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sexta-feira, 14 de junho de 2013

Eu acredito é na rapaziada!

É complicado escrever, sendo que já escreveram aos montes. Às vezes é falar mais do mesmo. A maioria tem a mesma opinião. Há muito tempo não se via algo desse tipo no país. Há muito tempo não se via tanta gente mobilizada, seja pelo corpo presente, seja pela internet. E sim, as coisas estão mudando.

Ver Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo num dia incitando a violência e “máximo rigor” da PM em seus editoriais e no mesmo dia ter vários de seus repórteres atingidos é catártico. No dia seguinte, o discurso muda e as manchetes são inundadas por reações contrárias à PM. Catártico. A imprensa já muda o discurso, em todos os lugares. Estão lá, todos os conglomerados de mídia que apoiavam não só o momento atual, mas coisas que vem desde a ditadura. E hoje, é o que vemos nas capas de jornais e sites.

E é impressionante as pessoas que ainda acham que tudo o que está acontecendo é por causa de vinte centavos. Como já disse, os 0,20 são uma máscara para esconder outros problemas tão graves quanto o transporte público. Pior ainda quem culpa o Tiririca pela “burrice” do povo em escolher mal seus governantes. Tudo o que está acontecendo é justamente para mostra que tem que haver mudanças, em todos os setores: educação, transporte, saúde... E, aí sim, seremos mais inteligentes para qualquer coisa, não só para votar. O momento não deve ser mais de manifestação e sim de revolução, como vi em um dos vários depoimentos e opiniões sobre o caso.

A PM mostrou ontem sua verdadeira face: truculenta, desesperada, despreparada e, comportando-se como filhotes da ditadura, mostraram como se faz democracia. É repugnante ver os vídeos dos manifestantes gritando “sem violência!” e ver um dos paus-mandados do governo estadual mandando bala de borracha à esmo. É nojento ver o PM quebrando o vidro da própria viatura para sabe-se lá o que. É triste ver pessoas que nada tem a ver com a manifestação levarem tiros de borracha e se intoxicarem com gás. E eu, como profissional de comunicação, é de chorar ver os jornalistas e fotógrafos que talvez nem lá queriam estar, mas estavam no fogo cruzado e saíram feridos. Feridos física e moralmente.


Enquanto isso, reescrevo um trecho que li num dos melhores textos sobre o caso. A parte que fala sobre como a Copa do Mundo e várias outras coisas estão interferindo na sociedade, impostas como um padrão e de qual a imagem que esse país quer mostra para o mundo é brilhante. E finaliza: Aqueles que vão para a frente do computador defender a repressão e carimbar, com seu carimbo interminável de rótulos, os manifestantes, não merecem preocupação: estão apenas perdendo o trem da história. (fonte: http://impedimento.org/milhares-ja-escolheram-sapatos-que-nao-vao-apertar/)

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Um erro

fotomontagem Rolet20conto
Retiro (quase) tudo o que está dito na postagem que vem logo depois desta.

Mantenho o texto pois já está publicado. Lido por não sei quem. Mas publicado.

No mesmo espaço que uso para falar o que penso, quero usá-lo para falar que mudei o que pensava.

Não é uma "juventude imbecil e inconsequente". Temos, claro, os laranjas podres. Como em qualquer organização. Nesse texto, o outro lado da manifestação: http://papodehomem.com.br/o-protesto-que-eu-nao-vi-pela-tv/

Talvez não seja um "bando" de estudantes.

Mas ainda acho que quem não mostra a cara, algo de errado está fazendo.

E sim, a tarifa é alta. Os vinte centavos (ou dez para estudantes que pagam meia) de aumento soam como uma afronta ao serviço que é prestado. A palavra é: aumento. Esse é o problema, e não necessariamente o valor. Não só em São Paulo, mas em várias outras capitais.

Os vinte centavos são máscara que esconde outros problemas: corrupção, abusos de poder, desvios, má educação oferecida nas escolas, serviços de saúde ineficientes, violência, etc.

Não, não é uma minoria, apesar de ter (infelizmente) alguns "burgueses revolucionários" e "pobres arruaceiros".

Que esses protestos desencadeiem mais uma serie de outras manifestações em prol de outros temas.

A "baderninha" se tornou algo muito maior que isso. Ganhou até repercussão internacional: http://internacional.elpais.com/internacional/2013/06/12/actualidad/1371000636_370579.html

Protesto, via de regra, não tem regra.

A sociedade tem pago caro com os protestos. Mas, é o preço.

Talvez melhore. Talvez não.

Talvez faça valer o ditado "há males que vem para o bem". Talvez não.

Ainda acho que o "discursinho revolucionário anarquista" cansa.

Mas passei a achar - sim, depois de assistir todos os protestos, todos os lados (o que a mídia quer mostrar e o outro lado que - ainda bem - conseguimos ver pela internet) ao "Profissão Repórter" de ontem - que a situação é muito pior do que o ônibus que pego aqui na zona norte e vou ao centro.

Ou então a situação é muito pior do que o trânsito que você invariavelmente pega (com protesto ou não) confortável em seu ar-condicionado e vidros fechados protegidos por insulfilm (ou blindados), parados, sem produtividade alguma e reféns, veja só, de uma polícia truculenta e ineficiente, por vezes mais suspeita que a própria bandidagem. Inclusive nessas manifestações.

Enfim, não é um pedido de desculpas. Tampouco retratação, pois acredito que não tenha ofendido ninguém. Aliás, é preciso tomar cuidado pois qualquer coisa hoje pode ser ofensa.

Não é falta de convicção. Aliás, as convicções são quadradas.

Assim como são quadradas as pessoas que acham que "a polícia deve descer chumbo nesse bando de vagabundos".

Tomara que a situação mude para melhor e que os "vagabundos" de hoje se tornem um exemplo (ou algo assim) de mudança de amanhã.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Mexeu no bolso, o bicho pega

O aumento na tarifa de ônibus paulistana em 20 centavos desencadeia uma série de protestos...

foto: Thiago Queiros/Estadão
...protestos de uma juventude imbecil e inconsequente. As imagens mostram uma Avenida Paulista destruída – claro, parte por culpa da ineficiência e truculência da polícia militar – por “estudantes” que se dizem contra o aumento de 0,20 na passagem de ônibus. A “revolta” não passa de um bando de estudantes que muito provavelmente tem a condução (e mensalidade da faculdade) paga pelos pais. Muito provavelmente estudantes que pagam o olho da cara em festas e baladas. Muito provavelmente são estudantes que, àvidos por uma baderna, se jogam em qualquer manifestação, legitimando-a como justa e por uma boa causa. Mas manifestante que não mostra a cara – como os vários que usaram máscara para se esconder – só mostra que tem vergonha do que faz. E sabe que está errado.

Sabemos que sim, o aumento é um abuso, afinal subiu muito mais que a inflação no período. Sabemos que o serviço prestado não é lá grande coisa, e o problema acaba se estendendo não somente para o transporte público (ônibus/metrô/trem), mas para toda a mobilidade urbana (vias, avenidas). Sabemos que os salários não aumentaram na mesma proporção. Sabemos que a polícia é truculenta e é bem provável que tenham feito boa parte dos estragos. Mas nada disso legitima um protesto por 0,20. Sim, pode fazer falta para quem realmente precisa e mora nas periferias. Gente que mora na periferia, mas ainda assim compra tênis de quase mil reais e não reclama por isso. Estudantes que pagam meia tarifa, o que na prática resulta em um aumento de dez centavos. 

Manifestações truculentas podem garantir alguma mudança? Não. É só ver as diversas que ocorreram na Primavera Árabe. Muito barulho e poucos resultados. A diferença é que lá, sim, é por algo decente: a má política praticada naqueles países. Vejamos: no Chile, há um tempo atrás, manifestantes entraram em confronto com a polícia protestando por melhoras na educação. Veja bem, na educação. Ninguém aqui se mexe para protestar contra a má educação oferecida nas universidades públicas e mais ainda nas particulares. Mas quando mexe no bolso... Aí o bicho pega.

Acho que tudo não passa de uma minoria que se acha prejudicada e no direito de “parar” a cidade, mas uma minoria não só com o tipo “burguês revolucionário”, tão presente hoje em dia nas universidades. Mas do pobre anarquista e arruaceiro que adora uma baderna. Aliás, está virando moda: tudo vira protesto: a favor da família, contra o aborto, contra o aumento da passagem... Mas contra a corrupção, contra os maus serviços prestados em diversas áreas da sociedade, nada. Quando mexe no bolso, o bicho pega.

No fim do ano passado, em Portugal, uma manifestação de alguns milhares foi marcada por algo impensável em um protesto: o silêncio dos manifestantes. Contra o aumento dos impostos, contra os cortes nos salários e contra o desemprego, numa crise que atinge toda a Europa. Tudo no mais absoluto silêncio. Talvez não tenha adiantado. Mas ficou muito mais marcada do que qualquer “baderninha” causada por estudantes “revolucionários”.


Esse discurso “revolucionário anarquista” cansa.