quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Os enredos do carnaval 2013 (parte 3)


Mais três escolas. Da 4ª a 6ª colocada:

Mancha Verde: na minha opinião, o melhor enredo do ano. Acada ano que passa, a alvi-verde mostra que é uma escola competente e o título está cada vez mais próximo. “Mário Lago – O homem do século XX” é o enredo. A história do ator, dramaturgo, artista e vários outros predicados será contada na avenida de forma brilhante, tenho certeza. O samba, assim como o enredo,  pode ser um dos melhores do ano.










Vila Maria: a escola da zona norte continua com Chico Spinoza como carnavalesco, que traz a imigração coreana. “Made in Korea” é o título do enredo, o mais criativo do ano, sem rimas que beiram a breguisse, fazem perguntas ou títulos extensos, é direto ao ponto. Os 50 anos de imigração coreana com certeza faz lembrar o enredo dos 100 anos da imigração japonesa, tema levado pela Vila Maria em 2008. Visualmente falando, pode ser parecido. Mais um enredo CEP, previsível.




Tucuruvi: decepção para alguns em 2012, afinal em 2011 a escola foi vice-campeã, o “Zaca” vem com “Mazzaropi: o adorável caipira, 100anos de alegria!”. Depois de desistir, sem uma explicação do enredo sobre Roraima, a Tucuruvi aposta no caipira para tentar o primeiro título. Mais um enredo-homenagem. Acredito que, se o enredo sobre Roraima permanecesse, seria mais interessante. Um local que provavelmente sequer foi cantado por alguma escola de samba, nos mostraria algo novo. Imagens sertanejas, os filmes e a vida de Mazzaropi estarão nos carros e fantasias, algo que já foi visto em outras escolas (um carro do cinema da Vera Cruz é de praxe). O carnavalescoWagner Santos continua à frente dos trabalhos. P.S.: Outro logo que, se ganhasse carnaval, estaria no grupo de acesso. É primário, simples, amador.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Os enredos do Carnaval 2013 (parte 2)


Continuando a série, mais quatro escolas do grupo especial de São Paulo:




- X-9 Paulistana: não consigo entender o que acontece na escola da Parada Inglesa. Depois de anos sendo uma das maiores escolas de São Paulo, hoje é uma escola que luta para não cair. Depois do desastrado enredo de 2012 sobre o Modernismo e o Rally dos Sertões (?), a escola traz um enredo batido, clichê, chato. “Se pra ter diversidade basta viver com alegria: sorria, pois São Paulo hoje é só harmonia!” (rimas intermináveis de novo) é o enredo, tema parecido com o da Mocidade Alegre em 2008. Os grupos e tribos de São Paulo serão mostrados, novamente, de novo. Outro enredo “mais clichê, impossível”. Os sambas também. Não vejo nenhum grande samba. A sorte da escola é que lá tem Royce do Cavaco, o maior intérprete de São Paulo. P.S.: Não resisto a fazer esse comentário. Se logomarca ganhasse carnaval, a escola já estaria no acesso. É impressionante a falta de cuidado com a marca que será estampada em revistas, camisas e outros produtos. Não há identidade nenhuma, nada de nada.

- Gaviões da Fiel: depois da homenagem ao corintiano ex-presidente Lula, com uma 9ª colocação injusta, a Fiel vem com “Ser Fiel é a Alma do Negócio”. Um dos melhores enredos do ano, vai contar a história da publicidade no Brasil. É um enredo original, criativo, e que pode (a sinopse ainda não foi divulgada para o público) homenagear um corintiano ilustre: o publicitário Washington Olivetto. Espero que a escola volte a dar show, que parece que foi esquecido depois da queda em 2006. Espero também que o preconceito contra a escola caia. É difícil para alguns entender que uma escola é feita de tradições e se a dos Gaviões é ter o Corinthians na alma, que seja. Foi assim que ela chegou no especial, foi assim que ganhou quatro títulos. Credito a isso a queda de proução depois de 2008. A escola quis mostrar uma imagem que não é a dela, mas que, ainda bem, está voltando.


- Tom  Maior: quando o enredo foi divulgado, já rebaixaram a escola. Que, desculpem os torcedores, já era para ter sido rebaixada, com um carnaval horrível mostrado em 2012. Mais um dos absurdos desse carnaval “histórico”. Mas a escola, incrivelmente, alcançou um 8º lugar, à frente de várias escolas que foram melhores. Mas, voltando ao assunto, o enredo anunciado logo depois do carnaval, foi rebaixado. A marca de camisinhas Pudence patrocina a escola e o enredo era “a história da camisinha”. As pessoas – eu inclusive – não conseguia imaginar visualmente esse desfile. Mas o carnavalesco Marco Aurélio Ruffin – que só sabe trabalhar com poucos recursos – traz um enredo que calou a boca de muita gente. “Parque dos Desejos – o seu passaporte para o prazer!” é um dos mais divertidos do ano. Não será simplesmente “a história da camisinha” e sim o prazer de uma maneira geral, desde o tempo das cavernas. Divertido, engraçado e inesperado.


- Dragões da Real: uma das surpresas em 2012, a escola vem com um enredo que talvez seja o mais clichê do ano. “Dragão, guardião real, mostra o seu poder e soberania na corte do carnaval” (rimas, rimas e rimas) é o enredo. Contará as mais diversas histórias onde o dragão, símbolo da escola (ah vá!) está presente. Na mitologia, na religião, nas tradições. Mais previsível impossível. Mas é um bom enredo para garantir a permanência no especial e, quem sabe, até mesmo uma vaga no desfile das campeãs. O samba já foi escolhido e é fiel ao enredo, sem grandes emoções ou brilhantismos em letra e melodia. 

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Os enredos do Carnaval 2013 (parte 1)



De olho em 2013: claro que seria uma foto do Império
Finalmente os Gaviões da Fiel divulgaram o enredo para 2013 e assim temos todos os enredos do carnaval do grupo especial de São Paulo. Homenagens, enredos sociais e históricos compõem o cenário. Nada de diferente, afinal é disso que o carnaval é feito. Abaixo, vão algumas impressões desses enredos, temas, enfim. Chame do que quiser. Lembrando que é apenas uma opinião, sem apontar vencedores ou candidatos ao descenso. Sem um período determinado, vou postar a cada dia ou semana uma quantidade de escolas. Começando de baixo para cima, de acordo com a classificação em 2012:

Tatuapé: a escola vice-campeã do acesso vem – de novo – com outra homenagem. Depois de coroar Leci Brandão em 2012, a azul e branca vem com “Beth Carvalho, a madrinha do samba”. Homenagem justíssima, de fato, afinal Beth tem uma história maravilhosa no samba. Mas homenagear novamente uma sambista me parece falta de criatividade para buscar outras soluções. Homenagens podem garantir mais tempo e a permanência no especial.










Nenê de Vila Matilde: ah, a Zona Leste está de volta para o lugar que não deve sair mais! A águia guerreira vem com um enredo social, “Da revolta dos búzios a atualidade. Nenê canta a igualdade” é o tema, um tanto batido, apesar de ser a cara da escola. Raízes, culturas e raças são os contantes do enredo. 












Águia de Ouro: o desfile de 2012, que na minha opinião foi um dos mais criativos, foi marcado pela correria no final. Uma pena, pois o enredo sobre a Tropicália é maravilhoso. Para 2013, a Pompéia vem com “Minha missão. O canto do povo. João Nogueira”. Linda homenagem ao sambista, pai de Diogo Nogueira. Ao lado de Mancha e Gaviões, o melhor enredo do ano. Uma proposta diferente para a escola. Aposto alto nesse enredo.







Império de Casa Verde: sou suspeito para falar, afinal é a minha escola. Depois da confusão na apuração, a escola está manchada e marcada. Não vou fazer nenhum discurso aqui, apesar de querer vomitar os fatos. O enredo é bom, histórico, fácil. Mas é uma junção do enredo da Imperador em 2010, juntando um pouco de Vai-Vai 2009 e literalmente uma cópia (com algumas inversões) da carioca Imperatriz Leopoldinense em 2011. É tudo muito recente. Não que isso seja um problema, afinal tudo foi muito recente para o Império. O acesso ao especial, as vitórias e a queda de produção. “Para todo mal, a cura – Quem canta, seus males espanta!” é o enredo do vencedor Alexandre Louzada, que chega a escola para 2013. A escola destaca que a cura do enredo não é a da frase “para todo mal, há cura”, de existir. A proposta é que a cura é possível, mas pode não ter. O Império quer mostrar que existe cura para os males, até mesmo o das punições sofridas por causa da apuração. O tigre guerreiro “é o doutor da alegria” e vai fechar – novamente – o carnaval em 2013. 

(Continua...)

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

A banalização do feminismo

FEMEN: protesto das neo-mulheres
FEMEN no Brasil: demorou pra chegar

As imagens não chocam mais. Toda semana, fotos de mulheres riscadas são vistas sendo arrastadas, como animais, por policiais – aparentemente brutos. Nas Olimpíadas, viraram notícia, com manifestos, palavras de ordem, etc. Claro, a moda chegou no Brasil. A terra das mulheres bonitas, sensuais. Até que demorou.

O FEMEN, grupo feminista – ou neofeminista – usa do corpo para gritar (e mostrar) direitos.  Foi criado na Ucrânia em 2008 e protesta contra o sexismo e outros problemas da sociedade. É no mínimo engraçado: protestam contra o sexo e banalização da mulher, mas saem de tetas riscadas de fora. Pode parecer machismo, mas sim, são tetas. Mulher que tem seio, peito, não o saem expondo em tudo quanto é lugar.

Artifício barato: gritos e agitação
Ele pede, o FEMEN dá.
Como disse, as imagens não chocam mais. Os seios escritos aparecem nas homepages e jornais sem nenhum tipo de censura. Não que seja errado, afinal, não vejo diferença em fotos de descamisados e mulheres em poses sensuais. Uma parte do corpo que todos temos, no caso delas, com mais volume. Mas as imagens mostram uma brutalidade falsa.

Ao ver fotos das ativistas, chego à conclusão de que é um artifício – barato, por sinal. Foi difícil escolher as fotos para esse post. Nunca vi pessoalmente um protesto dessas neomulheres, mas a impressão que tenho é que usam da força (supostamente) brutal de policiais para se debaterem e criar imagens fortes, chocantes. E aí começa a banalização. Elas se debatem, gritam, passando a impressão de que estão sendo humilhadas e violentadas.

Todo “ismo” é ruim. Esse sufixo -ismo significa (também) doença, é um erro usá-lo. Mulheres falam em “machismos” dos homens e delas próprias, e o condenam, com razão. Afinal, desde os tempos idos da bíblia cristã, o machismo prevalece: o homem é o provedor da casa, a mulher cuida da casa. O homem sustenta e a mulher é submissa. A mulher deve servir e o homem, pedir. Até Deus, que não sabemos quem ou o que é,  é tratado como homem, afinal é “O Deus”. Mais machista impossível. Já o feminismo não é condenável, pelo menos pela maioria. Essa sim, essa “doença”, pode,é aceita. Isso é incoerente, banal. As mesmas mulheres que condenam a sumbissão, o uso do corpo da mulher como objeto, o mostra como um objeto que alimenta uma imprensa ávida por sensacionalismos. Olha aí, mais um –ismo.

Bundas e peitos, fotos e mais fotos

Tetas rabiscadas de fora: banalização
O FEMEN pode até ter seus ideais, propostas e argumentos. Mas não com as tetas de fora.

domingo, 12 de agosto de 2012

Medalha de prata - suada - para a Record

SÓ na Record: insistência insuportável
As Olimpíadas de Londres foram anunciadas com pompa pela Rede Record, afinal foi a única em rede aberta a ter os direitos exclusivos. Os jogos chegaram e a emissora tinha que apagar a má imagem deixada pelos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara em 2011. As falhas não passaram despercebidas e a cobrança só aumentou.

Londres chegou e a Record montou um aparato técnico pouco visto em outras transmissões. Uma equipe grandiosa, estúdios igualmente grandes, tinha tudo nas mãos para superar o “monopólio” global (como se a Record não o fizesse). As transmissões começaram e aí... A âncora e principal estrela da Record nos Jogos, Ana Paula Padrão disse um impropério: “aqui no Jornal da Globo”. Um pecado mortal. Mas perdoado. O barulho foi grande e, em certa parte, ajudou a emissora. Nome aos quatro ventos, sites e redes sociais.

Ana Paula Padrão: só na Globo... Quer dizer, Record
As transmissões esportivas ficaram marcadas por erros, principalmente do narrador Lucas Pereira. Erros como trocar nome de jogadores, ufanismo exarcebado, empolgação além da medida com competições que o Brasil sequer competiu não foram perdoados. Maurício Torres também teve seus momentos empolgados, o que prejudicou a qualidade da transmissão. Mylena Ceribelli – que, na minha opinião, acho horrível – só foi objeto de decoração. Apresentou poucas coisas, pouco para uma carreira consolidada, afinal é uma ex-Globo. O “porra” que ela soltou sem saber que estava no ar foi mais importante, talvez. Outro ponto negativo foi a insistência insuportável que os narradores diziam: “Olimpíadas, só na Record” ou “a Record é a única emissora de tv aberta aqui em Londres”. Irritante, desnecessário e talvez, medo das pessoas esquecerem desse fato. 

Celso Zucatelli: bobo da corte olímpica da Record.
Assim como a maioria dos outros comentaristas
Os comentaristas foram um show à parte. Romário que o diga. Falastrão, disse o que lhe veio à cabeça, sem medir palavras. Crucificou Mano Menezes de forma veemente e não hesitou em falar mal do treinador. Alguns foram meros torcedores, como Virna no vôlei. Destaco Luisa Parente na ginástica, sempre segura nos comentários do esporte e Oscar, esse sim, torcedor que transmite informação – ao contrário de Romário. Celso Zucatelli fez a parte "popular" da transmissão: no meio da galera, com estrelas da casa (Rodrigo Faro falou sobre a carreira, entre outras peculiaridades). O tom mais "humano" foi trocado pelo "popularesco". Tosco e em alguns momentos, ridículo.

A Record transmitiu horas de esporte, o que é louvável. As tardes foram trocadas por diversos esportes. Alguns desnecessários, como as longas transmissões de ginástica e natação – apelo sexual óbvio para garantir audiência. Audiência esta que não correspondeu como o esperado. Foi líder em alguns momentos – no sábado, 11 foi líder por quase um dia inteiro, feito inédito – principalmente em transmissões de vôlei e futebol. A Record não passou a Globo e nem teve audiência superior. Os bispos talvez ficaram descontentes com o retrono obtido, afinal, milhões de dólares foram depoistados pela transmissão do evento. A prata estaria de bom tamanho para a Record. Prata suada, aliás.

Zucatelli e Romário em foto para o "feice".
A imagem de emissora olímpica não “colou” e duvido que um dia “cole”.

Fim de linha: o (ótimo) Brasil em Londres


Yane Marques é bronze: pódio inédito no pentatlo moderno
Mais uma Olimpíada que termina e o saldo para o Brasil, por mais que os torcedores de sofá falem o contrário, é extremamente positivo para o país. É o recorde de pódios (16), mas não é o recorde de ouros (3, ante os 5 de Atenas-04). Isso não importa, pelo menos agora. O Brasil viu medalhistas que não eram esperados, inéditos: duas no boxe com os irmãos Falcão (bronze para Yamaguchi e parata para Esquiva), o ouro de Sarah Menezes no judô, Arthur Zanetti nas argolas e o último, o bronze de Yane Marques no pentatlo moderno.

Os falastrões e impiedosos vão lembrar somente das “decepções” (sim, com aspas): a prata no vôlei masculino, o bronze de Cielo na prova em que era favorito e defendia o bi-olímpico na natação (50m), a prata de Emanuel e Alisson e o bronze de Juliana e Larissa no vôlei de praia, entre outros. Vão lembrar mais ainda das, essas sim decepções, sem aspas: derrotas no futebol, a falta de medalhas no atletismo, quedas nos torneios de basquete e handebol, etc.

Do futebol, fica a lição: hora de olhar para dentro do país, esquecer estrelismos e egos. No feminino, o investimento subiu no telhado. Não bastou Marta ganhar títulos de melhor do mundo, não bastou o Brasil ser campeão, nada adiantou. Várias desistiram e o apoio fica somente na palavra. Os rapazes da seleção tem a chance de mudar esse jogo com as próximas competições. Apesar de clichê, a camisa deve pesar e deve ser honrada, com garra e atitude. Como em qualquer time ou seleção. É difícil esquecer que o futebol virou um balcão de negócios, mas ainda acredito que há os que pensem diferente.

Rio 2016: menos "bronzil", se possível
Nos outros esportes, é hora de investir. Hora de olhar para os esportes individuais, como a natação, lutas e atletismo. São apenas quatro anos para o Brasil mostrar que pode ser uma nação que revela talentos, lapida competidores e que, se ainda não pode ser uma potência olímpica, pode ser um celeiro de talentos. Não só no “tão importante” futebol. O basquete vem numa crescente boa, as ligas nacionais tem tido investimentos e o apoio cresce. No vôlei, que vem de quase uma década vitoriosa, idem. É preciso olhar com mais carinho para a ginástica, que caiu de produção. Olhar sem preconceito para a ginástica masculina. Investir mais no atletismo que, pela primeira vez em 20 anos, ficou sem medalha. Treinar mais “Cielos” para a natação. Nas lutas, que o investimento cresça depois das medalhas ganhas em Londres.

Pode parecer utópico, visionário, esperançoso demais, mas só com investimento público (e não gasto público) o Brasil pode chegar em posições melhores no ranking de medalhas. Se acontecer em casa, melhor ainda. Vai, Brasil!

Pátria de chuteiras. Será mesmo?


Mais uma derrota no futebol. Mais uma medalha olímpica de prata. Mais uma decepção. Mais um “Mano” para ser crucificado. E o vôlei (ao menos o feminino), o judô, o boxe, a ginástica continuam dando vitórias para o Brasil. E ainda assim, endeusam o futebol. Situação complicada. As outras ditas “decepções” são coisa de gente de mente fechada. Cielo não decepcionou, Alisson e Emanuel igualmente não. Talvez o vôlei de Bernardinho tenha apagado. Estranho para uma geração vitoriosissíma. Acontece, é o esporte. Um dia ouro, outro dia prata. Ou bronze. O futebol é diferente. Culpa do endeusamento, como se só existisse esse esporte no país. Explico abaixo:

Neymar e cia: cara de bosque
Num sábado de medalhas garantidas para o país, o primeiro ato era o que tinha as maiores esperanças depositadas: finalmente o Brasil poderia sair com o ouro no futebol masculino. O time de Neymar, Pato, Damião e cia tinha a oportunidade de selar um trabalho regular, nas mãos do fraco – sim, fraco, mas não único culpado – Mano Menezes. Um técnico que substitui mal e não escala bem o time. Time este que tem grandes limitações. A grande esperança do time, Neymar, não mostrou o ótimo futebol que mostrou outrora. Leandro Damião, pelo menos, foi o artilheiro do torneio olimpíco, igualando o feito do baixinho Romário, o novo comentarista falastrão. Entre outros jogadores, a seleção brasileira precisa de mudanças. Mano é considerado o único culpado pela maioria, mas não é bem assim. Egos inflados de jogadores, individualismos e falta de compromisso marcam essa selelção, sim. Parece que os contratos de patrocinadores, clubes e empresários são mais importantes do que a garra e a perseverança em campo. Paciência.

Meninas e vôlei de ouro: sambando na cara das americanas
Enquanto isso, segundo ato: vôlei feminino. Aqui sim, garra e perseverança sempre presentes. As meninas campeãs em Pequim-08 buscavam o bicampeonato novamente em cima das americanas. Depois de um começo irregular no campeonato, o time de José Roberto Guimarães ficou desacreditado. Os jogos foram passando, vitorias chegando – incluindo o memorável jogo contra a Rússia, que entrou para a história do esporte – e a final tornou-se realidade. Jogo disputado, primeiro set perdido, mas... Essas meninas são tinhosas. O jogo virou e o ouro novamente está em mãos brasileiras. O vôlei, novamente, dentre tantas outras vezes em vários campeonatos, é ouro.

Mais tarde, terceiro ato: Esquiva Falcão disputava a final do boxe. Final histórica, como já disse no texto anterior (http://openicoestavoando.blogspot.com.br/2012/08/o-boxe-ressurge-ate-o-proximo-ufc.html). O ouro escapou por um ponto, mas a prata já é o maior feito do boxe em Olimpíadas. Ao lado do bronze do irmão Yamaguchi Falcão, esses dois irmãos escreveram seus nomes no esporte nacional. Além disso, Esquiva será o porta-bandeira no encerramento. Reconhecimento merecido.

Esquiva Falcão: porta-bandeira em reconhecimento à prata

Mas, mesmo assim, o futebol é o esporte dominante. Movimenta milhões e milhões de reais, euros. O povo fica feliz com os dribles e golsdos jogadores. E o futebol continua endeusado, o panteão do esporte no Brasil. Como se o ponto de ataque de Sheila fosse menos importante. Como se as braçadas de Cielo fossem nada. Como se as cestas do basquete, que tenta voltar às boas épocas de Oscar, Hortência e Magic Paula – fossem medíocres. Estes apenas exemplos, claro.

Uns vão dizer que o torneio olimpíco de futebol não é importante, afinal tem a Copa do Mundo para isso, com jogadores mais velhos, experientes. O Brasil é pentacampeão, et c, etc, etc. Mas os outros esportes também tem copas e ligas mundiais. Isso é pura idiotice ou querer tapar o sol com a peneira. Ou egoísmo, sentimento de posse, saudosismo... Menosprezar o torneio olimpíco é mesquinho.

E o futebol, ó...
Não critico aqui o futebol que, assim como a maioria, gosto e me divirto. Amar já é demais, tenho mais o que fazer. Muito menos que um esporte não deva ser popular, pois isso é parte da cultura de cada local. Critico aqui a falta de investimento em outros esportes, tão carentes de ídolos e recursos. Esportes esses que são vitoriosos nos Jogos Olimpícos, trazem medalhas de ouro e mais alegrias. E o futebol, ó...