloma escondeu da família que estava grávida, mesmo vivendo sob o mesmo teto. Um tanto fantasioso. No hospital San Magno, onde boa parte da trama vai se passar, a cena do parto e morte de Luana (Gabriela Duarte) foi emocionante, com trilha na medida e muito bem gravada. Além disso, as cenas em Machu Picchu no início da novela também foram bem tratadas, com o conflito se estabelecendo logo nos primeiros minutos: a mãe (Pilar, Suzana Vieira) rejeita a filha, o pai (César, Antonio Fagundes) apoia a filha e causa inveja em Félix, que quer tirá-la do caminho a todo custo e Edith (Bárbara Paz), a esposa complacente com Félix.


A fotografia de “Amor à Vida” é limpa, sem exageros, mas há o retorno de uma câmera na mão constante, ágil, nervosa. Esqueçam as grandes tomadas de paisagens e coisas convencionais. É uma fotografia moderna, com estilo (sim, com um pé nos filmes e seriados). A trilha, que vai desde a música “Maravida”, de Gonzaguinha interpretada toscamente por Daniel na abertura até Charlie Brown Jr, reflete uma São Paulo pouco vista antes na tv: do jeito que ela é. Junto à fotografia e direção de arte, a cidade é mostrada sem exageros ou caricaturas: ali estão os bares e botecos sujos, as prostitutas da Augusta, o centro vazio mas ao mesmo tempo belo, as luzes de neon nos bares... Nada de “cidade cinzenta” ou “contemporânea” e “urbana” (como visto em “Sangue Bom, a das 7). Em “Amor à Vida”, São Paulo se materializa na tela. Outro recurso interessante foi o uso de uma câmera acoplada a Juliano Cazarré quando o personagem Ninho está no aeroporto. O enquadramento permitiu captar todo o nervosismo do personagem.
Do elenco, Suzana Vieira e sua Pilar são mais do mesmo que a atriz já fez na tv: uma mulher rica e impiedosa – lembra a Branca de “Por Amor”. Mateus Solano (Félix) consegue provocar ódio (como quando abandona a filha de Paloma no lixo) e riso (ao filho, Jonatan: “Meu dia está lotado para criança! Se quiser, agenda!” ou à esposa: “Eu salguei a Santa Ceia, só pode ser!” ou à tia: “Tá chamando seu irmão de touro, vão achar que você é a vaca!” ou pior, quando chega no bar que Paloma teve a filha: “Brega!”). No mais, nada de mais. Antonio Fagundes, Malvino Salvador, Juliano Cazarré, Bárbara Paz e Paola Oliveira não comprometem, mas não se destacam. O primeiro capítulo ficou inteiramente focado nesse núcleo, com apenas uma cena da família de Bruno. Uma família grande e tipicamente paulistana: Eliane Giardini volta a viver uma matriarca (Ordália, que lembra um pouco a Muricy de “Avenida Brasil, mas bem mais branda), e o pai de Bruno, Fulvio Stefanini (Denizard), que carrega no sotaque paulista, meu!


Walcyr Carrasco ainda mantém características no seu texto que incomodam: às vezes são explicativos demais ou às vezes o recurso de “falar o pensamento” não se faz mais necessário, quando Bruno encontra a criança abandonada por Félix no lixo e exclana: “Deus me deu uma nova chance!”, forçando a barra. Mas a direção de Wolf Maya é competente, dinâmica: as passagens de tempo foram implícitas pelas cenas (quando mostrou Paloma grávida, ora experimentando roupas, ora fazendo ultrassom), a fotografia e a trilha são um grande acerto e a trama é verossímil numa história que não tem essa pretensão  Ao contrário de “Salve Jorge” que pedia uma trama realista (morro do Alemão e tráfico de pessoas), mas totalmente mal concebida.

“Amor à Vida” estreou com 35 pontos (não consolidados) e repete a estreia de “Salve Jorge”, mas ainda inferior a “Avenida Brasil” (37) e “Fina Estampa” (41). O nome pode remeter a qualquer novela tosca do Manoel Carlos. Mas Carrasco coloca todo o arsenal que consagrou suas novelas (só às 6, pois as das 7 foram bem fracas) e aliada à direção de Wolf Maya, “Amor à Vida” tem tudo para agradar. Menos a abertura, que apesar de contar com o desenhista americano Ryan Woodward (de “Os Vingadores”), é toscamente interpretada por Daniel, mesmo que tenha tudo a ver com o título (De amar, e amar e amar... Vida, vida, vida). 

domingo, 19 de maio de 2013

É preciso uma virada na Virada Cultural


As mortes e arrastões na Virada Cultural só mostram que a cidade de São Paulo ainda não está preparada para um evento desse porte. Ou então chegou a hora de rever o que deve ser entendido por uma Virada Cultural.

Obviamente, é importante frisar: são fatos isolados. Mas a cada ano crescem os relatos de quem viu arrastões, brigas, etc. As mortes e feridos constatados são poucos diante dos inúmeros roubos que acontecem em vários locais. Há ainda aqueles cidadãos que nem boletim de ocorrência fazem, diante da inércia da polícia e da falta de paciência em realizar um processo tão burocrático – e que não resolverá nada, só vai virar estatística. Discussões partidárias, como a Folha de S. Paulo quer fazer, não cabem aqui.

Já fui no evento em 2009, quando a virada estava em sua 5ª edição. Não vi nada de anormal, nenhuma briga, muito menos arrastão. Aliás, foi um dos eventos mais legais que já fui. De lá pra cá muita coisa mudou, principalmente a frequência de público. Não há como negar: a visibilidade aumenta, um prato cheio para pessoas que não estão ali para ver uma atração.

É preciso rever o conceito da Virada Cultural, aparentemente esgotado. É preciso descentralizar. É preciso rever o conceito de cultura, até porque ter como atração Rita Cadillac não me parece algo “cultural” (mas “cultura” é algo para todos, tem quem goste: lá vem a bandeira do politicamente correto contra o preconceito). A cidade de São Paulo é muito grande e tem muitos espaços para eventos. A concentração das atrações no centro é prejudicial, pois a concentração de público e o risco são maiores. Logisticamente, é muito mais fácil: opções de transporte público não faltam e é muito mais barato aglutinar toda uma estrutura (palcos, iluminação, segurança) em uma única região. As outras regiões ficam restritas a SESCs (com atrações muito mais qualificadas). E só. E o Anhembi? E o Ibirapuera?

É preciso, acima de tudo, que o cidadão paulistano faça valer todos os impostos pagos. Afinal, a ilusão de que o evento é “gratuito” é fácil de ser vendida: grandes cantores, “de graça”. Balela. Tudo ali foi tirado do nosso bolso. Ainda assim, os grandes cantores e as peças teatrais, danças, e artes que ali se apresentam não merecem ter seu nome vinculado a um evento desorganizado e perigoso.

É um direito nosso exigir mais qualidade – de atrações e segurança – de um evento que propõe levar cultura a cada vez mais pessoas.

sábado, 18 de maio de 2013

#VazaJorge

O fim de “Salve Jorge” foi coerente: incoerente do começo ao fim. Os erros – que de tantos, merecem um texto para cada um – sobrepujaram-se à história proposta por Gloria Perez. O “voo” que ela tanto pediu não causou nem um princípio de decolagem.

O último capítulo teve todos os desfechos possíveis e imagináveis, sempre calcados nos erros de produção, questionável direção musical e erros de direção. Algumas coisas foram, boas: o strip-tease de Cláudia Raia, mostrando porque ainda é uma das mais belas atrizes desse país, além de toda desenvoltura ganha em inúmeros musicais estrelados por ela. O desfecho de Wanda foi hilário: virou evangélica na cadeia – lembram-se que no começo da novela os evangélicos “boicotaram” a novela? E só.

O resto foi um festival de confirmações que se arrastavam há sete meses: Giovanna Antonelli e “Donaelô” foi a verdadeira protagonista, a Morena de Nanda Costa foi insuportável, assim como o Theo de Rodrigo Lombardi, e por aí vai. Ah, claro, não podemos esquecer Thammy Gretchen, “achada” numa reta final e Maria Vanúbia (Roberta Rodrigues), que não foi bagunça  anovela inteira. Talvez a única personagem coerente disso que se pode chamar de “novela”.

O telespectador brasileiro foi mal acostumado com “Avenida Brasil”. A qualidade superior de produção e fotografia (totalmente baseada em produções de seriados americanos), a qualidade do texto de João Emanuel Carneiro (ágil, preciso, mas com algumas falhas, é verdade), a qualidade da direção de atores (não havia “canastrões” como Lívia Marine de Cláudia Raia) e a qualidade (e pouca quantidade, ante os 80 de “Salve Jorge”) do elenco fizeram com que o telespectador abrisse os olhos para ver que esse produto tem muito fôlego ainda. “Salve Jorge”, desastrosa, baixou todos esses níveis de qualidade a um nível impensável para uma produção da Rede Globo. Aqui uma galeria com alguns dos erros: http://televisao.uol.com.br/album/2013/05/13/relembre-alguns-erros-de-continuidade-de-salve-jorge.htm#fotoNav=3

“Amor à Vida”, de Walcyr Carrasco, marca a estreia deste no horário das 9. Autor de sucessos das 6 (“Chocolate com Pimenta, “Alma Gêmea”) e das 7 (“Sete Pecados”, “Caras e Bocas”), além do remake de "Gabriela" no ano passado, Carrasco tem tudo para reverter o quadro deixado pela turma da Turquia, do Alemão e de Gloria Perez. As imagens das chamadas já mostram uma novela ágil, com uma fotografia muito superior (mostrar imagens de cartão postal como em “Salve Jorge” é inútil. Coisas da década de 90), número reduzido de personagens (em torno de 40, assim como "Avenida Brasil") e história mais coerente, mas não menos “requentada”: irmão com ciúme da irmã, mãe possessiva, filha rebelde, homem e mulher encontram-se num acaso do destino, casal gay, etc.

“Salve Jorge” termina com a menor média geral entre todas as produções das 9, 34 pontos. Mas será eternamente lembrada pelo modo de como NÃO fazer uma produção audiovisual, seja ela filme, novela ou seriado. E, claro, pela zoação feita infinitamente nas redes sociais. Já "Amor à Vida" estreia ainda com a sombra de "Avenida Brasil".

Mas, depois de "Salve Jorge", o que vier é lucro.

*O título é a hashtag que ficou no topo dos tranding topics mundiais do twitter.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Os três patetas

Este que vos fala disse, em 13 de dezembro de 2012, quando o São Paulo ganhou a sub-Libertadores – mais conhecida como Copa Sul-Americana – que “2013 aponta um grande ano para o futebol brasileiro, especialmente o paulista. O trio de ferro paulista disputará a Libertadores (...). Prato cheio para quem gosta de futebol”.

Só não sabia que seria um grande ano pra o mal e um prato cheio de coisas ruins.




Mas, vejamos: o Corinthians foi eliminado com uma mão enorme do juiz, isso é fato. Porém, vejamos: o Boca foi superior. Marcou um gol lá, numa das piores atuações do Corinthians no ano e teve competência para marcar um aqui (um golaço do velho Riquelme), além do time de Carlos Bianchi (dono de 4 Libertadores, sendo 3 pelo Boca) ter neutralizado a partida. 

Mas, vejamos novamente: o mesmo time em 2005 participou de um dos piores escândalos do nosso futebol, envolvendo, veja só: a arbitragem. E ainda vejamos: os torcedores não admitem a derrota (jogando a culpa em um fator externo e sempre presente no futebol, para o bem e para o mal: a precariedade da arbitragem sul-americana) e não admitem a superioridade (pouca, é verdade) do Boca Juniors.

E, como cortesia, o São Paulo foi eliminado (por 4 a 1) pelo ótimo Atlético-MG, que foi o vice campeão brasileiro de 2012. Enquanto isso, o Boca amarga a 19ª posição do Campeonato Argentino, depois de 13 rodadas. Tiro trocado não dói.

Enfim, “soberanos” em tapar o sol com a peneira.

Agora, vamos ao futuro. Aos fatos vindouros. Opondo São Paulo e Corinthians para 2013, temos (veja bem: nada de 6-3-3, nada de glórias do passado. É uma projeção futura):

- Brasileirão: os dois times disputam. O Corinthians, claro, com um time muito melhor e mais bem organizado que o São Paulo);

- Recopa Sul-Americana: os campeões dos torneios sul-americanos de 2012 se enfrentam;

- Copa do Brasil x Copa Sul-Americana: o Corinthians disputa a primeira e o São Paulo a segunda por ser oatual campeão. As duas garantem vaga na Libertadores 2014, o que as coloca em pé de igualdade. Mas, são dois níveis: a primeira é a segunda competição nacional e a segunda, é a segunda competição internacional.

- Paulista x Copa Suruga Bank: o Corinthians disputa a final no próximo domingo e o São Paulo campeão da Sul-Americana vai ao Japão disputar contra o campeão japonês. Dois títulos que não valem acesso a nada. Mas, novamente, é um torneio internacional contra um regional.

- Audi Cup: um brinde (internacional) para o São Paulo.

São fatos. Lembrando, é o futuro. Nada de “soberano” e coisas do tipo, afinal título passado não traz novos. O fato é que os dois foram eliminados da principal competição no ano, na mesma fase e não cabem mais desculpas (ou é o Lúcio, ou é Rogério, ou é juiz, etc).

Como uma criança birrenta, a grande massa corintiana não aceita a derrota, justificando com a frase-pronta "não vivemos de títulos" e o quanto amam o time mais que os outros, e bla bla bla.

Ainda assim, muitos corintianos – no auge da “arrogância soberana” (que tanto criticam no São Paulo) vão continuar tapando o sol com a peneira.

P.S. 1: Esqueci do Palmeiras. Disputa a Série B do Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil. 
P.S. 2: QUACK!
P.S. 3: Quem ri por último, Riquelme.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Justificar o injustificável



Aquele que mais deu alegrias e vitórias ao clube e à torcida, hoje é o que sai de maneira quase melancólica, no alto de uma arrogância sem igual.

Rogério Ceni nos últimos dois anos só fez uma coisa de importante (tirando a Copa Sul-Americana): marcou o 100º gol em cima do Corinthians. Mas, espera: ele é um goleiro e como tal deveria cumprir melhor esta função. Que já cumpriu muito bem, aliás. Mas hoje é só história. Ao invés de ter se aposentado antes, abrindo espaço para novos goleiros, preferiu sair de cena humilhado. Poderia ter evitado, afinal depois de tantas conquistas, RC não merecia esse fim.

O preço é alto.

Por outro lado, aquele que não ganhou sequer um título – a Sul-Americana de 2012 não vale, já que nem em campo entrou -, Luís Fabiano (como que numa piada) não foi expulso e ainda marcou um gol! Quando o SPFC já perdia de 4x0.

Tarde demais.

O zagueiro Lúcio, este sim o grande responsável pela eliminação tricolor, continuará no time ganhando seu alto salário e com seu carro de luxo, exigências feitas por um zagueiro “ex-experiente” vindo da Europa.
Inexperiência.

E o mandatário whiskeiro, Juvenal Juvêncio, permanecerá imortal no trono tricolor. Soberano! Soberano?

Soberano.

E a torcida? Continuará com a falácia – tão arrogante quanto o goleiro – do 6-3-3 e “falta muito para os outros chegarem”. Não se pode levar ao pé da letra o verso do hino: “as tuas glórias vem do passado”. Uma idiotice, já que títulos passados só fazem números, não trazem novos.

Enquanto o torcedor fala, os outros ganham.

Isso sim é justificar o injustificável.

E como disse um amigo: “eu amo esse clube, não esse time”. Um clube, três cores, um esporte. E só.

O resto é conversa.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

A hora e a vez da zona norte de SP em "Sangue Bom"


Globo aposta novamente em São Paulo para a novela das 7. Dessa vez acertou em cheio.

A estreia de “Sangue Bom” esteve cercada de expectativa. O fracasso do remake de “Guerra dos Sexos” – média geral de apenas 22 pontos – acendeu o sinal vermelho na emissora. Escrita por Maria Adelaide Amaral (outra especialista em São Paulo assim como Silvio de Abreu, o antecessor) e Vicent Villari, “Sangue Bom” acerta em cheio ao retratar uma São Paulo sem caricaturas (não há nenhuma Mooca para alguém falar “orra, meu!”) e com todas as suas nuances.

A novela é colorida e ágil graças à influência da urban art. Graffiti e flores convivem num abiente geralmente retratado pelo cinza. Sinceramente, não vi clichês da cidade. Talvez por retratar uma região pouco conhecida: a zona norte. Ambientada na Casa Verde (Villari nasceu e morou no bairro), no Jardim São Bento e em outros bairros como o Imirim e o Limão, a novela expõe as diferenças sociais de cada lugar. Uma Casa Verde simples, com características de bairro em que as pessoas ficam na rua e com seus barzinhos de música ao vivo. Há também uma escola de samba (a zona norte conentra o maior número de escolas na cidade), que foi despejada para dar lugar a um empreendimento imobiliário – a zona norte tem um dos maiores booms de crescimento residencial na cidade. Por outro lado, há o Jardim São Bento emergente, rico. Nada de Jardins e Mooca. A cultura urbana se fez presente ainda com o rap e o hip-hop: o rapper Emicida, natural da zona norte, fez uma participação num protesto durante o lançamento do empreendimento – aliás, bem chato, irreal, um flashmob mal feito.

Enquanto “Guerra dos Sexos” exagerou na caricatura e no humor infantil, “Sangue Bom” acerta o tom. O humor é irônico, sutil. Maria Adelaide é experiente no assunto e traz personagens caricatos, mas não esquisitos: a Bárbara Ellen de Giulia Gam promete ser o destaque da novela. As tiradas da atriz decadente que tenta a fama a qualquer custo vão virar memes nas redes sociais. Diz que está “cansada de dividir pinça e cremes com um metrossexual” quando está se separando do jovem Jonathan James, um garotão que enriqueceu as custas do casamento com a atriz. Convoca a imprensa para divulgar a separação e um dos filhos adotivos diz: “a mídia adora uma vítima”. O ponto máximo foi quando Bárbara fala da traição de Jonatan com Brunetty (Ellen Roche, perfeita para o papel): “eu quero ver a cara de cu...íca daqueles dois!”. Esses tipos estão aí, aos montes, despejados em sites e revistas. É uma crítica bem humorada, sem ser canhestra ou ofensiva.

O elenco de protagonistas é jovem e garante bons momentos. Sophie Charlotte (Amora, a itgirl, adotada por Bárbara) é fútil como a mãe, mas é o grande amor de Bento (Marco Pigossi), criados no mesmo orfanato na Casa Verde. Ele é pobre e ela está de casamento marcado com Maurício (Jayme Matarazzo). Giane (Isabelle Drummond) é a doce maloqueira, também apaixonada por Bento e criada no orfanato. Malu (Fernanda Vasconcellos) é apaixonada por Maurício, noivo da irmã Amora, já que é filha legítima de Bárbara – e é rejeitada. O rebelde Fabinho (Humberto Carrão) também vem do orfanato, mas foi para o interior onde vive com a mãe, outrora rica por causa do pai. Além desses, o elenco tem estrelas como Malu Mader, Letícia Sabatella, Marco Ricca, Herson Capri, Regiane Alves, Felipe Camargo, Yoná Magalhães, Daniel Dantas, Louise Cardoso, Deborah Evelyn, Ingrid Guimarães e Marisa Orth, voltando aos bons tempos de humor como a ex de Wilson (Marco Ricca). Como é possível ver, o elenco é grande: 64 personagens.

A trilha sonora consegue fazer um mix da atual São Paulo: samba, pagode, rap e hip-hop, dando voz aos guetos da cidade. No primeiro capítulo a trilha foi jogada aos ouvidos, sem miséria. A abertura fica por conta do fraco Sambô, com uma releitura de “Toda Forma de Amor”. Como não poderia deixar de ser, a abertura é colorida, com floriais, abusa dos grafismos e da modernidade para retratar um jovem conectado, cosmopolita, urbano.

O primeiro capítulo não mostrou todos os personagens e nem o potencial daqueles que podem fazer barulho, como a corintiana Giane. Foi ágil e tem fôlego para muito mais. Mas mostra que é possível ver uma São Paulo que vai além dos clichês Mooca e Jardins, que existe São Paulo além desses bairros. E eu, como morador da zona norte e nascido na Casa Verde, é um prato cheio. Segundo a prévia no Ibope, atingiu 26 pontos com picos de 28, abaixo da estreia de “Guerra dos Sexos” (28) e ainda abaixo da meta (30).

“Sangue Bom” não tem muitas pretensões. É um bom produto, mas parece que ainda falta alguma coisa. É tudo muito bonito, tudo lindo, como se todos os personagens vivessem em harmonia. Falta “sangue”, porque de “bom” já basta a zona norte.